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Contamos sobre uma das novidades mais marcantes da primavera nos streamings nacionais – a série «Tempo de Primeiros» da Okko.

A série «Tempo de Felizes» conta a história de uma família ao longo de três décadas: anos 1980, 1990 e 2010. Os protagonistas são Ivan e Marina. Eles se conhecem nos otimistas anos 80, têm trigêmeos, ganham um apartamento. Depois vêm os anos 90: Ivan, candidato a ciências, fica sem trabalho e mergulha na rotina doméstica e nas aulas particulares, Marina vai vender no mercado. O relacionamento desmorona, os heróis se separam. Em 2012, seus filhos já são adultos, mágoas antigas se acumularam, e um dos três já morreu.

A trama é não linear: cenas de 1985, 1999 e 2012 se misturam. No início, exige adaptação, mas gradualmente a montagem deixa de atrapalhar e até começa a funcionar — as razões das ações dos personagens são reveladas posteriormente, sem explicações intrusivas. A história não se baseia em eventos externos, mas em conflitos domésticos e familiares. Traições, dificuldades financeiras, expectativas frustradas, perda de um filho — passamos por tudo isso junto com nossos heróis.

Tempo de Felizes
Cena da série «Tempo de Felizes»

Na história não há bons e maus. Ivan é inteligente, educado, mas indeciso, propenso a fugir dos problemas. Marina é prática, paciente, assumiu a responsabilidade pela família, mas não sem sua própria dureza. O mais interessante é que a linha mais viva parece ser a história de Inga (filha da mulher com quem Ivan teve um relacionamento) — sua motivação e dor são escritas de forma mais clara do que as dos protagonistas centrais de toda a série.

Vale a pena prestar atenção em como exatamente a imagem é construída na série. Os anos oitenta são reconhecíveis pelos móveis, roupas, louças. Os anos noventa são mostrados através de mercados, perplexidade, dificuldades cotidianas, mas sem o romantismo bandido caricatural. Os anos 2010 parecem mais neutros, quase como nossa realidade atual.

Cada época tem sua cor e luz. A trilha sonora corresponde a cada época e não sobrepõe os diálogos. A montagem não linear não é um fim em si mesma, embora inicialmente pareça um recurso ousado: ajuda a comprimir três décadas sem perder a lógica, embora não haja muitas cenas de comparação direta "então e agora", e a série não abusa delas. E a própria transição entre épocas no meio da série já cansa, e no final desaparece completamente. E isso é compreensível, pois o passado já não é tão importante quanto o presente.

Cena da série «Tempo de Felizes»
Cena da série «Tempo de Felizes»

Em diferentes fases da vida dos personagens, diferentes atores os interpretam, e eles são escolhidos com base na semelhança física e comportamental. Vale notar que as versões jovens dos personagens diferem notavelmente das mais velhas em plasticidade e voz, amor pela vida e alegria, mas isso parece justificado — as pessoas realmente mudam muito em 20-30 anos.

A principal surpresa de «Tempo de Felizes» é que, sob a aparência de uma saga familiar, esconde-se uma linha investigativa bastante independente. O desaparecimento de um dos três filhos e a morte da vizinha permanecem no centro da narrativa ao longo de toda a sua duração, mas os detalhes do ocorrido são revelados gradualmente e de forma não linear. O espectador, assim como os personagens, não sabe se foi um acidente ou intenção de alguém — e diferentes heróis dão diferentes versões do mesmo evento. E os flashbacks dos anos 90 não explicam tanto os personagens, mas fornecem novas pistas que contradizem depoimentos anteriores.

Ao mesmo tempo, a série não se transforma em um detetive clássico com interrogatórios e perseguições: a investigação está inserida no cotidiano, e as conversas-chave acontecem em cozinhas, carros ou almoços de funeral. Graças a esse recurso, até mesmo cenas domésticas não perdem a tensão — cada detalhe ou frase dita pode ser importante para entender o que realmente aconteceu.

Cena da série «Tempo de Felizes»
Cena da série «Tempo de Felizes»

A série tem algumas falhas. O final parece muito suave e previsível para o drama que se desenrolou no meio da temporada, e os conflitos são resolvidos mais rápido e mais facilmente do que foram construídos. O ritmo nos episódios cinco a oito cai visivelmente: algumas cenas poderiam ser encurtadas ou editadas sem perda de sentido. Além disso, uma ou duas tramas secundárias são interrompidas sem conclusão clara, o que parece problemas de montagem.

No geral, «Tempo de Felizes» é um drama familiar sólido que prende a atenção graças à representação honesta do cotidiano e das escolhas humanas difíceis. A série não tem a tarefa de virar a consciência ou estabelecer novos padrões de gênero, mas é realizada sem erros graves de roteiro e direção, o que a destaca entre outros trabalhos. Isso pode ser especialmente interessante para quem viveu os anos 80 e 90: os detalhes cotidianos serão um motivo adicional para nostalgia.