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«Baía das Viúvas» tomou conta do Reddit — os fãs estão convencidos de que algo está errado com a assistente do prefeito, o tempo na ilha é anômalo e o próprio Tom sabe da maldição há muito tempo. Analisamos as teorias mais fortes da série.

O streaming Apple TV lançou a série «Baía das Viúvas» (Widow's Bay), que consegue ser ao mesmo tempo engraçada, assustadora e espirituosa em um único episódio — e no quarto episódio já ganhou um exército de fãs que meticulosamente analisa cada cena nos mínimos detalhes. O Reddit não dorme e, honestamente, dá para entender porquê.

Atenção: o texto contém spoilers da série «Baía das Viúvas»

Sobre o que é «Baía das Viúvas»

Uma ilha tranquila na costa da Nova Inglaterra. O prefeito Tom Loftis (Matthew Rhys) tenta com uma persistência maníaca transformar uma cidade esquecida por Deus chamada Baía das Viúvas (Widow's Bay, se preferir) em um ponto turístico no mapa: sem Wi-Fi, com sinal de celular morto e moradores supersticiosos convencidos de que a ilha é amaldiçoada. Tom não acredita nisso, convida jornalistas do NYT e se comporta como alguém que nunca assistiu a filmes de terror. Claro, os turistas chegam — e é então que as velhas histórias, que pareciam absurdas demais para serem verdade, começam a acontecer novamente.

A criadora do programa é Katie Dippold, de «Parks and Recreation», então o humor negro está em abundância. Mas após o quarto episódio, fica um pouco mais difícil rir. A direção fica por conta de Hiro Murai («Atlanta», «The Bear», «Barry»), Ti West («X», «Pearl», «MaXXXine») e outros.

Tom não está construindo um resort, mas uma gaiola

A versão oficial do desejo de Tom de atrair turistas é o renascimento econômico da ilha. Os fãs, no entanto, estão convencidos de que há algo muito mais pessoal por trás disso. Na ilha, corre a crença de que aqueles que nasceram aqui e foram para o continente morrem. O filho de Tom nasceu na ilha. Portanto, quanto mais movimentado o lugar, menos motivos o adolescente tem para fugir daqui. O prefeito não está construindo infraestrutura turística pelo orçamento — ele está construindo uma armadilha com as melhores intenções.

Isso explica tanto sua obsessão quase patológica quanto o motivo pelo qual ele ignora por muito tempo os sinais óbvios de uma catástrofe iminente. O homem racional dentro dele desistiu há muito tempo — só restou o pai que mantém o filho por perto a todo custo.

O que aconteceu com a esposa do prefeito? Talvez o próprio Tom seja o culpado

Sobre a mãe do filho de Tom, a série ainda fala por insinuações, mas os fãs já montaram o quebra-cabeça. Ela foi para o continente — e morreu. É isso que explica o nervosismo ansioso em Tom. Não é medo do desconhecido, é a memória de uma perda que ele já viveu.

Segundo uma versão mais radical, Tom não apenas perdeu a esposa — ele tentou tirá-la da ilha, e foi isso que a matou. Então todo o seu projeto turístico significa que não é apenas uma gaiola para o filho, é também uma redenção.

Patricia: fantasma, bruxa ou guia?

Após os primeiros episódios, circulava entre os espectadores a teoria de que Patricia (Kate O'Flynn) era um fantasma. Diziam que só Tom falava com ela, e que suas sugestões para o folheto não entravam no release. Mais tarde, essa versão cai por terra. No entanto, o quarto episódio, totalmente dedicado a ela, não respondeu às perguntas sobre quem é a assistente do prefeito, mas as multiplicou.

Patricia é natural da região, que na escola quase foi morta por alguém misterioso que matou suas colegas de classe. Desde então, ela vive na ilha entre as mesmas pessoas (mas as ex-amigas a ignoram, achando que ela é mentirosa), no mesmo espaço fechado — sem a menor chance de recomeçar em outro lugar, porque (teoricamente) não se pode sair.

Na véspera do feriado, um livro misterioso cai na van de Patricia, desencadeando uma série de eventos estranhos. Ela prepara ponche para a festa e faz um brinde. E então a vemos, com um cocar satânico, ordenando que os convidados se afoguem no oceano. Ao recobrar a consciência, Patricia, horrorizada, joga o livro (que já assumiu a forma de um grimório, e não de um guia de autoajuda) na fogueira — e o feitiço se desfaz. Mas a pergunta «quem colocou o livro para ela» permanece em aberto.

A observação mais interessante é que a criatura que claramente poderia tê-la matado na praia junto com os outros convidados da festa não o fez. Como se a reconhecesse como sua. Talvez Patricia não seja vítima da maldição, mas sua cúmplice? Um canal, por assim dizer, através do qual a ilha testa as pessoas.

O tempo aqui literalmente devora as pessoas

O momento mais arrepiante no segundo episódio não é o palhaço na ventilação (embora isso também seja ótimo). O verdadeiro horror é o «Quarto do Capitão» no hotel, onde o dono entra por trinta segundos e sai com o rosto de alguém que viu algo sobre o qual é melhor não falar. O quarto, nesse tempo, ficou coberto de mofo preto, sugerindo claramente que o tempo ali segue suas próprias regras.

Mas e se isso se aplica a toda a ilha? O médico local parece ter setenta anos, mas no prontuário consta 37. A assistente de Tom se indigna quando ele diz que ela tem «mais de quarenta» — embora seja exatamente essa a aparência dela. Os fãs estão convencidos de que a ilha não é apenas amaldiçoada, ela devora o tempo.

A ilha vive em ciclos

Do ponto anterior surge uma teoria mais ampla. A história da igreja e do canibalismo, que os moradores contam de boca em boca, não aconteceu «há muito tempo», mas em um dos ciclos anteriores, que começa a emergir novamente através da realidade, como uma mancha de umidade através do gesso. Os espectadores notam motivos visuais repetidos nos episódios 3 e 4 — a série proporciona cuidadosamente um déjà vu não apenas aos personagens, mas também aos espectadores.

Disso decorre uma conclusão verdadeiramente sombria: Tom, com seu projeto turístico, não está quebrando a maldição — ele está iniciando um novo ciclo, só que com turistas em vez de bruxas e paróquia.

O poço como disco rígido da ilha

No final do terceiro episódio, o padre Bryce coloca o ouvido no poço — e a partir daí começa a se comportar como se alguém tivesse virado uma chave dentro dele (e mais tarde comete suicídio). O Reddit decidiu em uníssono que não se trata de um portal clássico «para o inferno», mas de uma espécie de «arquivo».

Aqueles que ouvem o poço correm o risco de serem «sobrescritos» — não possuídos no estilo de «O Exorcista», mas literalmente substituídos por versões de si mesmos do ciclo anterior. Daí os personagens que de repente dizem frases que não deveriam lembrar, ou reagem a eventos com a sensação de que «isso já aconteceu». O poço é o acesso à memória da ilha, e o preço por ele é a própria identidade.

Rosemary é a única que sobreviveu ao ciclo anterior

Rosemary (Dale Dickey) é a cética assistente de Tom que fuma o tempo todo e reage ao que está acontecendo como se fosse o retorno de um pesadelo familiar. Cada comentário dela sobre a maldição soa não como superstição, mas como depoimento de testemunha. E ainda conhece as lendas em primeira mão.

Versão popular: Rosemary sobreviveu a um dos ciclos anteriores. Daí a mistura de medo e resignação quando se fala da ilha. É impossível assustá-la com lendas, porque ela não as ouviu da avó — ela esteve lá pessoalmente.

Numa interpretação mais radical, Rosemary, e não Tom, é o verdadeiro centro moral da história, como a única pessoa que tem experiência de horror vivido.

Veredito

«Baía das Viúvas» da Apple TV é um caso raro em que uma série consegue ser engraçada, assustadora e inteligente ao mesmo tempo, sem sacrificar nenhuma dessas qualidades em detrimento das outras. Matthew Rhys carrega toda essa balbúrdia nos ombros com tanta naturalidade que parece não estar interpretando um prefeito de televisão, mas uma pessoa real presa na própria racionalidade.

O lançamento semanal dos episódios é um tormento para os impacientes, mas é justamente isso que dá tempo para as teorias amadurecerem e se encherem de detalhes. Ainda faltam 6 episódios. O final é em 17 de junho. Que outras suposições sobre o enredo conseguiremos inventar até lá?!