007 First Light

Eu pré-encomendei este jogo assim que terminei de assistir ao teaser; não um teaser, mas um trailer de abertura completo - com silhuetas de pistolas e garotas, flashes de beijos e tiros, reflexos, fumaça e Lana Del Rey. Essa imagem em dourado sobre preto, as cordas cinematográficas tensas e as clássicas rajadas orquestrais de Bond me fizeram querer vestir um smoking imediatamente e sair para encantar alguém. Quem arranja e edita assim não é quem leu manuais sobre "atmosfera de cinema de espionagem clássico", mas quem respira essa atmosfera desde a infância, quem reviu as aberturas de Bond quadro a quadro não por trabalho, mas por amor. Três minutos não de jogabilidade e texturas, mas de puro vibe, para que ninguém tenha dúvidas. E não sobrou nenhuma.

A IO Interactive realmente entendeu no que estava se metendo, e, pensando bem, isso já estava claro mesmo sem Lana. Porque o Agente 47 sempre foi uma espécie de Bond ao contrário. O mesmo conceito básico: um homem de terno caro percorre os locais mais bonitos do mundo com intenções altamente duvidosas. A IO aperfeiçoou essa fórmula por vinte anos - stealth social, exploração de espaço, eliminação elegante de alvos - então a transição para 007 não é um salto no escuro, mas uma saída triunfal pela porta da frente. E eles ainda têm no currículo "Kane & Lynch" com seus tiroteios febris e sujos - e agora temos tanto o silêncio de espião quanto o caos da pólvora. Resta apenas untar a carne com manteiga, adicionar uma pitada de Splinter Cell, derramar um dedo de Uncharted - e eis um candidato confiante a jogo do ano.

Como funciona? Tudo começa com aquele stealth social: você estuda o local, procura abordagens, avalia quem escutar, quem limpar, por quem passar com a cara de confiança de alguém que deveria estar ali (o botão "blefar" é uma solução genial). Depois, o stealth comum "das sombras" com passagens furtivas e eliminações silenciosas. E se algo der errado (e sempre dá errado) - briga de punhos que se transforma em tiroteio. O combate corpo a corpo é feito no estilo dos "Arkham" do Batman: um pouco pesado, as reações às vezes travam. Mas o tiroteio é uma festa. Esvaziar o pente, atirar a pistola no rosto do inimigo, atordoá-lo, finalizá-lo em três passos no combate corpo a corpo, pegar a arma dele e continuar atirando sem perder o ritmo. Quando fiz essa sequência pela primeira vez - no piloto automático, como se sempre soubesse fazer - gritei como um animal.

Que nada, gritei o jogo inteiro. Alcançar um avião em uma escada rolante? Aqui. Continuar a confusão no mesmo avião, primeiro voando e depois caindo? Quero duas. Ligar techno em uma caverna de meditação em um resort vietnamita? Esse é o meu estilo. Oh-oh-oh, o que é isso? Vão me deixar dirigir um caminhão basculante? MEU DEUS, ELES REALMENTE ME DEIXAM DIRIGIR UM CAMINHÃO BASCULANTE! Gadgets - de espião. Enredo - Bond até o âmago. Vilões - astutos e carismáticos. Garotas - sarcásticas e perigosas.

Separadamente, preciso falar sobre o próprio Bond. Não é o Craig cansado da vida nem o Connery gelado - é um jovem convencido e atrevido que ainda não mereceu sua licença, mas age como se a merecesse. Ele provoca seus superiores, troca farpas com Q e Moneypenny, insulta os inimigos e parece igualmente arrasador tanto em um smoking clássico quanto em um traje de mergulho. Patrick Gibson interpreta exatamente a versão de Bond que queremos ver no início da jornada: ousada, charmosa e um pouquinho ingênua.

E é disso que se constrói todo o resto: um herói ousado exige um ritmo ousado, a insolência nos diálogos rima com a insolência na ação, e o charme do personagem se transfere para o charme do próprio jogo. Este é o primeiro jogo realmente excelente do Bond desde GoldenEye. Mais importante, é um Bond feito por pessoas que amam e entendem sobre o que é toda essa história. O codinome é justificado. O número é merecido. A sequência também. James Bond voltará.

#joguei_ps5