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«Aranha-Noir» tenta sentar em duas cadeiras — noir e super-herói —, mas cai entre elas. Porém, Nicolas Cage carrega todo o show sozinho. Leia nossa resenha em estilo de nota sensacionalista sobre Spider-Noir (2026)

IMPOSTORES DE HOLLYWOOD PROFANARAM A IMAGEM DO ARANHA!

Caros leitores! Cidadãos que ainda não perderam a capacidade de corar! Vosso humilde servo, que sobreviveu ao «Demolidor» com Ben Affleck, à greve dos roteiristas e aos super-heróis de Sarick Andreasyan, garante: nada mais é capaz de surpreendê-lo. No entanto, não mais que no dia 27 de maio, certos negociantes das margens do Oceano Pacífico lançaram ao público um espetáculo com o nome pomposo de «Aranha-Noir» — e vosso Roman Kovalev, após a exibição, ficou sentado no sofá de boca aberta, como um peixinho no balcão de uma peixaria local.

DETALHES ESCANDALOSOS: COMO VENDERAM GATO POR LEBRE AO PÚBLICO

Aranha-Noir 2026
Olhem só este frame da série «Aranha-Noir»: barateza e só!

Se acreditarmos no anúncio — e acreditar nele, como se viu, não se deve —, nos esperava uma história sobre um Aranha envelhecido e desgastado pela vida chamado Ben Reilly: detetive particular, veterano de guerra, herói aposentado que um dia a vida obrigou a vestir a máscara novamente. Nova York dos anos 30, Grande Depressão, fumaça de cigarro, gângsteres e mulheres fatais. Soa como o melhor romance de Dashiell Hammett, certo?

Certo — no papel. Na tela, porém, nos aguardava uma fera bem diferente.

Comecemos pelo fato de que os senhores realizadores, aparentemente, gastaram todo o orçamento pagando Nicolas Cage — e fizeram bem, pois é o único investimento sensato em todo o empreendimento. Os cenários de «Aranha-Noir» causam a forte suspeita de que a Nova York dos anos 30 foi construída diretamente em um galpão teatral nos arredores de Los Angeles, e de papel machê e outros materiais improvisados. As ruas parecem que os pintores não terminaram o trabalho a tempo para o dia de filmagem e simplesmente puxaram um pano mais escuro. O visual cinematográfico da série — escolha a versão colorida ou preto e branco, dá no mesmo — respira economia, como a umidade respira no porão de um prédio na Ilha Vasilyevsky.

Mas isso, senhores, são apenas flores.

Série Aranha-Noir
O Aranha aqui parece sob uma chuva de lágrimas dos espectadores que esperavam uma obra-prima

Os autores desta obra, ao que parece, não tinham ideia para quem estavam trabalhando. Os apreciadores do verdadeiro noir — aqueles que sabem a diferença entre Hammett e Chandler e guardam volumes surrados no peito — receberão aqui uma obra genérica simplória com piadas idiotas que seriam mais adequadas em uma matinê de domingo para crianças em idade pré-escolar (se é uma tentativa dos autores de ironizar, é ainda pior). Já os fãs de super-heróis, sedentos por teias, acrobacias e qualquer grandiosidade de quadrinhos, descobrirão: o Aranha usa a máscara tão raramente e com tanta relutância que se começa a suspeitar que o adereço era entregue mediante recibo e apenas em determinados horários. A ação é monótona como uma segunda-feira chuvosa em São Petersburgo, e igualmente inevitável.

A atuação dos atores coadjuvantes não melhora o quadro. Os senhores e senhoras que preenchem a tela além de Cage existem aproximadamente com o mesmo grau de credibilidade que os cenários, sobre os quais já tive a honra de me manifestar. O mafioso Silvermane interpretado por Brendan Gleeson é, talvez, a exceção: o velho Gleeson sabe ser assustador mesmo quando não tem o que interpretar. E aqui ele não tem o que interpretar. Os demais personagens cumpriram o contrato para passar rapidamente a outros projetos.

SENSAÇÃO! O ÚNICO JUSTO EM SODOMA — ELE SE CHAMA NICOLAS CAGE!

Resenha Aranha-Noir
Senhoras e senhores, Cage. Nicolas Cage

E aqui, estimados leitores, vosso Roman Kovalev é obrigado a depor a pena e tirar o chapéu por um instante.

Porque Nicolas Cage é um fenômeno diante do qual todas as objeções à direção, cenários e roteiro empalidecem. Este homem interpreta um detetive cansado como se tivesse vivido sua vida pessoalmente: com todas as suas dívidas, perdas e litros de uísque ruim. Cage carrega esta série nos ombros tão incansavelmente quanto um cavalo de carga carregava uma carroça com um piano pela Broadway na hora do rush em meados dos anos 30 — e com aproximadamente o mesmo grau de dignidade.

Dizem que ele descrevia seu personagem como uma mistura de Bogart, Cagney e Edward G. Robinson. Para vosso crítico, isso lembra a receita de um coquetel forte que aquece nesta monótona noite de junho varrida pelos ventos de São Petersburgo.

A SENTENÇA É ÓBVIA

Aranha-Noir 2026
A mulher que canta. Infelizmente, ela não atua

«Aranha-Noir» é uma série que queria ser tudo ao mesmo tempo: noir para adultos, quadrinhos para jovens, comédia para todos os outros — mas não foi nada para ninguém. A direção é pobre, o público é indefinido, o super-herói está ausente como fenômeno, o noir é diluído com piadas de nível de teatro infantil. Se não fosse por Nicolas Cage, que, ao que parece, foi o único neste set que sabia o que estava fazendo e por quê — teríamos um crime puro.

Vale a pena assistir? Se você é fã do ator — assista só por ele. Se não — gaste seu tempo com algo mais sensato. Por exemplo, lendo ou assistindo «O Falcão Maltês». Pelo menos os cenários não são feitos do que sobrou no estúdio.