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Keanu Reeves não em um filme de ação — soa intrigante. No Apple TV, estreou 'Consequências': Jonah Hill dirigiu uma sátira de Hollywood onde tudo está no lugar, exceto o principal: o humor.

Existe um reflexo: você vê Keanu Reeves na tela — espere por uma briga. 'John Wick' fez isso: quando o ator aparece, o espectador já se prepara mentalmente para contar os corpos caídos. Mas 'Consequências' (Outcome) é um filme que, desde os primeiros minutos, anuncia: não haverá brigas. Reeves aqui não mata, não se vinga por um cachorrinho amado e não recarrega pistolas em estudos de equilíbrio. Ele pede desculpas. Literalmente para todos: da mãe ao primeiro empresário. E este é, talvez, o papel mais inesperado de sua carreira.

Riff Hawk (Reeves) é uma superestrela de Hollywood que o mundo inteiro considera um modelo de bondade. Durante cinco anos de ausência das telas, ele, supostamente 'recarregando as baterias', na verdade lutava contra o vício em heroína. Agora que a sobriedade parece ter vencido, um chantagista aparece com material comprometedor. A advogada de crise Ira (o irreconhecível Jonah Hill) sugere uma solução simples: visitar todos a quem Riff já prejudicou e pedir desculpas — talvez o chantagista esteja entre eles. A lista é surpreendentemente longa.

Consequências Outcome
Cena do filme 'Consequências'

É preciso dar crédito: Reeves realmente tenta interpretar algo não exatamente desconhecido, mas incomum para os últimos anos de sua carreira. Seu Riff é um homem com olhar apagado, carregando o peso da decepção alheia. Em certos momentos, essa sinceridade cansada funciona — especialmente quando o ator simplesmente fica em silêncio e ouve mais uma pessoa ofendida. O problema é que o filme nos pede para acreditar que esse Riff suave e submisso 'pisou' nas pessoas como se fossem grama. E o rosto de Reeves categoricamente não nos deixa acreditar nisso.

Jonah Hill (aqui também roteirista e diretor) posicionou 'Consequências' como uma comédia negra sobre a cultura do cancelamento em Hollywood e o narcisismo das estrelas. No papel, isso soava promissor. Na tela, é consideravelmente mais modesto. O humor aparece raramente e com cautela, como se o diretor temesse prejudicar a seriedade do tema.

O resultado é um filme sombrio demais para ser comédia e desnecessário demais para ser drama. Os diálogos, disfarçados de piadas, servem principalmente como exposição — recontam o histórico fielmente, sem dar chance para rir de verdade ou se envolver. O próprio Hill, no papel do advogado Ira, parece tentar reproduzir a energia de Tom Cruise em 'Trovão Tropical' — mas em vão.

Cena do filme 'Consequências'
Cena do filme 'Consequências'

Outra questão é a solução visual. O diretor de fotografia Benoît Debie é conhecido por sua abordagem não convencional da luz (seus trabalhos em 'Irreversível' e 'Só Deus Perdoa' se tornaram quase clássicos), mas aqui seus experimentos mais confundem do que encantam. Algumas cenas são banhadas em um pseudo-pôr do sol ácido — como se alguém tivesse aumentado a saturação ao máximo sem explicar o porquê. Malibu no final parece chroma key evidente, o que, para um filme sobre a falsidade de Hollywood, soaria como um recurso sutil e espirituoso — se fosse explicitamente destacado. Mas não: parece apenas uma decisão de produção, revelando limitações orçamentárias.

Assistir Consequências
Cena do filme 'Consequências'

'Consequências' não irrita nem cativa: simplesmente existe. Cameron Diaz retorna de mais uma pausa com material mínimo para trabalhar (aliás, ela e Reeves se reencontram 30 anos após 'Sentindo Minnesota'), Martin Scorsese, em um papel modesto como o primeiro empresário de Hawk, parece o único que entendeu que filme estava sendo feito e atuou honestamente.

Reeves, com todas as ressalvas, continua sendo o objeto de observação mais interessante — simplesmente porque ver ele não lutando ainda é incomum. Se você é fã do ator e está disposto a um ritmo meditativo, uma sessão será suficiente. Rever, buscar um 'segundo sentido' — dificilmente terá vontade.