
Em 18 de dezembro, foram lançados os episódios finais da terceira temporada da série 'O Método', na qual Yuri Bykov retornou e Meglin ganhou uma equipe inteira de sociopatas. Contamos como ficou a nova temporada.
A terceira temporada do cultuado true crime sobre maníacos russos, 'O Método' (2025), retornou inesperadamente às nossas telas. Dez anos após a inovadora primeira temporada e cinco anos após a segunda, Rodion Meglin (Konstantin Khabensky) reúne uma equipe de maníacos 'corrigidos' em São Petersburgo. A mudança de localização, da intimidade moscovita para a grandiosidade petersburguesa, altera não apenas o visual, mas a essência: de um duelo psicológico de um homem contra a escuridão para um 'tratamento' coletivo do mal. A temporada equilibra ação dinâmica com reflexões sobre a natureza do monstro, mas nem tudo dá certo.
Enredo e mudança de local: do inferno moscovita ao caos petersburguês
A ação se passa em São Petersburgo — 'Raschelningrado', como é chamada na série (e não só nela). Meglin, agora um mentor com discursos pomposos e moralizantes, lidera um esquadrão: a Fera (Nikita Kologrivy), o Stalker (Egor Kenzhametov), a Koda (Lev Zulkarnaev) e a novata Lera, apelidada de Borboleta (Anna Savranskaya). Cada episódio é um caso com um maníaco (uma assassina corredora, um hacker suicidólogo, um canibal ritual). Além disso, há um arco geral ligado ao passado de Meglin e Esenia (Paulina Andreeva). Afinal, era preciso responder ao espectador como, após o final da segunda temporada, uma terceira pôde acontecer.

Na primeira temporada, Moscou era um labirinto de porões abafados e subúrbios cinzentos — uma metáfora do inferno interior de Meglin. São Petersburgo, por outro lado, oferece espaço: o quartel-general na mansão do Barão Stieglitz, no Aterro Inglês, cenas em Vyborg, cemitérios e ao fundo da Ponte do Palácio levantada. Isso renova o visual (tons carmesim-alaranjados em vez da melancolia pálida moscovita), mas perde a intimidade: a cidade parece mais um cenário de papelão para a trama.
Da solidão à família disfuncional
Rodion Meglin é a maior perda da temporada. Na primeira temporada, Khabensky criou um gênio messiânico: um empata solitário, cuja intuição sobrenatural beirava a loucura. Ele era um espelho dos maníacos, lutava contra sua própria escuridão em diálogos-duelos. Aqui, Meglin é um guru distante (apenas 15 minutos de tela nos primeiros episódios), proferindo monólogos sobre 'tratar monstros'. Isso decepciona: os fãs esperavam profundidade, mas receberam uma caricatura de Amanda Waller do 'Esquadrão Suicida'. Mesmo a segunda parte da série não salvou a situação, embora houvesse esperanças.
A Fera, interpretada por Nikita Kologrivy, pode ser considerada, de certa forma, a estrela da temporada. Percebe-se que os criadores apostaram todas as fichas nele, até incluindo referências ao cultuado 'Clube da Luta' (embora o visual não seja nada 'petersburguês'). Ex-estuprador, agora cão fiel de Meglin, com carisma e fera ferocidade. Seu domínio ofusca o resto da equipe, ele tenta adicionar humor e ação, mas às vezes também causa vergonha alheia. Afinal, na primeira temporada, os maníacos eram figuras trágicas; aqui, são ferramentas para brigas.

Lera, interpretada por Anna Savranskaya, é uma novata com traumas psicológicos e agressão incontrolável. Seu arco de redenção ecoa a figura de Esenia da primeira temporada. A personagem reflete o tema 'o monstro está dentro de cada um', mas há uma sensação de secundaridade. Aliás, as tentativas de esconder a própria personagem Esenia devido à ausência de Andreeva no elenco parecem bastante zombeteiras em relação ao espectador.

Os outros — Stalker (um hacker com tendências sádicas), Koda (um maníaco por shibari) e outros membros da equipe — são secundários: seu 'tratamento' através do serviço a Meglin parodia um team building corporativo, mas sem a agudeza filosófica dos confrontos com os maníacos da primeira temporada. Os personagens pareciam ter sido concebidos como marcantes, para os quais se desejaria dar mais tempo de tela, mas os criadores não permitiram que isso acontecesse, preferindo inserir mais uma linha amorosa ou uma cena de cama com a Fera.
Redenção contra a inevitabilidade do mal
A primeira temporada é um thriller filosófico sobre a natureza do mal: Meglin provava que o monstro nasce da escolha, não do destino, através da empatia e manipulação. Os temas da solidão, do relativismo moral e de 'quem engana quem' fizeram dela um marco para a televisão russa na época.
A terceira temporada aprofunda o tema da redenção: os maníacos se 'curam' servindo, Meglin é um novo Noé, salvando os animais do dilúvio. São Petersburgo simboliza a decadência cultural (assassinatos em série como metáfora da 'capital do norte em crise'), e a equipe representa a esperança de controlar o caos. Mas os significados se perdem na ação: os antagonistas são caricaturas (psicopatas teatrais sem qualquer história de fundo, pelos quais não se sente empatia), e o enredo horizontal sobre o passado de Lera se desenvolve mais lentamente do que a construção do metrô de São Petersburgo.

A mudança de local intensifica o contraste: a claustrofobia moscovita da primeira temporada refletia o conflito interno, a grandiosidade petersburguesa é coletiva, mas externa. Os novos episódios levantam a questão: é possível 'reeducar' o mal? A resposta é ambígua, como no original, mas sem a mesma profundidade psicológica, e as notas tão positivas no último sermão de Meglin no final deixam uma sensação de engano. Afinal, amávamos 'O Método' por transmitir a ideia de que é difícil, mas possível, sair dos lados mais sombrios da essência humana. E no final desta temporada, simplesmente nos dizem: 'Amem-se uns aos outros e tudo ficará bem'.
Conclusão
A terceira temporada de 'O Método' é um thriller empolgante para fãs de ação e de algumas personalidades do elenco, mas não atinge as agudezas filosóficas da primeira temporada. Se fosse um projeto separado, poderia até ser apreciado, mas a ligação com a franquia amada estraga toda a impressão. Era exatamente assim que eu esperava que fosse a série 'Dentro do Assassino' no ano passado, cuja trilha sonora, aliás, também toca na série em questão.
Assistam se sentirem saudades de Khabensky, mas não esperem a obra-prima de 2015. Naquela época, algo assim nos chocava; agora, talvez já estejamos acostumados. E vale a pena encontrar um novo método para olhar dentro da alma humana.
Yorumlar
0Henüz yorum yok.