
Em 4 de dezembro, finalmente chegou aos cinemas russos «Chainsaw Man» com o subtítulo «A História de Reze». O longa-metragem é uma continuação direta da primeira temporada do anime e revela o arco do demônio-bomba. Contamos como a MAPPA mudou a abord...
Na última missão, Power bebeu sangue demais, ganhando um segundo par de chifres. Para corrigir a situação, Makima leva a demônia e dá a Denji um novo parceiro. Ao mesmo tempo, o garoto ainda é apaixonado pela chefe, então aceita imediatamente o convite para um encontro, após o qual decide: depois de derrotar o demônio da arma de fogo, ele pedirá Makima em namoro.
Eufórico após o encontro, Denji é pego pela chuva e decide se abrigar em uma cabine telefônica, onde conhece a encantadora desconhecida Reze. Os adolescentes começam a conversar e passar muito tempo juntos. É então que seus sentimentos por Makima começam a rachar, e o foco muda. No entanto, isso acontece até o momento em que se descobre que, em vez de uma garota doce, quem ensinou Denji a nadar foi uma impiedosa demônio-bomba diretamente da URSS.

A primeira temporada foi uma novidade em todos os sentidos. Mas aqui quero falar não sobre o papel de Denji como um novo arquétipo de protagonista shonen, mas sobre a parte visual e a apresentação da trama. Os planos «cinematográficos», ângulos e jogo de luz destacavam «Chainsaw Man» entre seus pares de anime. Basta ver a abertura, onde quase cada fragmento é uma referência a filmes clássicos de Hollywood. Naquela época, a MAPPA aparentemente encontrou uma forma bem-sucedida de misturar 3D com 2D, fazendo com que a animação não incomodasse os olhos, fosse suave e, de certa forma, fresca. Grosso modo, «Chainsaw Man» passou a aspirar ao realismo visual e, aparentemente, ao «Oscar», dadas as referências e o tom cinematográfico.
Em 27 de dezembro de 2022, terminou a primeira temporada do anime «Chainsaw Man». A adaptação do mangá de mesmo nome era aguardada com ansiedade em todo o mundo, inclusive na Rússia. Contamos como foi
Open materialA série, apesar do cinismo dos personagens, vulgaridade e humor, permanecia séria. Sabia fazer uma pausa no momento certo, descansar das batalhas dinâmicas e tirar o foco da comédia, transferindo-o para o drama, e os planos hollywoodianos nesses momentos apenas adicionavam um ponto a favor do «por que Chainsaw Man é um título inovador». Por exemplo, quando após uma luta violenta vem uma cena de auto-sacrifício de Himeno, ou o episódio em que Aki desce ao porão para fazer um contrato com um novo demônio. Todos esses momentos mostravam que o título não era apenas uma comédia onde o protagonista só sonha com seios femininos, mas uma obra completa que pode se orgulhar de drama.
O mangá mantinha o mesmo nível, então os fragmentos importantes eram captados e atingiam o alvo. O mesmo não se pode dizer de «A História de Reze». Devido à recepção fria de «Chainsaw Man» em seu país natal, a MAPPA decidiu mudar a abordagem para dar ao anime uma chance de ter uma segunda temporada. A animação mudou visivelmente, às vezes parecia que o filme «caía», como se os FPS caíssem em um videogame. As paisagens e pessoas se tornaram mais cartunescas, e não se falava mais em algo próximo ao realismo como na primeira temporada. O início do título mimou demais com animação interessante.

O projeto perdeu parte de sua singularidade visual. Com ela, foi-se uma grande parcela dos ângulos e planos cinematográficos. O filme se tornou mais parecido com um representante típico do gênero. E por mais triste que seja, é compreensível por que foi feito assim. Os projetos japoneses focam em fanservice e vendas. Após a primeira temporada, «Chainsaw Man» não se tornou um sucesso, e não conseguiu encher os bolsos como desejado, então a MAPPA teve que amortecer parcialmente a liberdade e individualidade para agradar o público, atingir os fãs e dar à série uma chance de continuação. E, aparentemente, há progressos, pois o filme conseguiu agradar no Japão.
O arco de Reze é considerado um dos favoritos entre os fãs do mangá. Ele revela a história da garota que, contra sua vontade, se tornou parte de um experimento soviético para criar semi-demônios. Em meio ao desejo de obter o coração de Denji (em todos os sentidos) e seu drama pessoal, Reze encontra a Motosserra. Seu relacionamento não se parece com o que acontece entre o garoto e Makima. Aqui, o herói não precisa correr atrás da garota como um cachorrinho — Reze é igual a ele. Ambos são reféns das circunstâncias e, portanto, podem se entender tão bem.
Mas por mais profundo que seja o arco, na forma de um longa-metragem ele se estraga. O anime parece não se permitir parar e fazer mais ênfases necessárias, pelo menos visuais. Sim, metade da duração são diálogos simples, passeios e conversas. Mas durante esse tempo, não se consegue se envolver com o relacionamento dos personagens, enquanto no mangá, aliás, tudo está em seu devido lugar.

Tudo acontece na tela rápido demais, e entender a angústia de Denji só é possível no final, pois no início parece que ele é atraído por Reze apenas por causa da puberdade. Provavelmente, a percepção dessa história poderia ser diferente se o filme voltasse ao estilo narrativo da primeira temporada: misturar dinamismo com pausas adequadas. Mas, infelizmente, é preciso trabalhar para o fanservice.
Um momento verdadeiramente dramático, além do final e da cena pós-créditos, pode ser chamado de fragmento em que Aki segura a mão do demônio anjo para salvá-lo. O personagem, apesar de ter apenas dois anos de vida, está disposto a sacrificar mais alguns meses para ajudar seus companheiros. A questão é que cada toque do anjo, dependendo da duração, tira uma certa quantidade de vida. É interessante como os autores brincam com o espectador nesses momentos. Já na primeira temporada, o demônio do futuro disse que Aki morreria da morte mais terrível. E agora cada cena em que o herói brinca com a vida é percebida como um desafio. A propósito, este não é o primeiro nem o último episódio desse tipo. O mangá ainda fará os fãs sofrerem e depois se vingará completamente dos sentimentos dos fãs. Conclusão: leiam o mangá.

Apesar dos momentos duvidosos, «Chainsaw Man – A História de Reze» é um projeto digno, mesmo considerando que pode ser percebido como um arco filler. Falar sobre inovação e desafio já é muito mais difícil, pois a abordagem do anime mudou fortemente de direção e se afastou dos cânones da primeira temporada. Queremos acreditar que «Chainsaw Man» terá uma continuação em série. E quão «animesca», «cinematográfica» ou original ela será, para ser honesto, não importa. A história merece ser conhecida pelo público em massa, não apenas pelos fãs do mangá.
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