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Os filmes biográficos contam frequentemente histórias de sucesso — na carreira, no desporto, em situações da vida. Mas a vida não é só feita de conquistas; há também espaço para outros eventos. Compilámos uma seleção precisamente desses filmes, hones...

«A Máquina de Esmagar» com Dwayne Johnson, que recentemente apareceu online, lembrou que as verdadeiras histórias biográficas raramente se encaixam no modelo «do nada ao topo». A história de Mark Kerr é menos uma saga pomposa sobre triunfo desportivo e mais um relato franco sobre dependência, demónios internos e a fragilidade do ser humano por trás da máscara de «máquina invencível». Benny Safdie (a filmar pela primeira vez sem o irmão) mostrou não um campeão triunfante do UFC, mas uma pessoa viva que luta consigo mesma muito mais ferozmente do que com qualquer adversário no ringue ou no octógono. São esses biopics, honestos e não romantizados, que mais frequentemente ficam na memória em comparação com filmes padronizados. Reunimos filmes que não tentam vender ao espectador um belo conto de fadas sobre sucesso, mas focam-se em episódios específicos, momentos de fraqueza e humanidade de heróis reais.

«Ed Wood» (1994)

Ed Wood

em 1994 realizou um biopic terno sobre o maior perdedor da história do cinema. Johnny Depp interpreta Edward Wood Jr., um realizador cujo nome se tornou sinónimo de cinema trash. Em vez de zombar do seu herói, Burton fez um filme que é uma declaração de amor à paixão e à devoção abnegada a uma causa que só faz rir os outros.

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Roman Kovalev
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O filme abrange apenas seis anos da vida de Wood — desde a estreia de «Glen ou Glenda» até ao lendário «Plano 9 do Espaço Sideral». Não há história de ascensão ao Olimpo, apenas tentativas intermináveis de conseguir um orçamento miserável para mais uma obra duvidosa.

O filme foi um fracasso de bilheteira e nem sequer recuperou o modesto orçamento de 18 milhões de dólares, mas hoje é, provavelmente, o trabalho mais pessoal de Burton.

«127 Horas» (2010)

«127 Horas» (2010)

Danny Boyle transformou o pesadelo de um homem num thriller minimalista sobre força de vontade. A história do alpinista Aron Ralston, que passou 127 horas preso num desfiladeiro com o braço preso por uma rocha, é uma viagem claustrofóbica ao limite das capacidades humanas. O filme foca-se num único episódio curto que virou a vida do herói do avesso.

Boyle e James Franco não tentam heroificar Ralston — antes mostram como a irresponsabilidade e a autoconfiança podem transformar-se em perigo mortal. O espectador recebe 93 minutos de pressão psicológica, onde o principal conflito se desenrola dentro da cabeça do homem.

O realizador passou mais de quatro anos a lutar pelos direitos de adaptação desta história, e o resultado foi comovente — um filme sobre como a sobrevivência exige sacrifícios, e esses sacrifícios podem ser monstruosos.

«Capote» (2005)

«Capote» (2005)

Sobre Truman Capote poderia facilmente ter sido feito um filme tradicional de triunfo de um grande escritor. No entanto, Bennett Miller criou antes o retrato de um homem que vendeu a alma por uma obra-prima literária. O filme abrange apenas quatro anos — desde o momento em que Capote leu no jornal sobre o brutal assassinato de uma família no Kansas até à publicação de «A Sangue Frio».

Philip Seymour Hoffman, que ganhou o Óscar por este papel, mostra o escritor como um manipulador que usa o assassino condenado à morte Perry Smith para o seu livro. Capote até espera secretamente pela execução do criminoso para finalmente terminar o romance e obter reconhecimento, embora exteriormente desempenhe o papel de seu único amigo.

Este é um biopic sobre a perigosa proximidade entre o artista e o seu material, sobre como a obsessão criativa transforma uma pessoa num monstro. Miller não tenta justificar ou condenar Capote — ele simplesmente mostra o preço que às vezes se paga pela criação de uma grande obra.

«Não Estou Lá» (2007)

«Não Estou Lá» (2007)

Todd Haynes decidiu que um ator não era suficiente para conter a personalidade de Bob Dylan nos limites de um biopic tradicional e fez um filme onde o músico é interpretado por seis pessoas diferentes, incluindo Cate Blanchett. O realizador recusou a narrativa linear e focou-se em facetas individuais do caráter de Dylan, transformando a biografia num caleidoscópio de imagens e metáforas.

Não há aqui tentativa de traçar o caminho da infância ao triunfo — apenas fragmentos que se juntam para formar o retrato de uma personalidade multifacetada. Haynes aborda a biografia como um puzzle, onde o que importa não são os factos, mas a sensação da complexidade e contraditoriedade de uma pessoa real.

O filme abrange o período de formação de Dylan, mas fá-lo de forma tão pouco convencional que o espectador recebe uma reflexão poética completa sobre a natureza do talento.

«Loira» (2022)

«Loira» (2022)

Andrew Dominik criou um filme sobre Marilyn Monroe que gerou uma onda de indignação precisamente por ter recusado a precisão biográfica em favor da verdade psicológica.

O realizador pega em marcadores reais da vida da atriz — os casamentos com Joe DiMaggio e Arthur Miller, a ascensão na carreira, o aborto espontâneo — mas transforma-os num fluxo alucinatório de imagens. Isto é mais a história da menina Norma Jean, que não suportou as suas próprias ambições e o peso da imagem que criou, do que uma crónica do sucesso de uma atriz lendária.

Dominik deliberadamente esbate a fronteira entre documento e ficção, focando-se no drama interno em vez de eventos externos. O filme mostra a lenta destruição da personalidade sob a pressão da fama, diferenciando-se radicalmente da maioria dos filmes biográficos.

«A Rede Social» (2010)

«A Rede Social» (2010)

David Fincher criou um biopic que Quentin Tarantino chamou de melhor filme da década passada, mas não é uma história de triunfo de um magnata dos media. O filme mostra apenas um ano da vida de Mark Zuckerberg — o período de 2003 a 2004, quando o estudante de Harvard criou o Facebook após terminar com a namorada.

Fincher faz uma jogada genial: os altos e baixos do Facebook são apenas pano de fundo para uma história shakespeariana sobre a dissolução da amizade, traição e solidão. Jesse Eisenberg interpreta um prodígio irritadiço que destrói todas as relações à sua volta em prol do sucesso. No centro do filme está um paradoxo: um site criado para unir pessoas é construído sobre traição, e um homem com milhões de seguidores atualiza constantemente a página da sua ex-namorada.

O argumentista Aaron Sorkin (cuja influência aqui é talvez ainda maior que a de Fincher) não escreveu um conto de fadas inspirador sobre empreendedorismo, mas sim uma parábola dura sobre o preço a pagar por um lugar no topo.

«Obra Sem Autor» (2018)

«Obra Sem Autor» (2018)

Florian Henckel von Donnersmarck fez um filme sobre o artista Gerhard Richter sem sequer mencionar o seu nome. O realizador focou-se na fase inicial da sua obra, na atmosfera da Escola de Artes de Düsseldorf, onde jovens artistas procuram o seu estilo e tentam inventar algo novo.

O filme mostra a rotina da busca criativa, períodos de dúvida e os primeiros trabalhos inseguros — tudo o que normalmente fica de fora nos biopics tradicionais.

Von Donnersmarck não procura canonizar Richter; em vez disso, mostra o processo de formação do artista como uma série de tentativas e erros. O espectador vê um estudante confuso que ainda não sabe quem se tornará.

«Mrs. Lowry & Son» (2019)

«Mrs. Lowry & Son» (2019)

O filme sobre o pintor britânico Laurence Stephen Lowry foca-se na sua relação com a mãe idosa, e não nas suas realizações criativas. O filme mostra um homem que simplesmente não tinha tempo para a sua própria vida: de dia cobrava rendas para uma imobiliária, à noite cuidava da mãe, e de madrugada pintava quadros.

Lowry nunca casou, não constituiu família — toda a sua vida foi subordinada aos cuidados de um progenitor doente e à criação noturna. Portanto, isto não é tanto um biopic, mas uma história sobre os sacrifícios e compromissos que um artista faz para poder criar.

O realizador evita deliberadamente o pathos, mostrando a rotina quotidiana de um homem cuja vida estava longe da imagem romântica do artista livre.

«Mr. Turner» (2014)

«Mr. Turner» (2014)

Mike Leigh fez o retrato do excêntrico pintor britânico William Turner, que não se encaixava na pintura académica do seu tempo. O filme foca-se nos últimos anos de vida do mestre, quando a academia ridicularizava as suas obras e as raras vendas mal lhe permitiam sobreviver.

Leigh mostra Turner como uma figura complexa e contraditória — um artista talentoso com uma visão impressionante do mundo, que no entanto permanecia socialmente desajustado e enraizado nos seus hábitos.

Não há aqui uma história de reconhecimento do génio — apenas a luta quotidiana de um homem que vê o mundo de forma diferente dos outros e paga por isso com a solidão.

«O Ladrão do Telhado» (2025)

«O Ladrão do Telhado» (2025)

Derek Cianfrance realizou uma tragicomédia sobre o fugitivo mais absurdo da história do crime americano. Channing Tatum interpreta Jeffrey Manchester, um ex-ranger do exército dos EUA que roubou mais de 60 restaurantes McDonald's, entrando por buracos nos telhados. Condenado a 45 anos de prisão, ele foge e vive secretamente durante seis meses numa loja de brinquedos Toys "R" Us, saindo para passear apenas à noite.

O filme nunca romantiza o criminoso nem as suas bem-sucedidas tentativas de fuga da prisão — antes mostra um homem infantil que tenta compensar uma paternidade falhada com presentes e dinheiro roubado. Cianfrance focou-se num episódio específico de 2004, quando Manchester montou a sua casa num supermercado e iniciou um romance com a vendedora Lee, sem lhe contar sobre o seu passado criminoso.

É uma história sobre a tentativa de construir uma vida normal em circunstâncias anormais — uma tentativa condenada desde o início. O filme quase não recorre à ficção artística, porque a própria história real de Manchester é impressionante pela sua absurdidade.

Todos estes filmes têm uma coisa em comum: recusam-se a mitificar os seus heróis. Em vez de arcos triunfais e discursos inspiradores, o espectador recebe fragmentos de vidas reais — com todos os seus fracassos, fraquezas e momentos de dúvida. «A Máquina de Esmagar», com o seu relato franco sobre a dependência de drogas do campeão do UFC, encaixa-se perfeitamente nesta tradição. Estes biopics não dão respostas fáceis nem oferecem fórmulas prontas de sucesso, mas mostram pessoas reais por trás das máscaras públicas.