De apocalipses zumbis a thrillers psicológicos, de slashers com assassinos mascarados a parábolas góticas atmosféricas — o gênero de filmes de terror se transformou em um monstro multifacetado, capaz de assustar até o espectador mais experiente.

A redação do «Depois dos Créditos» decidiu guiá-lo pelas principais ramificações do terror, para que cada um encontre sua maneira ideal de se assustar neste Halloween. Porque uma coisa é gritar com sustos em «Premonição», e outra bem diferente é mergulhar lentamente na atmosfera pegajosa do folk horror.

Found Footage — «Atividade Paranormal: Casa Assombrada»

«Atividade Paranormal: Casa Assombrada»

«Found Footage» é um gênero pseudodocumental de terror onde a história é apresentada como material de vídeo descoberto acidentalmente, filmado pelos próprios personagens. As principais características do gênero são a «filmagem amadora» com a ilusão de realidade; montagem rara de cenas e um horror muitas vezes oculto, cujos contornos o espectador precisa imaginar.

Apesar de o gênero em si já ter sido desgastado (já se passaram muitos anos desde «A Bruxa de Blair»), ainda é possível encontrar verdadeiras joias entre seus representantes. Como «Atividade Paranormal: Casa Assombrada». Por trás de uma localização sem graça (na verdade, o filme tem um título mais expressivo, «Deadly Stream») esconde-se uma comédia de terror animada, engraçada e por vezes bastante assustadora sobre um videoblogueiro fracassado que vai a uma casa abandonada com fantasmas na esperança de reconquistar a confiança dos inscritos após um grande escândalo. De onde o filme tira inspiração não é difícil adivinhar, mas acrescente a isso efeitos práticos dignos do próprio Sam Raimi, um humor venenoso à altura dos irmãos Zucker, e uma ótima noite com os amigos está garantida.

«Atividade Paranormal: Casa Assombrada» é um representante exemplar do gênero, sem se desviar um passo da ideia central. Mas os criadores do filme conseguiram encontrar em sua fórmula, aparentemente esgotada, recursos artísticos frescos e não explorados.

Terror de Ficção Científica — «Além da Escuridão» (Event Horizon)

Além da Escuridão

O subgênero do terror de ficção científica, como se pode imaginar, combina horror e ficção científica. Ele dissecar o medo do desconhecido, muitas vezes surgindo devido a avanços científicos, desenvolvimento tecnológico ou contato com forças extraterrestres. E o monstro aqui pode ser não apenas zumbis, vírus ou alienígenas, mas também os próprios humanos, com sua curiosidade infinita. No final, somos assustados com a ideia de que o progresso pode se transformar em um pesadelo, e que, por exemplo, o espaço distante pode ser nosso túmulo, e não nossa salvação.

«Além da Escuridão» é um exemplo de uma das direções mais populares do terror sci-fi (cosmic horror) e, ao mesmo tempo, um dos primeiros trabalhos de Paul W. S. Anderson antes da longa era de «Resident Evil». O filme é interessante por várias razões. Primeiro, é uma prova real de que Anderson sabe fazer um bom sci-fi. Resta apenas um mistério por que ele esqueceu como fazer isso. Segundo, no filme, o espaço se transforma de um símbolo de progresso e possibilidades ilimitadas da ciência em um lugar de pesadelo e loucura. Isso é especialmente importante considerando que o filme foi lançado em 1997, quando a ciência ainda era a principal salvação para muitos. Terceiro, o filme também dá espaço para algo sobrenatural: ele colide com a ciência, e o filme se torna, de certa forma, também uma conversa sobre fé e demônios internos.

Tudo isso é embelezado pela atmosfera claustrofóbica da nave espacial, efeitos especiais decentes para a época e um formato de «jogo de sobrevivência», onde Sam Neill corre não atrás de dinossauros, mas de algo alienígena, e Laurence Fishburne escolhe a pílula vermelha.

Giallo — «O Que Fizeram com Solange?»

«O Que Fizeram com Solange?»

O giallo (do italiano — «amarelo», em homenagem às capas coloridas dos romances policiais), junto com outros representantes do cinema de gênero italiano, é um fenômeno superficial. Os desertos afiados dos spaghetti westerns não pertencem à sua linhagem, assim como o eurospy — as imitações de espionagem exploitation dos europeus do sul. E o giallo não é exatamente um slasher americano, nem um companheiro do krimi alemão, mas isso não impede o gênero de se expressar através de uma série de características marcantes.

«O Que Fizeram com Solange?», dirigido pelo erotômano Massimo Dallamano, já de cara exibe as marcas amarelas, sem enganar as expectativas do espectador. A história do desaparecimento de estudantes e as hesitações de um professor amoroso nas teias de suspeitas alheias ecoam pelas paredes do colégio, que serve de refúgio para jovens garotas e representantes da intelectualidade — os principais protagonistas de praticamente qualquer filme do gênero giallo.

O arsenal técnico do filme também permite que ele pareça característico, vistoso, de acordo com a época e o país de produção. A abundância de planos subjetivos, nudez padronizada dentro do quadro e música irritante não é acidental, mas uma submissão consistente ao mundo de convenções cruéis, que quase conseguiu alcançar o espectador moderno. Em 2016, Nicolas Winding Refn planejou dirigir um remake do filme de Dallamano, mas o reboot nunca teve a chance merecida.

Terror Gótico — «Crimson Peak»

Crimson Peak

O terror gótico é um gênero onde o medo não nasce de sustos repentinos de um monstro saindo do armário, mas de uma atmosfera opressiva, onde cada assobio do vento, cada rangido do assoalho e cada sussurro parecem presságios de algo terrível. São histórias sobre mansões antigas com segredos enterrados mais fundo que suas fundações, sobre maldições familiares que passam de geração em geração, e sobre a fronteira entre vivos e mortos, que se revela mais tênue do que parece.

O filme «Crimson Peak», do diretor Guillermo del Toro, é um exemplo perfeito de terror gótico, onde a fusão de estilo visual, enredo e símbolos profundos cria uma atmosfera única. A ação se passa em uma mansão vitoriana sombria no topo de uma colina, cercada por lendas e impregnada de argila vermelha-sangue, que parece carregar ameaça e horror. A história é repleta de motivos góticos clássicos — fantasmas, segredos sinistros, a luta entre vida e morte, amor e traição. A protagonista, Edith Cushing, enfrenta visões misteriosas e perigos nesta casa. O filme mantém a tensão e revela segredos familiares sombrios, o que está de acordo com as tradições do romance gótico.

A protagonista enfrenta sombras do passado e maldições ancestrais que se revelam através do amor, traição e violência — esses são os temas que tradicionalmente fundamentam o romance gótico e o terror. Ao mesmo tempo, o diretor oferece não apenas uma história assustadora, mas também uma análise psicológica profunda, onde o amor se apresenta como uma força perturbadora e destrutiva, capaz de despertar medos e paixões ocultos. O estilo visual do filme impressiona pelos detalhes — desde interiores luxuosamente decorados até figurinos cuidadosamente escolhidos, que intensificam a imersão na época e lembram que o gótico vive em cada detalhe. Os símbolos desempenham um papel importante — sangue, argila vermelha, a decadência da casa servem como alegorias do medo, da morte e das emoções reprimidas.

Terror de Monstro — «O Enigma do Outro Mundo» (The Thing)

O Enigma do Outro Mundo

O terror monstruoso é um dos subgêneros mais simples, mas ao mesmo tempo mais assustadores dos filmes de terror. Filmes dessa linha geralmente não pretendem ter profundidade filosófica e dependem das maneiras mais fáceis de assustar o espectador. Devido ao fato de que nos últimos anos todos testemunhamos o fenômeno do pós-terror, com sua dramaturgia complexa, psicologismo sutil e excesso de metáforas, tramas triviais sobre o confronto entre o homem e alguma criatura repugnante são agora percebidas como entretenimento de baixo nível. Embora hoje esse subgênero esteja firmemente estabelecido na categoria B, nem sempre foi sinônimo de trash de segunda linha, e um exemplo brilhante disso é «O Enigma do Outro Mundo», de John Carpenter.

O filme conta a história de exploradores polares americanos que decidem abrigar um cachorro, ignorando os claros avisos de seus colegas noruegueses para não fazerem isso. Logo se descobre que eles não acolheram um inofensivo malamute do Alasca, mas um alienígena metamorfo extremamente agressivo, após o que o caos e uma atmosfera de desconfiança se instalam na estação. Como o antagonista pode assumir a forma de qualquer ser vivo, o filme rapidamente se transforma em um inteligente thriller psicológico. Mas a principal razão pela qual amamos o clássico de Carpenter são, claro, as cenas inesquecíveis com body horror de primeira, onde o visitante alienígena transforma os corpos dos cientistas em uma massa sangrenta.

No entanto, o agora cultuado filme de terror foi um fracasso retumbante nas bilheterias e recebeu críticas mistas da imprensa. É engraçado que em 1982 o filme foi criticado justamente pelo que hoje o exaltamos — pelos efeitos práticos hiper-realistas, pelo enredo complexo, pela escuridão e pelo final aberto, que, pensando bem, é absolutamente autêntico e lógico para uma história sobre um monstro com as habilidades descritas. Na época, até o lendário Ennio Morricone recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro. 33 anos depois, a injustiça foi corrigida quando ele ganhou o Oscar e o Globo de Ouro pela trilha sonora de «Os Oito Odiados», de Quentin Tarantino, criada com base justamente na música não utilizada de «O Enigma do Outro Mundo».

Terror Religioso — «O Sentinela» (The Sentinel)

O Sentinela

Na tradição ocidental, o terror religioso geralmente se refere ao terror cristão. Ou até mesmo ao católico. Provavelmente, tudo se explica pelo fato de o latim ser uma língua muito cinematográfica, embora as razões, é claro, costumem ser mais profundas: a distância que no catolicismo separa o crente do objeto de sua fé é preenchida por todo um espectro de diferentes manifestações do sagrado.

No cinema, raramente encontramos anjos («Constantine», por exemplo), mais frequentemente demônios, e ainda mais frequentemente seu líder. Deus, no entanto, geralmente fica fora de quadro, e a intriga central é se Ele está interessado no que está acontecendo e o que pensa sobre isso. A última questão para quase todos os heróis do gênero é formulada como «por que eu?». Como o terror religioso é extremamente conservador, é melhor não saber a resposta para a segunda pergunta: a qualidade da maioria dos filmes do gênero é tal que só Deus os perdoa. No entanto, seus melhores exemplos pertencem à parte mais respeitada do cânone do terror. São filmes de terror raros que podem ser clássicos, e não apenas cult. «O Sentinela», do diretor Michael Winner, poderia aspirar a ambos os status se fosse um pouco mais popular.

Uma triste modelo (Cristina Raines) se muda para o prédio dos seus sonhos — construção histórica, vizinhos aparentemente decentes, localização conveniente. Como de costume em filmes sobre vizinhos, a casa acaba sendo o inferno. O componente religioso do filme é que este inferno é bastante literal. Ao contrário dos filmes «inteligentes» sobre o mesmo tema, «O Sentinela» não cativa pela intriga sobre a vontade divina, mas pelo fisicalismo do que acontece — travessuras horripilantes dos vizinhos, uma festa de aniversário extravagante para o gato, um namorado advogado assustador, uma casa bonita, gritos insuportáveis, demônios do inferno. Tudo é tão excessivo que, ao assistir, você entende — esse absurdo só acontece na vida real.

Terror Cômico — «Olhos Apaixonados» (Heart Eyes)

Olhos Apaixonados

Terror e comédia vivem juntos há muito tempo. À primeira vista, eles evocam emoções completamente diferentes no espectador, o que eles têm em comum? Muita coisa. O terror funciona pelas mesmas regras que a comédia. Há uma configuração, há uma punchline. Quando um comediante prepara uma piada, ele também aumenta a atmosfera para que a piada funcione — e como isso é diferente da preparação para um susto repentino na tela? Além disso, muitos bons diretores de filmes de terror vêm justamente da comédia. Jordan Peele, John Krasinski — até o notório Kevin Smith, quando se esforça.

Como exemplo concreto (e uma dica para assistir à noite), apresentamos o excelente ator cômico Josh Ruben. Em 2025, ele de repente lançou um terror de paródia e comédia (sem exageros) muito bom, «Olhos Apaixonados», que ao mesmo tempo zomba dos tropos estabelecidos do gênero e é um filme totalmente independente. Além disso, todas as suas homenagens são muito bem percebidas, ninguém ousaria chamá-las de plágio.

Por um lado, temos um slasher muito clássico; por outro, é interessante observar o desenvolvimento do relacionamento dos protagonistas, o mistério da identidade do assassino cativa, e as piadas inseridas no momento certo ajudam a aliviar a atmosfera sem sacrificar os momentos assustadores. Se você ainda não viu, definitivamente vale a pena conferir.

Slasher — «Halloween»

Post image

O subgênero de filmes de terror em que o principal vilão, um assassino psicopata, muitas vezes mascarado ou com habilidades sobrenaturais, persegue e mata brutalmente um grupo de pessoas. Estamos falando, é claro, dos slashers. Esse gênero atingiu o pico de popularidade entre 1974 e 1984. Representantes conhecidos incluem «O Massacre da Serra Elétrica», «Sexta-Feira 13», «A Hora do Pesadelo», «Pânico» e «Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado». Mas entre os nomes famosos de vilões do terror, destaca-se Michael Myers. Ele é a personificação do mal que nos rodeia. Ele persegue suas vítimas sem explicar os motivos. Sua motivação permanece um mistério, o que o torna ainda mais assustador.

«Halloween» se tornou o primeiro grande sucesso que definiu a moda para os slashers. O filme não criou o subgênero, mas uniu ideias e as apresentou da forma mais interessante para o público em massa. O filme começa com os lendários créditos musicais que o diretor escreveu ele mesmo (aliás, John Carpenter trabalhou no projeto em quatro funções). A atmosfera assustadora, a visão pelos olhos do assassino — os espectadores são forçados a experimentar uma persona desconfortável. Fora da tela, ouve-se a respiração do maníaco. A iluminação pontual e o trabalho de câmera criam uma atmosfera de ansiedade. A combinação de som, roteiro simples e atuação — cada componente trabalha para o resultado necessário.

Ao vincular o filme a uma data específica, os criadores parecem conceder imortalidade ao filme. Nenhum outro representante do gênero conseguiu se associar tão firmemente a outro feriado semelhante como «Halloween» fez.

Folk Horror — «A Bruxa»

A Bruxa

O folk horror é um gênero onde o horror brota da própria terra, das raízes antigas do paganismo e de rituais esquecidos que o mundo moderno considerava há muito enterrados. São histórias sobre vilarejos isolados onde o tempo parece ter parado, e os moradores locais preservam tradições assustadoras em seu arcaísmo e crueldade. Aqui, a natureza deixa de ser apenas um pano de fundo e se transforma em uma força viva e pagã: as florestas escondem deuses antigos, os campos lembram sacrifícios sangrentos, e as canções folclóricas soam como feitiços.

Lançado há dez anos, «A Bruxa», de Robert Eggers, rapidamente adquiriu status cult e se tornou um importante fenômeno cultural. Os temas de repressão religiosa e poder feminino ajudaram a revelar o lado do gênero que raramente alcançava o público em massa. Uma verdadeira imersão em um pesadelo tangível que não tenta estetizar o mal, mas o mostra como um fenômeno inevitável, quase grandioso, que age diretamente sobre os sentidos e a mente.

A trama gira em torno de uma família de puritanos do século XVII que se vê isolada e sofre uma série de tragédias. O mundo do filme é ao mesmo tempo familiar e estranho: um cristianismo sobrenatural sem os atributos habituais da modernidade, cheio de fé intransigente. Nele reina o dualismo: o bem e o mal não têm meios-tons, e os medos do inferno e a submissão a Deus levam os personagens de um polo espiritual a outro. Eles estão à beira da exaustão física e espiritual, divididos entre dogmas religiosos cruéis e a necessidade natural de autoexpressão. O filme não conta uma história clássica de luta contra demônios — esta floresta não é a fonte do mal, mas um símbolo do controle inatingível tanto sobre a natureza quanto sobre a protagonista. É um dos melhores exemplos de trabalho profundo com o legado do folclore popular, entrelaçado com tragédia pessoal e problemas sociais globais.

Terror Psicológico — «O Iluminado»

O Iluminado

O terror psicológico é um gênero onde o verdadeiro monstro não vive atrás da porta, mas dentro da psique humana, em seus cantos escuros onde é assustador até mesmo olhar para si mesmo. São histórias sobre a desintegração da personalidade, sobre a fronteira entre realidade e loucura que se desfaz a cada cena, fazendo o espectador duvidar do que está acontecendo na tela e do que está apenas na cabeça do personagem. Aqui, o horror nasce do isolamento, da paranoia, de traumas reprimidos e desejos suprimidos que irrompem nas formas mais assustadoras.

«O Iluminado», de Stanley Kubrick, é um exemplo exemplar de terror psicológico, onde o hotel Overlook se torna uma armadilha não apenas para o corpo, mas também para a mente. Jack Torrance chega a um hotel isolado nas montanhas para trabalhar como zelador no inverno, junto com sua esposa Wendy e seu filho Danny, esperando encontrar paz e inspiração para escrever. Mas o hotel, impregnado de história de violência e morte, começa a despertar em Jack seus demônios ocultos — alcoolismo, agressão, ambições não realizadas. Gradualmente, torna-se impossível entender onde termina a realidade e começa a loucura: fantasmas do passado do hotel ou alucinações de uma mente em colapso? Kubrick brinca magistralmente com essa incerteza, criando uma atmosfera de horror crescente através de planos simétricos, quase hipnóticos, corredores infinitos e um silêncio terrível interrompido apenas pelo eco de passos.

O filme explora temas de isolamento, violência doméstica e autodestruição, mostrando como o espaço confinado e a solidão podem transformar um homem em um monstro. Danny possui o «iluminado» — uma capacidade extrassensorial de ver o passado e o futuro do hotel, o que o torna testemunha do pesadelo que se desenrola diante de seus olhos. Cenas famosas — as gêmeas no corredor, a cachoeira de sangue saindo do elevador, «REDRUM» na porta, o encontro de Jack com o barman Lloyd — tornaram-se algumas das principais imagens da história do terror.