
Colin Tilley dirigiu um terror bonito, mas não assustador, sobre vingança mística. Whitney Peak carrega o filme «O Homem de Areia» nas costas, os pântanos da Flórida parecem assustadores, mas não há horror real.
«O Homem de Areia», estreia de Colin Tilley — diretor cujo nome é familiar aos fãs de clipes de Justin Bieber e RZA — é uma tentativa ambiciosa de dar nova vida ao subgênero do terror gótico sul-americano místico. Ele conseguiu criar um filme verdadeiramente assustador ou estamos lidando com uma casca bonita, mas vazia?
Anna (Whitney Peak) é forçada a se mudar da barulhenta Nova York para a Flórida após a morte repentina de seus pais. A garota se instala na casa de sua avó cega (S. Epatha Merkerson), que vê pela primeira vez na vida, e tenta se adaptar à vida em uma cidade pantanosa provincial. A solidão e o trauma a levam a conhecer adolescentes locais, que parecem ser sua única salvação do isolamento. No entanto, a amizade se transforma em um pesadelo: Anna testemunha (e talvez cúmplice) um ataque brutal a uma criança.
Segundo a lenda local, tais pecados não ficam impunes — surge o Homem de Areia, a alma de um menino outrora torturado, que vem nos sonhos dos agressores e arranca seus olhos. Agora, Anna precisa descobrir onde está a fronteira entre um conto de fadas assustador e uma ameaça real.

O diretor pode ser elogiado por sua ousadia visual. Colin Tilley entende de enquadramento, e «O Homem de Areia» confirma isso em quase todas as cenas de sonho. Os pesadelos realmente lembram a lógica dos sonhos: fragmentos da realidade se misturam com imagens absurdas, as cores se distorcem, os objetos mudam diante dos olhos. Um homem em uma fantasia de coelho se transforma em uma fera preta e branca real, e de repente se torna branco — esses pequenos detalhes criam uma sensação de ilusão genuína. Além disso, a realidade na forma da pantanosa Flórida parece ao mesmo tempo bela e ameaçadora, e a atmosfera do gótico sulista é sentida em cada elemento — nevoeiros, árvores antigas, casas abandonadas.
Infelizmente, o apelo visual não compensa a fraqueza dramatúrgica. O filme parece mais caro do que seu orçamento, mas isso não o torna um terror completo. Tilley esqueceu o componente principal do gênero — o medo. O filme não assusta, não mantém a tensão, não faz você pular. Não há um único momento verdadeiramente assustador que fique na memória após os créditos finais.

Se o filme se mantém à tona, é exclusivamente graças a Whitney Peak. A atriz, conhecida pela série «Gossip Girl», cria um retrato convincente de uma garota traumatizada tentando sobreviver em um mundo estranho. Peak não cai na histeria nem irrita o espectador — sua heroína guarda a dor por dentro, e isso é sentido em seus gestos e olhares. S. Epatha Merkerson como a avó May também agrada com uma atuação contida, especialmente na cena em que seu próprio passado e a conexão com a lenda do Homem de Areia são revelados. O resto do elenco perde abertamente: os adolescentes antagonistas parecem estereotipados, e suas motivações são superficiais.
O roteiro de Eliza Victoria e Michael Tully (baseado no romance gráfico da própria Victoria) tenta abordar temas de culpa, redenção e inação como forma de cumplicidade. Este é realmente um ângulo interessante: a heroína não cometeu o crime diretamente, mas sua passividade a torna culpada. A questão moral aqui não é preto no branco, e isso é um ponto positivo. No entanto, a implementação é falha — o filme não consegue decidir se quer ser uma parábola sombria sobre vingança ou um terror adolescente com elementos folk. O resultado é algo intermediário que não satisfaz nem os fãs de um nem os defensores do outro.

«O Homem de Areia» é um filme para quem valoriza mais a atmosfera e o estilo visual do que os horrores reais. Colin Tilley provou que sabe filmar lindamente, mas esqueceu o propósito principal do terror — assustar. Se você é fã do gótico sulista e não se importa em passar uma hora e meia contemplando paisagens pantanosas na companhia de Whitney Peak, vá ao cinema (o filme está em cartaz oficialmente a partir de 23 de outubro). Mas se espera algo verdadeiramente assustador — o filme lhe dará uma sensação de oportunidades perdidas, como se o potencial do filme tivesse se dissolvido em algum lugar na névoa dos pântanos da Flórida.
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