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No dia 16 de outubro, estreia nos cinemas russos «A Colheita» — um art horror contemplativo e bonito sobre a destruição de uma aldeia. O projeto tinha todas as chances de se tornar um filme forte, mas se transforma em uma contemplação entediante sem...

O filme de Athina Rachel Tsangari, «A Colheita», parece ter sido feito especialmente para festivais de arte: filme granulado, névoa, uma aldeia escocesa medieval após as leis de cercamento e na véspera da colheita. Tudo sugere um drama profundo com elementos de folk horror, onde o conflito social se entrelaça com o misticismo das tradições moribundas. Mas em algum lugar entre os belos planos e as ambiciosas intenções, o filme perde o principal — pessoas vivas e motivos para nos importarmos com elas.

Bruxas e paganismo como metáfora para tudo: por que os folk horrors se tornaram tão populares
Nadezhda Vasilyeva
Bruxas e paganismo como metáfora para tudo: por que os folk horrors se tornaram tão populares

Os folk horrors estão se tornando um subgênero cada vez mais popular entre os filmes de terror. Claro, usar elementos do folclore não é uma ideia nova, mas a escala de seu desenvolvimento no século XXI surpreende agradavelmente

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A história se passa em uma aldeia sem nome, onde o modo de vida habitual está ruindo. Walter Thirsk (Caleb Landry Jones) — um jovem fazendeiro com um conflito interno do tamanho de um oceano — tenta manter a amizade com o influente proprietário de terras Charles Kent (Harry Melling) e, ao mesmo tempo, evitar o colapso da comunidade. O capitalismo avança, as terras são tomadas, as pessoas se rebelam. Parece que aqui está o material para um drama poderoso. Mas a diretora parece ter medo de mostrar emoções reais, preferindo longos planos dos campos e olhares pensativos para o nada.

«A Colheita» 2025
Cena do filme «A Colheita»

Sim, «A Colheita» é filmado lindamente — graças ao filme de 16 mm e ao diretor de fotografia Sean Price Williams, que claramente ama as paisagens pastorais britânicas. Amanheceres nebulosos, campos dourados, rostos desgastados dos camponeses — tudo isso funciona nos primeiros quinze minutos. Mas então você percebe: por trás desse luxo visual não há nada. A diretora se empolgou tanto com a estética que esqueceu o conteúdo. Assistir «A Colheita» é como ir a um restaurante com estrela Michelin, onde passam uma hora arrumando pratos e talheres, e depois servem um tom yam sem camarão e arroz.

Caleb Landry Jones como Walter se esforça ao máximo, mas o roteiro não lhe dá chance. Seu personagem (obviamente) deveria ser complexo, dilacerado por contradições, mas em vez disso vemos um homem que apenas olha tristemente para o horizonte.

Os outros personagens são ainda piores. Eles são como cenários: aparecem, dizem algumas frases e desaparecem, sem deixar rastro na memória. Quando a catástrofe atinge a aldeia, você dá de ombros, porque nunca entendeu quem são essas pessoas e por que deveria se importar.

Filme A Colheita
Cena do filme «A Colheita»

«A Colheita» é daqueles filmes onde o ritmo lento deveria criar atmosfera e tensão, e o cenário complementar o quadro e assustar (como, por exemplo, no excelente «Midsommar»). O problema é que aqui o conflito não cresce, o drama não gera emoções, o clímax passa despercebido. Você senta e espera que algo aconteça, mas nada acontece (exceto uma série de situações estranhas às quais os personagens reagem como se fosse natural). Não é um cinema meditativo no estilo de Terrence Malick (em seus melhores exemplos), onde cada quadro é uma declaração filosófica. É apenas uma história arrastada que poderia ser contada em uma hora, mas esticada para duas.

O filme tenta falar sobre coisas importantes: a destruição do modo de vida comunitário, a injustiça do capitalismo, a perda de tradições. Mas tudo é apresentado de forma tão apática e distante que dá vontade de bocejar ou bater a cabeça numa pedra (opa, spoiler!). Em vez de mostrar a dor e a raiva das pessoas que perdem tudo, a diretora prefere a contemplação e a subentendido. No final, o tema importante se dissolve em panoramas intermináveis de campos.

Resenha de A Colheita
Cena do filme «A Colheita»

«A Colheita» é um filme para quem está disposto a tolerar duas horas de tédio bonito por alguns planos atmosféricos. Se você procura um drama real com personagens vivos e um conflito envolvente — passe longe. Se quer um folk horror no estilo de «O Homem de Palha» com tensão e arrepios crescentes — também não é o seu caso. Este é um cinema para um círculo restrito de apreciadores que perdoam qualquer lentidão na trama por uma estética correta. Para todos os outros, é melhor gastar tempo com algo onde a beleza não substitui o significado.