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Relançar séries icônicas é arriscado. Pode-se decepcionar os fãs ou dar nova vida a personagens amados. «Dexter: Ressurreição» escolheu o segundo caminho e provou que o retorno de uma lenda pode ser impressionante, profundo e até surpreendentemente f...

Tentar reviver o icônico «Dexter» já foi feito duas vezes: primeiro na minissérie «Novo Sangue», que continuava a trama principal, depois em uma prequela intitulada «Pecado Original». Ambas as vezes, os criadores tentaram reinterpretar o original, adicionar algo novo, mas não se pode dizer que foram bem-sucedidos. «Dexter: Ressurreição» trouxe de volta tudo o que um dia tornou a série lendária: Michael C. Hall no papel do assassino em série com um código, monólogos internos espirituosos, uma trilha sonora sombria e um tenso jogo de gato e rato com a lei.

Na trama, Dexter Morgan sobrevive milagrosamente a um ferimento «mortal» e parte para a movimentada Nova York em busca de seu filho Harrison (Jack Alcott), que começa a seguir os passos do pai. Paralelamente, nosso herói acaba em um «clube» fechado para assassinos em série, criado pelo excêntrico bilionário Leon Prater (Peter Dinklage).

Dexter Ressurreição 2025
Cena da série «Dexter: Ressurreição»

Este reboot transporta cuidadosamente a escuridão familiar dos trópicos de Miami para o concreto frio de Nova York. A mudança de cenário funciona: a atmosfera sombria fica ainda mais densa. Parece que já conhecemos todos os truques de Dexter — piadas sardônicas na cabeça, vida dupla, rituais ocultos. Mas aqui eles soam frescos justamente pelo contexto: o herói é forçado a se adaptar a uma cidade diferente e a uma nova geração de caçadores e vítimas.

A música em «Ressurreição» poderia ser mais um «personagem»: samples do original, entonações, brincadeiras com o silêncio. A trilha sonora equilibra habilmente nostalgia e novos motivos — como se lembrasse que o passado está sempre presente, mas os heróis seguem em frente.

Cena da série «Dexter: Ressurreição»
Cena da série «Dexter: Ressurreição»

As tramas se desenvolvem lentamente, mas com sutileza e envolvimento — quase todo episódio termina com um cliffhanger, o que mantém a sede de continuação, permitindo maratonar a temporada. Nesse aspecto, «Ressurreição» se diferencia favoravelmente do anterior «Novo Sangue», que parecia arrastado e sem dinamismo.

O principal destaque da temporada é o elenco brilhante, que funciona como um conjunto, não como uma coleção de nomes famosos. Michael C. Hall continua sendo o centro das atenções, mas agora é emoldurado por novas figuras marcantes: Jack Alcott faz de Harrison não um refém das decisões do roteiro, mas um personagem vivo e às vezes assustadoramente familiar; David Dastmalchian mata pessoas com seu carisma, e Krysten Ritter com seu magnetismo; Uma Thurman preenche a trama com uma sensação de perigo; Peter Dinklage, como sempre, rouba a atenção em cada cena. Até mesmo o pequeno papel de Neil Patrick Harris e o retorno de veteranos da franquia (David Zayas, James Remar, John Lithgow) contribuem para a sensação de um universo rico, e não de fan service gratuito.

Dexter: Ressurreição assistir
Cena da série «Dexter: Ressurreição»

Para os novatos, «Dexter: Ressurreição» funciona como um suspense tenso com um anti-herói carismático e humor negro, e para os fãs antigos, como um retorno às origens, onde desta vez tentaram corrigir os erros das sequências anteriores. Ao mesmo tempo, a série explora novas facetas — a relação pai e filho, a exposição do clube de assassinos em série. Tudo isso confere à série uma escala nunca antes vista e a sensação de que a história de Dexter está longe de terminar.