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Em 2 de agosto, foi ao ar o episódio final da primeira temporada da série «Eterna». Contamos como foi a nova tentativa de adaptar a popular série de romances de Vera Kamsha e se é a fantasia que esperávamos.

Quanto tempo esperamos por uma série de fantasia russa que não fosse vergonha discutir tomando um café? Certamente, houve exemplos de sucesso, como «O Bibliotecário» e «A Delegacia Mágica», mas estes são mais representantes da fantasia urbana do que épica. «Eterna» reivindica o título de estreia mais ambiciosa do ano na nossa indústria — e não apenas graças ao exército de fãs dos romances de Vera Kamsha. Figurinos meticulosamente elaborados, cenários de São Petersburgo e Bucara, escala épica, apoio de marketing do Yandex — tudo isso a série tem e em abundância. Mas será que isso é suficiente para o amor do público?

No centro de «Eterna» está Kertiana, uma Europa alternativa com toques renascentistas, onde o poder é dividido entre usurpadores e descendentes de reis depostos, e profecias sagradas sobre o apocalipse se misturam com dramas pessoais e intrigas palacianas. Aqui, o exilado Aldo Rakan sonha em recuperar o trono de sua dinastia, enquanto o jovem Richard Okdell parte para a escola de escudeiros para vingar a derrota de seu pai. Cada personagem corre o risco de se tornar servo do destino — ou seu cúmplice.

Cena da série «Eterna»
Cena da série «Eterna»

O mundo de «Eterna» é um dos maiores acertos da série. Os autores gastaram todo o orçamento: grandes cidades, figurinos detalhados, cada palácio ou taverna com personalidade. Visualmente, os criadores equilibram-se entre «Duna» e «Game of Thrones». Aqui, desertos coexistem com enormes palácios, e bandidos nômades com cavaleiros nobres. A esterilidade e o cuidado da imagem ao mesmo tempo impulsionam a série — é agradável ver capas, mercados, espadas — e atrapalham: parece que se está examinando peças de museu, não um mundo vivo. Há mais teatralidade do que gostaríamos. Tanto na encenação quanto na atuação.

Os criadores decidiram repetir o erro da adaptação anterior não poupar o público e, nos primeiros episódios, despejaram dezenas de nomes, locais, juramentos, eventos, profecias sobre o espectador despreparado. Se você se distrair com o chá, corre o risco de perder o fio da meada. Mas à medida que a trama avança, a ação fica mais clara e coesa, os personagens têm a chance de se revelar no cenário e nas motivações, e o quadro geral começa a se formar em algo coeso. É triste que o roteiro «mastigue» excessivamente o estilo e os movimentos de franquias já conhecidas, embora haja também um toque da escola nacional (viva, os guardas-marinha e mosqueteiros!).

Eterna 2025
Cena da série «Eterna»

O elenco é diversificado. Ivan Trushin (Richard Okdell) é dinâmico, marcante, às vezes excessivamente impulsivo, mas não entediante. Anton Rogachev (Aldo) inicialmente se perde nos cenários e ao lado de colegas mais experientes, mas se encontra perto do meio nas cenas com a bela e charmosa Valentina Lyapina. Uma masterclass absoluta em presença de tela e carisma é dada por Yuri Chursin, que sobreviveu ao recasting da tentativa anterior fracassada de adaptação e novamente incorpora o Duque Roké Alva, um espadachim brilhante, trapaceiro e mentor de Okdell.

Chursin Eterna
Cena da série «Eterna»

Apesar da ambição geral, às vezes falta a sensação de escala, e algumas batalhas parecem intimistas e de baixo orçamento. Mas onde a encenação falha, a atmosfera é salva pela atenção aos detalhes do mundo. No entanto, há chances de melhora na próxima temporada, o potencial é visível.

O grande problema de «Eterna» é a secundariedade: eventos, personagens, vocabulário já foram vistos em algum lugar — e o espectador experiente facilmente terá lampejos de déjà vu. Por outro lado, a série, sem esquecer as citações, habilmente entrelaça na história traços do cinema nacional e, o mais importante, não tenta copiar cegamente a fantasia ocidental, mas busca seu próprio estilo.

Série Eterna
Cena da série «Eterna»

«Eterna» é, sem dúvida, um passo à frente para a fantasia épica russa. Sim, ela não chega nem perto de «Game of Thrones», na qual se espelha em praticamente tudo: desde o estilo narrativo até as cenas com personagens individuais. Mas onde mais vimos duelos de espadas nacionais, fanáticos religiosos que acreditam cegamente no Único e estão prontos para queimar seus vizinhos vivos, e, finalmente, Yevgeny Stychkin no papel de líder da comunidade com uma barba odiosa?!

Assistir Eterna
Cena da série «Eterna»

Em alguns momentos, a série é ingênua e desajeitada, mas sente-se uma tentativa ambiciosa de criar um épico mágico em um país onde a magia geralmente é procurada não em séries, mas em envelopes de salário. A temporada ficou longe de ser ideal — mas é nossa, com um rosto reconhecível e suas próprias peculiaridades. A primeira saga russa sobre magia e luta pelo trono acabou sendo mais viva.