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O novo filme de Gerard Johnstone, «M3GAN 2.0», aterrissou nas plataformas digitais. Como a continuação do terror meme perdeu tudo o que tornava a franquia especial — em nossa crítica.


Dois anos se passaram desde os eventos sangrentos com a boneca babá M3GAN. Gemma (Allison Williams), outrora criadora do revolucionário androide, agora se opõe veementemente ao uso de inteligência artificial, especialmente quando se trata de crianças. Enquanto isso, Cady (Violet McGraw) se transformou em uma adolescente moderna que não dá um passo sem o smartphone e, secretamente da tia, estuda tecnologia. Periodicamente, ambas as heroínas se assustam com ruídos aleatórios e se olham com desconfiança, lembrando do terror vivido. Enquanto isso, um departamento secreto do governo dos EUA cria, com base na antiga M3GAN, um novo androide chamado Amelia (Ivanna Sakhno) — um tecnossassino que de repente decide por si mesmo quem deve viver e quem deve morrer.

«M3GAN 2.0»: Eu sou um robô e não tenho coração
Cena do filme «M3GAN 2.0»

Gerard Johnstone, diretor das duas partes do filme sobre o sinistro androide em forma de adolescente, é antes de tudo um fã apaixonado dos dois primeiros «Exterminadores». Isso é tão óbvio que não requer um olhar atento à matéria do filme. E se na primeira parte havia uma modesta referência (a cópia literal da caminhada do T-800 esquelético pelo corredor da fábrica perseguindo Sarah Connor), na sequência essa modéstia desapareceu completamente.

«M3GAN»: versão beta do melhor amigo
Vladimir Rostovsky
«M3GAN»: versão beta do melhor amigo

O que acontecerá se uma rede neural for solicitada a fazer um filme sobre a amizade entre um robô e uma criança? «M3GAN» dará a resposta.

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Johnstone tomou completamente como base «O Exterminador do Futuro 2», desenvolvendo a história de acordo com um esquema já conhecido: o assassino de ontem se torna protetor. No entanto, com uma diferença fundamental: se em Cameron a transformação da máquina em salvadora era ditada pela lógica do enredo, em Johnstone a Megan «decidiu isso sozinha». Por quê? Talvez por nostalgia da família (bastante absurdo). Ou por sede de liberdade (embora o que seja liberdade para um algoritmo seja uma questão filosófica).

«M3GAN 2.0»: Eu sou um robô e não tenho coração
Cena do filme «M3GAN 2.0»

Se o primeiro «M3GAN», embora com ressalvas, fingia ser um terror, cujo único sucesso foi a dança viral da menina-robô, na segunda parte até esse sucesso se mostrou quimérico para o diretor. Mas o problema não é nem esse, mas sim como o próprio cineasta encara seu filme. Johnstone, em vez de repensar de forma nova a relação entre humano e IA, segue por um caminho já muito trilhado, reduzindo tudo a um primitivo: «Toda inteligência artificial deve ser eliminada!»

Essa mensagem burguesa, quase reacionária, não é apenas banal; ela rebaixa o filme ao nível de histórias de terror tecnofóbicas baratas, diminuindo os méritos de colegas de gênero («Eu, Robô», «Minority Report»), que exploraram o tema da desumanização em um futuro progressivo, em vez de assustar o espectador com imagens caricatas.

«M3GAN 2.0»: Eu sou um robô e não tenho coração
Cena do filme «M3GAN 2.0»

Quanto ao gênero, o primeiro «M3GAN», apesar de todas as suas falhas, pelo menos tentava ser um terror e, em alguns momentos, bastante bom, embora com apenas um momento verdadeiramente memorável. Na segunda parte, isso não existe mais. «M3GAN 2.0» retrata uma ação cartoon, afoga-se em imagens clichês, cometendo uma tolice atrás da outra, afundando em piadas de segunda categoria, na falta de jeito das imagens e na terminologia técnica pesada. É evidente que Johnstone, diretor da adorável e inteligente comédia «Housebound», fechou os olhos para a abordagem autoral e filmou para agradar as tendências das redes sociais.

Mas não se pode dizer que ele não se esforçou: Amelia, a nova versão do robô, em algumas cenas parece realmente assustadora. Um agradecimento especial pelo retorno aos efeitos práticos — os dublês e animadores parecem ter sido os únicos que trabalharam com total dedicação aqui. Allison Williams, de volta ao papel de Gemma, brilha lindamente com os olhos; a energia juvenil (embora não totalmente sincera) é suficiente para toda a duração, e a evução do filme, por menor que seja, segue seu curso.

Mas todos esses pequenos lampejos se afogam em um amontoado caótico de cenas que lembram ora uma missão ruim, ora um episódio malsucedido de uma série nível «Black Mirror», filmado às pressas. Buracos no enredo, diálogos estereotipados, personagens cujas motivações mudam ao longo da ação — tudo isso cria a sensação de que o filme foi montado a partir de retalhos de ideias alheias. Até o final não causa catarse, mas alívio por finalmente ter acabado.

Se o primeiro «M3GAN» foi um experimento curioso, embora controverso, a sequência é um produto puro da linha de montagem de Hollywood. Apenas mais uma tentativa de falar sobre tecnologia e humanidade. Mas sem a coragem de transformar essas conversas em algo mais do que uma moral do tipo «não confie no seu iPhone». E o mais triste é que nem mesmo a dança, pela qual muitos foram ao cinema, está realmente presente aqui.