
«Passeio» de Alexei Uchitel é uma verdadeira ode a São Petersburgo e à geração dos anos 2000. Por que, 22 anos depois, o filme é mais relevante do que muitas estreias recentes? Contamos sobre o filme cult em homenagem ao relançamento nos cinemas a pa...
Em 2003, Alexei Uchitel deixou três pessoas passearem pelas ruas de São Petersburgo sob o olhar atento da câmera. Mais de duas décadas depois, ainda os seguimos com o coração na mão e lembramos com emoção como nos apaixonamos pelo filme «Passeio» (e pela cidade no Neva). E se por acaso esquecemos como foi esse passeio, não se preocupe — o relançamento do filme refrescará as emoções na memória.
Sobre o que é o filme «Passeio»
Temos diante de nós uma maratona de uma hora e meia na companhia de três pessoas temperamentais pelas ruas da pré-aniversário São Petersburgo. O jovem trio — Olya (Irina Pegova), Alyosha (Pavel Barshak) e Petya (Evgeny Tsyganov) — consegue percorrer o caminho do encontro ao verdadeiro drama em apenas alguns quilômetros ao som das ondas do Neva e dos gritos dos torcedores do Zenit. À primeira vista, é apenas um encontro casual, romance de verão, nada mais, mas a cidade e os personagens seguem um roteiro muito mais complexo.

Câmera, ação, São Petersburgo
«Passeio» é um filme incrível, como se filmado em movimento. A câmera segue os personagens sem parar, os transeuntes aleatórios não sabem que estão no cinema, e a cidade se mostra sem filtros. O pulso das ruas de São Petersburgo coincide com as batidas do coração do espectador, que só quer uma coisa: que o passeio nunca termine. A conversa sobre a vida e o amor disfarça habilmente um duelo de personalidades, onde cada fala tem um segundo sentido. Mas esse «segundo sentido» não é sobre tédio — pelo contrário, é visto como uma revelação que há muito não aparecia na tela.
Visualmente, São Petersburgo no filme é tão vívida e real que, olhando de 2025, é impossível não se transportar para os tempos antes do brilho e das cafeterias artesanais. Aqui, em cada esquina, há banners para o 300º aniversário da cidade, além de poeira de construção, cercas enferrujadas e o lazer alheio. Não há falsidade nisso: você realmente caminha, sente a chuva de verão e o asfalto desgastado. Os personagens são tão vivos que parecem pessoas que você encontra por acaso. Para eles, este passeio é a sério, e você, quer queira quer não, é um participante em suas vidas.
Voltando ao filme vinte e dois anos depois, é difícil não notar: o final ainda quebra padrões. Para alguns, pode parecer que há frieza e até uma brincadeira cruel. Mas é exatamente isso que coloca «Passeio» no mesmo nível dos grandes: a sinceridade é suficiente para não cair na banalidade, e a autoironia, para não encenar uma tragédia do nada.
Influência no cinema russo
«Passeio» não é à toa chamado de «mito urbano» dos anos 2000: aqui estão a nova escola de filmagem em movimento, o teatro deliberadamente levado para o ambiente de rua e uma honestidade nunca antes vista. Os personagens tornaram-se moldes da época, assim como a representação da cidade. E a influência do filme refletiu-se não apenas no surgimento de filmes semelhantes (anos depois, discutimos: «Piter FM» ou «Passeio» — qual é o principal filme «petersburguense»?), mas também na maneira de retratar relacionamentos sem esforço, sem beleza pela beleza. O cinema russo raramente é assim.
Em 29 de dezembro, ocorreu a estreia online do controverso filme «Nina» de Oksana Bychkova, que desentendeu a diretora do cultuado «Piter FM» com o produtor, mas ainda assim conseguiu permanecer como um
Open material«Passeio» parece antiquado em 2025? Antes, fresco — porque ninguém inventou uma nova maneira de falar sobre os sentimentos principais. Uchitel filmou simultaneamente um «manual» de sobrevivência em uma era de transição, quando os sonhos colidem com a realidade, e esculpiu no monumento a São Petersburgo dos anos 2000.

«Passeio» é aquela chamada do passado que, mesmo que você não espere, não desliga. Recomendo para assistir — tanto para adolescentes que não conheceram longas noites sem smartphone, quanto para adultos, adultos bastante cansados, que querem relembrar a juventude pelo menos por essas uma hora e meia despreocupada.
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