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Estreia nos cinemas o filme alemão «O que Marielle sabe», um olhar satírico sobre a comunicação dentro da família. Sobre como ficou o filme de Frederik Hambalek, que concorreu ao Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim 2025, em nosso artigo.

Se os adolescentes tivessem acesso aos segredos dos pais, o mundo iria por água abaixo — ou pelo menos alguns jantares em família se transformariam em farsa. O novo filme alemão «O que Marielle sabe» (Was Marielle weiß) do diretor Frederik Hambalek, que estreia nos cinemas russos em 26 de junho graças à , transforma essa hipótese em uma sátira onde a vida familiar range sob o ataque da honestidade sobrenatural.

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Nadezhda Vasilyeva
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Uma família aparentemente normal: mãe, pai, filha, um apartamento aconchegante em uma cidade alemã sem rosto e o conjunto obrigatório de problemas burgueses — trabalho, escola, jantares onde se discute tudo, menos o essencial. Mas e se um dia um adolescente tiver a oportunidade de saber tudo sobre os pais? Não no sentido de «ler a correspondência no celular», mas no sentido literal, quase místico: ver e ouvir seus pensamentos, ações, desejos — até mesmo aqueles que eles próprios prefeririam esquecer. É exatamente isso que acontece com Marielle, e a partir desse momento a vida familiar se transforma em um experimento onde ninguém sabe quem está espionando quem e quem vai enganar quem.

O que Marielle sabe filme
Cena do filme «O que Marielle sabe»

Tudo começa com um tapa — literalmente. Após uma briga na escola, Marielle (Laeni Geiseler) descobre de repente a capacidade de «ouvir» telepaticamente os pais. A mãe Julia (Julia Jentsch) e o pai Tobias (Felix Kramer) rapidamente percebem que seus segredos pequenos (e nem tanto) não estão mais protegidos por paredes, pela língua francesa ou mesmo pela simples negação. Marielle, que por si só é quieta e introvertida, torna-se uma juíza involuntária no tribunal familiar, onde acusações e justificativas se sucedem mais rápido do que se pode preparar um café.

Hambalek inverte habilmente a dinâmica habitual: agora não são os pais que vigiam a criança, mas o contrário. Não é apenas uma comédia de situação — é uma sátira sutil, por vezes mordaz, da família moderna, onde cada um representa um papel e a sinceridade se torna um luxo que ninguém pode pagar.

O que Marielle sabe 2025
Cena do filme «O que Marielle sabe»

Julia Jentsch e Felix Kramer se esforçam para equilibrar comédia e drama, transformando seus personagens em pessoas reais, e não apenas portadores de «arquétipos parentais». Sua dupla ora provoca simpatia, ora vontade de revirar os olhos: são muito reconhecíveis essas tentativas de manter as aparências diante do filho quando as máscaras já caíram.

O filme é feito em um estilo minimalista preciso: luz, música (Beethoven e Schubert como refrão das catástrofes familiares), cenário — tudo contribui para a sensação de fragilidade e artificialidade do aconchego familiar. Marielle, filmada de um ângulo baixo, lembra não tanto a Wednesday, mas uma juíza do mundo adulto.

Marielle, apesar do papel título, muitas vezes permanece mais como observadora do que como participante plena dos eventos. Seu mundo interior quase não é revelado, e às vezes ela parece apenas um catalisador para as angústias dos pais, e não uma personagem independente.

O que Marielle sabe crítica
Cena do filme «O que Marielle sabe»

Outra desvantagem óbvia é que o filme, tendo começado de forma brilhante com uma ideia vívida e diálogos afiados (embora nem sempre), perde o ritmo perto do final e nem sempre leva até o fim as questões que ele próprio levanta. O final aberto deixa espaço para reflexão, mas pode parecer que os autores simplesmente não ousaram dar uma resposta inequívoca.

«O que Marielle sabe» é aquele caso raro em que o cinema europeu pega um conceito quase hollywoodiano (e se uma criança de repente descobrisse tudo sobre os pais?) e o transforma não em mais um melodrama familiar, mas em uma comédia mordaz, porém humana, sobre como é difícil ser honesto mesmo com os mais próximos. Não há moralismo nem tentativas de apresentar verdades banais como revelações. Em vez disso, há um jogo sutil no limite, onde cada espectador se reconhece: alguns nos pais, outros em Marielle, e outros no silêncio constrangedor à mesa de família. Para quem vai ao psicólogo, haverá assunto para conversar.

Recomendar o filme? Se você gosta de cinema onde por trás de um enredo simples se esconde uma camada de observações sobre a vida, a mentira, o amadurecimento e que às vezes é melhor não saber demais sobre os entes queridos. E se depois de assistir você sentir vontade de conversar com seus pais ou filhos de forma um pouco mais aberta — então «O que Marielle sabe» acertou no ponto sensível.