
Se você pensava que Orlando Bloom estava preso para sempre no papel de um elfo com cabelo perfeito, 'Deep Cover' prova que até Legolas às vezes quer interpretar algo completamente louco — e isso, caramba, funciona.
Ultimamente, as comédias frequentemente caem em repetições monótonas e medo de ofender alguém, enquanto as novidades dos streamings estão cheias de nomes famosos e vazias por dentro. 'Deep Cover', sendo uma comédia da Amazon Prime Video, quebra o padrão habitual e presenteia o público com um filme realmente engraçado e estiloso. Como se o Guy Ritchie do início decidisse fazer uma paródia de si mesmo, mas confiasse o roteiro a uma dupla de comediantes britânicos e adicionasse ao elenco um Orlando Bloom à beira de um colapso nervoso.
Na trama, três atores de improviso azarados (Bryce Dallas Howard, Nick Mohammed e Orlando Bloom) se veem envolvidos em uma operação policial. A missão deles é se infiltrar no submundo do crime londrino usando seus duvidosos talentos. Claro, o 'experimento' inocente rapidamente se transforma em um pesadelo cômico com perseguições, assassinatos e situações absurdas, onde a regra da improvisação 'sim, e...' funciona contra os próprios heróis. Quanto mais avançam, mais os personagens se afundam em um mundo onde a linha entre o jogo e o perigo real se desfaz diante dos olhos.

Em primeiro lugar, 'Deep Cover' aproveita ao máximo as possibilidades de seu elenco. Nick Mohammed como Hugh é a personificação do constrangimento, que ao mesmo tempo dá vontade de sentir pena e rir na cara dele. O personagem lembra em muitos aspectos o papel do ator em 'Ted Lasso', mas com algumas nuances, como a ausência da transformação em um idiota arrogante. Bryce Dallas Howard mantém o equilíbrio entre uma professora de improvisação desesperada e uma pessoa que ela mesma não entende como foi parar ali.
Mas a verdadeira surpresa é Orlando Bloom. Seu Marlon é um perdedor com ambições de Daniel Day-Lewis e Robert De Niro, que se entrega a uma farsa tão grande que às vezes parece: agora ele vai pegar um arco (ou um sabre de pirata) e causar o caos, mas em vez disso solta monólogos nível 'psicopata em audição' e parodia magistralmente a si mesmo e os atores em geral.
O humor aqui não está apenas nos diálogos, mas na própria situação: pessoas acostumadas a improvisar de repente se veem em um mundo onde qualquer erro pode custar a vida. A ironia é que a improvisação delas só as enreda mais na teia do crime. O roteiro não para: as piadas saem como de uma metralhadora, e a trama corre de uma cena absurda para outra. O que agrada especialmente é que os criadores não têm medo do absurdo e não caem em uma paródia banal — tudo funciona pela química entre os personagens e sua sincera perplexidade.

Os papéis secundários são uma festa à parte. Sean Bean como um policial durão e Paddy Considine com Ian McShane como gângsteres adicionam ao filme aquela loucura britânica que torna tudo ainda mais saboroso.
Nem tudo é perfeito: se você espera do filme uma trama complexa ou revelações dramáticas, 'Deep Cover' vai decepcionar. Após a metade, o roteiro começa a repetir as mesmas piadas — os heróis entram em perigo, se viram, entram em apuros novamente. Mas, honestamente, quando há um elenco tão bom na tela e as piadas são disparadas com tanta frequência, perdoar esse 'carrossel' não é difícil.

O filme não pretende ter profundidade — é um espetáculo deliberadamente leve, quase escapista, onde o principal prazer é observar grandes estrelas brincando com bom gosto e autoironia.
'Deep Cover' é aquele caso raro em que uma estreia em streaming não dá vontade de desligar após vinte minutos. Aqui tem tudo o que é necessário para uma noite perfeita: sagacidade, dinamismo, atores que se divertem com o que está acontecendo, e Orlando Bloom, que finalmente mostrou que pode ser não apenas bonito, mas também genuinamente engraçado. Se você está cansado de comédias repetitivas e quer ver como a escola britânica de improvisação encontra o glamour de Hollywood — este filme é para você. Não espere uma revolução, mas prepare-se para rir e se surpreender. Às vezes, isso é mais do que suficiente.
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