
Foi lançado em streaming o filme de ação "O Preço do Amanhã 2" sobre o contador com uma espingarda, temido igualmente por contribuintes e bandidos de rua. Será que o contador-assassino é realmente tão assustador na continuação do filme de ação de 201...
O severo contador com transtorno do espectro autista Christian Wolff (Ben Affleck) volta ao trabalho: agora ele conta mais, atira menos e explora aplicativos de namoro. Mas após a morte de seu assistente Ray King (J.K. Simmons), Wolff teve que quebrar sua regra de trabalhar sozinho. Ele se une ao irmão Braxton (Jon Bernthal) e segue o rastro dos assassinos.
Na era de infinitos remakes, prequels e continuações tão esperadas (ou não), o lançamento de "O Preço do Amanhã 2" dificilmente surpreenderia alguém. Talvez apenas lembrasse da existência do primeiro filme, lançado, pasmem, há 9 anos. Nesse tempo, o mundo do cinema gerou dezenas de filmes de ação, cujos ecos ainda ressoam em obras como "O Mestre", "O Apicultor" e outros representantes da categoria B. O próprio Ben Affleck passou por muita coisa nesses anos: um Batman com barba que não cabia na máscara, um romance com Ana de Armas, casamento e divórcio com J.Lo, infinitos memes. Então a sequência de "O Preço do Amanhã" foi uma surpresa, algo que menos se esperava. Mas aconteceu. Para alegria (ou não) dos fãs do ator.

Os tempos mudaram, agora reina a era do streaming, e "O Preço do Amanhã 2" estava fadado desde o início a ir direto para o escuro baú do catálogo digital, sem passar pelas telonas. Para que servia a sequência do filme? Pergunta retórica. O final do primeiro filme não deixava enigmas nem exigia desenvolvimento adicional. E o personagem de Affleck, o contador assassino, apesar do enredo não trivial (um contador com um rifle) e da ação refinada, não ficou na memória por muito tempo. E dificilmente alguém sentia muita saudade dele. O novo filme poderia ter corrigido isso, mas acabou sendo muito sem rosto, como se tivesse sido filmado "para cumprir tabela". Isso é eloquentemente demonstrado até pelo pôster, feito como que de improviso: a cabeça de Affleck foi photoshopada em um corpo alheio, e a fonte parece ter sido rabiscada às pressas no Paint. E como o original já faz um bom tempo, dificilmente será possível evitar revê-lo. Caso contrário, não se entenderá os meandros dos laços familiares dos dois irmãos.

Mas, adiantando, pode-se dizer que na sequência pouco mudou no comportamento dos personagens. Affleck, com a mesma impassibilidade de um exterminador, continua colocando todos em seus lugares, realizando um trabalho educativo em várias áreas da vida: desde a análise de aplicativos de namoro até a auditoria de um vendedor de pizza desonesto (às vezes, isso até desperta interesse genuíno, mas não recebe o devido desenvolvimento). Ele continua frio com o irmão mais novo e, quando este reclama de oito anos de silêncio, responde secamente: "Bem, você tinha meu telefone". "E ele não está errado?" — soa na cabeça uma pergunta razoável. "Na verdade, está certo" — responde mentalmente o personagem de Bernthal, dando de ombros. É nessa linha que se desenvolve boa metade do filme. Mas, no final, toda a essência das discussões entre os personagens de Affleck e Bernthal se resume à frase de mesa já estabelecida: "Irmão ou não irmão?" Em seguida, como de costume, acontece uma boa e velha briga, e o espectador a tem no filme.
Em determinado momento, a investigação do assassinato de Ray King fica de lado, e os irmãos começam a se divertir sem cerimônias, lembrando um filme de buddy movie americano mediano com pretensões a "Rain Man". Onde o irmão mais velho, assim como o personagem de Dustin Hoffman, tenta dançar com uma garota e consegue pegar seu número de telefone, causando um entusiasmo sem precedentes no mais novo. Percebe-se que o diretor do filme simpatiza mais com o processo em andamento. E que isso ainda é um filme de ação, Gavin O'Connor lembra relutantemente perto do final. Mas as esperanças de lutas espetaculares, se não no nível de , pelo menos de "Tyler Rake", se desfazem: alguns tiroteios na poeira, uma luta corporal inexpressiva e perseguições mornas. Se na primeira parte o diretor trabalhou como um aluno exemplar, aqui ele se parece mais com um formando que deixou de lado os detalhes.
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O ponto mais forte do filme, curiosamente, foi o humor. Piadas curtas e concisas, espalhadas por Christian ao longo do filme, animam um pouco a história e arrancam sorrisos genuínos. O irmão mais novo Braxton não fica atrás, explodindo ocasionalmente em falas engraçadas e cheias de palavrões, tornando este pedaço da trama cada vez mais parecido com uma comédia. E se não fossem as amarras do gênero, quem sabe O'Connor poderia ter criado uma sátira bastante digna ou um panfleto social mordaz. Mas fica a impressão de que, no último momento, o diretor simplesmente se acovardou: e se o público não gostar?
"O Preço do Amanhã 2" é uma sequência que ninguém pediu, mas que recebemos. O filme existe por inércia, sem fogo, sem paixão, sem uma verdadeira razão de ser. Não é terrível, mas também não é bom: é apenas uma sombra cinzenta do original, levemente temperada com piadas razoáveis. Se o primeiro "O Preço do Amanhã" era um mediano sólido, o segundo é seu sósia cansado, que chegou à festa 9 anos depois e agora tenta, sem jeito, se encaixar na nova paisagem cinematográfica.
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