
A Apple TV+ lançou o novo filme de Guy Ritchie, "Fonte da Juventude Eterna", que pretende reviver o gênero de filmes de aventura no estilo de "Tesouro Nacional". E se conseguiu ou não, você descobre em nosso artigo.
Se você já se perguntou o que aconteceria se cruzasse "Indiana Jones" com "Tesouro Nacional" (e "O Código Da Vinci"), adicionasse o esnobismo britânico e temperasse tudo com o sorriso característico de Guy Ritchie — parabéns, a Apple TV+ já filmou para você "Fonte da Juventude Eterna" (Fountain of Youth). Só tem um problema: a fonte não é tão revigorante assim.
No centro da trama está Luke Purdue (John Krasinski), um arqueólogo fracassado e, ao mesmo tempo, ladrão de pinturas famosas por uma causa maior. Sem muito entusiasmo, junta-se a ele sua irmã Charlotte (Natalie Portman), uma historiadora de arte com rosto perpetuamente cansado e uma bagagem de traumas familiares (o marido quer tirar dela a guarda do filho).

Juntos, seguindo as ordens de um bilionário moribundo (Domhnall Gleeson), eles correm pelo mundo em busca da fonte da juventude eterna, cujas pistas sobre sua localização estão escondidas nas pinturas de Velázquez e outros artistas do passado. Pelo caminho, os heróis encontram uma coleção de vilões estereotipados, mulheres misteriosas (Eiza González) e perseguições obrigatórias de moto pelas favelas de Bangkok e outros locais que você provavelmente imaginou ao ouvir sobre o caráter aventureiro do filme.

Vamos começar pelo lado bom — o filme realmente não deixa você ficar entediado. Os locais mudam tão rapidamente que você poderia pensar que caiu numa apresentação de agência de viagens: Bangkok, Londres, Irlanda, pirâmides do Egito… Guy Ritchie, ao que parece, decidiu que quanto mais clichês, mais perto do sucesso. A ação é bem coreografada, os truques às vezes impressionam (ao contrário dos gráficos), e Krasinski parece genuinamente se divertir correndo, pulando e fazendo caretas, embora não chegue ao nível de um herói como .
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Open materialMas o problema é: por trás de todos esses voos, perseguições e tiroteios, perde-se o principal — a emoção e, desculpe o clichê, a alma. O orçamento está inflado como uma pirâmide egípcia (segundo várias fontes, o filme custou cerca de US$ 200 milhões), e os atores são ótimos, mas o resultado é vazio. O roteiro é montado com clichês, como se alguém tivesse seguido uma lista de verificação "Como fazer um filme de aventura", mas esqueceu de adicionar o item "torná-lo interessante". Os personagens conversam como se seguissem um manual: piada (a maioria já estava nos trailers), fala, olhar para a câmera, e segue o roteiro. Natalie Portman, que normalmente consegue dar vida até a um manual de montagem de móveis, aqui parece que já está de férias.

Guy Ritchie, outrora mestre dos diálogos espirituosos e do vandalismo britânico característico, aqui parece ter esquecido como funciona. Ao tentar acompanhar os clássicos do gênero, ele perde a própria voz, transformando-se num diretor imitador que copia cuidadosamente os movimentos alheios, mas esquece seu próprio toque. "Fonte da Juventude Eterna" não é um novo "Grande Ganho", mas sim um ganho menor, sem a menor sugestão de frescor.
No final, "Fonte da Juventude Eterna" é um filme para quem sente falta de aventuras, mas está disposto a se contentar com uma sombra pálida delas. Se você quer ver Guy Ritchie gastar dinheiro alheio em belas paisagens e perseguições sem sentido, seja bem-vindo. Para todos os outros, é melhor reassistir ao bom e velho Indiana Jones, e se quiser o charme britânico e aquele Ritchie de verdade, "Grande Ganho". A juventude eterna, infelizmente, ficou em algum lugar no passado, e esta fonte é mais uma fonte de decepção do que de energia.
Trailer:
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