
Segundo a lenda, a serviço de Davy Jones há uma criatura, uma fera com tentáculos gigantes que arrancam o rosto dos ossos e arrastam navios inteiros para o fundo, para o abismo das trevas. Este é 'Kraken' — o novo filme russo com Alexander Petrov no...
No Mar da Groenlândia, durante uma missão secreta, um submarino nuclear de propósito especial, o 'Ermak', sofre um acidente. O capitão Alexander Voronov (Viktor Dobronravov) consegue enviar um sinal de socorro no último momento, que transmitirá as coordenadas do submarino naufragado.
Imediatamente após receber o sinal do comandante Viktor Voronov (Alexander Petrov), irmão mais novo de Alexander, ele é chamado de volta das férias para uma missão importante. Sua missão é salvar a tripulação, se possível, e destruir a arma ultrassecreta que estava a bordo do 'Ermak', para que não caia nas mãos do inimigo.
Ao mesmo tempo, nas águas do norte, o Kraken desperta — uma monstruosidade marinha gigante, um molusco cefalópode que foi o pesadelo de milhares de marinheiros. A causa do despertar do monstro foram pesquisas geológicas em uma estação polar. É com essa criatura que os marinheiros que procuram o submarino perdido terão que enfrentar.

O gênero de ação fantástica não é muito popular no cinema russo. Embora em meados dos anos 2000, Timur Bekmambetov tenha feito uma boa adaptação de 'Dozory', que não só arrecadou bem nas bilheterias, mas também ganhou o amor do público. Depois disso, não houve projetos particularmente notáveis que conseguissem conquistar a mesma popularidade. Podemos lembrar, é claro, da dilogia de Fyodor Bondarchuk 'Atração' e 'Invasão'. Mas para muitos, esse exemplo provavelmente provocará mais risos e ceticismo em relação ao cinema de entretenimento russo, o que está amplamente associado às críticas negativas do BadComedian. No entanto, como exceção, vale a pena notar o sucesso recente de 'Cem Anos à Frente', que parece ter amenizado um pouco a situação.
As coisas estão um pouco melhores para os cineastas russos com blockbusters mais pé no chão, onde não há monstros gigantes nem viagens no tempo. Aqui, entre outros, destacam-se 'Tripulação' de Nikolai Lebedev () e 'T-34' de Alexei Sidorov ('Brigada', 'Campeão Mundial'). Foram eles que se tornaram figuras-chave responsáveis pela criação da versão russa de 'Godzilla'. Lebedev assumiu o cargo de diretor, e Sidorov, de roteirista. Parece que o que poderia dar errado?
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Desde os primeiros minutos, o espectador mergulha no meio dos acontecimentos, entendendo imediatamente quem é o culpado pelo desaparecimento do submarino. Depois disso, começa a apresentação padrão do protagonista, criada nos moldes de filmes de ação baratos de Hollywood. Na tela, toca uma música alta e pomposa, enquanto um homem durão corre pela cidade em roupas esportivas com capuz e fones de ouvido, e os personagens secundários falam dele como se fosse um super-herói. Esse artifício é tão batido que por si só pode causar risos e perplexidade. Embora para muitos isso possa parecer um detalhe menor.
Depois, somos superficialmente apresentados ao mundo interior do protagonista, e então começa a mais banal história de resgate de um afogado. A tentativa de adicionar intriga à história é perceptível, mas não se sustenta e se desfaz nos primeiros minutos do filme. Mas o que dizer do herói, por quem, na verdade, todo o processo de filmagem foi iniciado? Durante a maior parte do filme, o monstro gigante esconde cuidadosamente sua verdadeira aparência nas profundezas escuras do oceano, mas ainda será possível vê-lo em toda a sua glória em uma pequena cena. No entanto, os louros serão breves, pois gráficos de qualidade são um prazer caro.
Mesmo ignorando todas as licenças fantásticas, o que mais surpreende é que o filme, que se apresenta como entretenimento, não proporciona prazer algum. O filme não se destaca pela alta dinâmica, e a tentativa de mostrar na tela uma atmosfera característica do teatro stanislavskiano parece ridícula e não condiz com o gênero.

'Kraken' carece de leveza, reviravoltas emocionantes e tensão real. Até mesmo a batalha final com o monstro, para a qual fomos preparados por duas horas, não evoca as emoções que deveriam surgir no final. Elas foram perdidas durante a exibição devido à falta de desenvolvimento do personagem e à dramaturgia fraca entre os personagens. Além disso, a linha romântica no filme lembra cenas de melodramas russos baratos que podem ser vistos no canal 'Domashny', o que só piora a situação. Será que os criadores não têm dúvidas sobre a qualidade do roteiro?
Por mais cético que o espectador russo possa ser em relação ao filme 'T-34', é preciso admitir que ele pelo menos cumpre bem sua tarefa principal: entreter como uma atração cinematográfica (na medida do possível para o cinema russo). No caso de 'Kraken', os criadores devem temer não tanto as críticas pelas convenções (infelizmente, elas são inevitáveis), mas as acusações de primitivismo e incapacidade de evitar o tédio. Isso é algo que não se espera de um filme de aventura e catástrofe.

O principal erro dos criadores é a tentativa de fazer um filme sério sobre o notório monstro submarino gigante do tamanho de um arranha-céu. Uma ideia absurda demais para ser levada a sério sem um sorriso. Nem a bravata pomposa dos submarinistas, nem os atores talentosos tornam o enredo profundo e único. Em vez de dar ao filme originalidade e singularidade, o que o ajudaria a se destacar dos blockbusters de Hollywood, os criadores repetem clichês batidos. O resultado, em vez de um monstro marinho coeso, é algo confuso e desinteressante, lembrando o monstro de Frankenstein, colado a partir de pedaços. Atores conhecidos e uma campanha publicitária ativa atrairão a atenção do público. Mas, a partir daí, só um bom 'boca a boca' ajudará. E, neste caso, há pouca esperança nisso.
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