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O filme «Sob Fogo», da dupla de roteiristas e diretores Ray Mendoza e Alex Garland, é lançado nos cinemas russos pela distribuidora «Volga». No exterior, o filme é distribuído pelo estúdio A24, conhecido por seus lançamentos independentes e por flert...

A trama de «Sob Fogo» narra uma breve incursão de um pelotão dos Navy SEALs em uma cidade em guerra no Iraque em 2006. Um grupo de militares e dois intérpretes, no silêncio da noite, tomam um prédio de dois andares e capturam seus moradores. Lá, montam uma base para observação do inimigo.

Calmaria…

Os realizadores não revelam o objetivo da missão da unidade; somos imediatamente mergulhados no turbilhão de eventos de um único dia. E a imersão é total: tanto visual quanto sonoramente. A câmera, sob a direção de David J. Thompson, segue os personagens e não sai do ambiente em que estão. Vemos o inimigo apenas pelos olhos dos heróis: através da mira de um fuzil de precisão ou como pontos em movimento no radar de um drone. Longos planos-sequência de 5 a 10 minutos nos fazem sentir dentro do filme, como se estivéssemos ao lado desses soldados na casa, no segundo andar.

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Cena do filme «Sob Fogo»

Esse efeito de imersão também é potencializado pela componente sonora do projeto cinematográfico. Só ouvimos música na cena de abertura, quando os fuzileiros assistem ao videoclipe «Call on me» do DJ sueco Eric Prydz. Nos trinta minutos seguintes, o filme se desenrola em silêncio e expectativa ansiosa. Os soldados se escondem e vigiam. Nesses momentos, todos os sentidos estão aguçados, e os ruídos raros que chegam aos ouvidos soam muito mais altos do que na vida comum: latidos de cães, rajadas abafadas de tiros, o zumbido de caças passando. O restante do filme passaremos completamente imersos apenas nos sons que cercam os heróis.

Mendoza e Garland não nos sobrecarregam com a apresentação do passado dos heróis: ninguém conta sobre sua vida civil, nem mostra fotos de entes queridos. Na missão, eles apenas cumprem suas tarefas rotineiramente. O operador de rádio (D'Pharaoh Woon-A-Tai) transmite dados pelo rádio, o comandante (Will Poulter) anota algo em um bloco, o atirador de elite (Cosmo Jarvis) observa o inimigo, o tenente (Michael Gandolfini) monitora os movimentos na tela do drone. Nessa atmosfera de calmaria antes da tempestade, podemos observar os heróis mais de perto. Sim, não sabemos nada sobre a história pregressa dos personagens, mas vemos sua interação. Como eles brincam uns com os outros, conversam silenciosamente apenas com olhares, demonstram apoio, substituem rapidamente um companheiro no posto – todos esses são traços que ajudam a construir a imagem do herói em nossa mente. Não nos darão mais; em breve, seremos lembrados de que os heróis estão no epicentro dos eventos militares.

Contato

Quando uma granada entra pela janela do segundo andar, parece que os fuzileiros agem tão devagar que em qualquer outro filme do gênero já teriam sido mortos dez vezes. Mas «Sob Fogo» não é como os outros. Observamos uma reconstituição dos eventos, montada a partir das memórias dos verdadeiros participantes daquela missão no Iraque em 2006. Uma reconstituição realista, não sobrecarregada pela cinematografia dos filmes de guerra padrão. Ray Mendoza participou daquela incursão. Ele quis recriar os eventos daquele dia, e Alex Garland apoiou sua ideia. Eles se tornaram amigos durante as filmagens, onde Mendoza foi consultor militar para as cenas de combate. A partir de fragmentos das memórias de seus companheiros, o realizador reconstruiu aquele dia terrível. Ele apresentou ao espectador um relato realista dos horrores vividos por um soldado desorientado e confuso sob fogo inimigo.

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Will Poulter como Capitão Eric

A primeira reação quando se é atacado é agir sob adrenalina, correr, atirar. Mas nossos heróis são extremamente disciplinados, seguem os protocolos. É preciso pegar as mochilas com equipamento, reunir toda a tecnologia e munição. Afinal, em condições de combate, sua arma é seu melhor amigo; perdê-la equivale à morte. É necessário reportar pelo rádio para várias unidades, pedir ajuda e coordenar ações com outros pelotões. A tensão se mantém mesmo nesses momentos. Na tela, não é necessário mostrar tiros e explosões. Às vezes, uma simples parada junto à janela, ou uma cena em que o herói lentamente remove uma camada de poeira do batente da janela, são carregadas do mesmo horror e medo que os momentos de cenas de batalha.

Essa tensão nos prende à poltrona. Primeiro, você se preocupa se conseguirão evacuar os feridos; algumas cenas depois, se preocupa se alguém do pelotão sobreviverá. Ao longo do filme, várias vezes ocorrem situações em que você se encolhe, esperando que o herói morra. E então você relaxa, o soldado está são e salvo, você sente alívio, mas na tela há uma explosão, você fica em choque, e em seus ouvidos apenas o zumbido do projétil que acabou de explodir. E assim o filme todo. Mendoza e Garland brincam com nossas expectativas e nossa percepção sensorial. Tudo como na realidade – é impossível prever o que te espera na esquina.

Fumaça e sangue

E mesmo atordoado por uma granada ou ferido no braço, cada soldado está focado em sua tarefa, executando cada ação como uma dança ensaiada. Eles são combatentes experientes de uma unidade de elite, mas, ao mesmo tempo, vemos como são jovens. Era importante para os diretores reunir um elenco que fizesse o espectador não duvidar de que são principalmente jovens que vão para a guerra. E os atores, cuidadosamente selecionados pelos realizadores, interpretam papéis completamente novos para si e para o público. D'Pharaoh Woon-A-Tai, que interpretou Ray Mendoza, não é mais o adolescente travesso de «Reservation Dogs». Em Will Poulter, não há nenhum traço da comicidade milleriana. Joseph Quinn já não é o rebelde com a guitarra. E Cosmo Jarvis deixou para trás a expressão de constante perplexidade em «Shōgun». Eles se tornaram tão amigos durante as filmagens de «Sob Fogo» e se entregaram tanto a seus papéis, que já não podem ser separados dos heróis reais que interpretaram na tela. É uma irmandade, eles são um todo único e agem como um organismo coeso.

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Cena do filme «Sob Fogo»

O filme dura apenas 95 minutos, mas nos momentos em que mostram a agonia dos feridos ou ossos das pernas estilhaçados, envoltos em carne ensanguentada, sua duração aumenta quatrocentas vezes. Dá vontade de desviar o olhar ou fechar os olhos, sair da sala, mas o corpo traiçoeiramente não obedece. Você está imerso naquela realidade, está lá, no meio dos acontecimentos, junto com o pelotão de soldados. Para reforçar essa sensação de horror e paralisia, o operador de câmera nos leva repetidamente de volta às entranhas dilaceradas de um soldado, ou aos membros arrancados espalhados pela rua. Só se consegue respirar quando o quadro muda para a tela de vigilância do drone. Mas mesmo nesses momentos, ainda ouvimos o que está acontecendo com o pelotão. Os diretores não romantizam a realidade; se em um combate real não há pausas, o espectador também não as terá.

«Sob Fogo» se esforça muito para não se parecer com outros filmes de guerra. Isso é algo que os realizadores enfatizaram repetidamente em inúmeras entrevistas. É sobre o que os atores falam em vários programas. E então, no final do filme, vemos na tela a inscrição: «Dedicado a Elliot». Este não é um filme sobre guerra; é uma memória, meticulosamente montada a partir de fragmentos, e endereçada a um querido companheiro de serviço que perdeu parte dos eventos daquele dia, estando inconsciente. É um lembrete de que existe uma realidade da qual não há como se desviar, como ao assistir a um filme.