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Em 3 de abril, 'A Morte do Unicórnio', novo horror satírico do estúdio A24, chega aos cinemas russos. Sobre em quem o estreante Alex Scharfman joga a pedra de seu desprezo, e também sobre o quão bom ele é nisso, leia em nossa resenha.

Na trama do filme 'A Morte do Unicórnio', Ridley (Jenna Ortega) acompanha seu pai Elliott (Paul Rudd) em uma visita à família oligarca Leopold, que fez fortuna produzindo e vendendo produtos farmacêuticos. O patriarca do clã, o idoso e gravemente doente Odell (Richard E. Grant), planeja passar o negócio como herança, e por isso convida o advogado para um encontro informal em sua propriedade. No caminho, os visitantes atropelam uma criatura que, por todas as características externas, lembra um unicórnio (e, de fato, é um).

Elliott levanta a hipótese de que o animal atropelado poderia pertencer à fauna ameaçada de extinção que habita a reserva natural. O casal não tem ideia melhor do que colocar o corpo do animal no porta-malas e levá-lo para a mansão. Quando os Leopold ficam sabendo do acidente de trânsito, eles requisitam a carcaça mágica para pesquisas científicas. Descobre-se que o sangue do unicórnio contém elementos especiais capazes de curar qualquer doença, desde acne adolescente até câncer em estágio terminal.

Capitalistas ávidos por dinheiro, já antecipando seu triunfo, decidem lançar a droga milagrosa no mercado. Ridley, citando tapeçarias medievais, faz tentativas fúteis de convencê-los de que não deveriam fazer isso. Na porta da mansão luxuosa aparecem os parentes unicórnios, insatisfeitos com o fato de os humanos terem matado seu filhote.

Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'
Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'

No filme de estreia de Alex Scharfman, como em qualquer outro zoológico-horror, o bichinho exótico com tendências canibais está presente na trama para expor os vícios da sociedade humana. Nos mesmos 'Tubarão' de Spielberg, o prefeito ganancioso de uma cidade turística, com sua recusa em fechar as praias, causou quase mais danos do que o tubarão maníaco que realizou uma missa sangrenta. Em 'A Morte do Unicórnio', a culpa pela série de assassinatos horríveis recai inteiramente sobre os humanos, e mais precisamente sobre os Leopold e o oportunista sem vontade Elliott.

O diretor do filme insinua claramente qual é a causa raiz da tragédia (ou melhor, da farsa homérica e engraçada) que se desenrola diante dos olhos do espectador. Claro, é o capitalismo, que se baseia na extração do lucro máximo, muitas vezes ignorando os 'custos'. Quando de um lado da balança estão riquezas incalculáveis e do outro o ecossistema, vidas humanas ou simplesmente o bom senso, os poderosos deste mundo preferirão escolher o primeiro. Em sua crítica ao sistema, Scharfman se mostra muito mais mordaz e radical do que até mesmo Bong Joon-ho com seu 'Mickey 17'.

Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'
Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'

A trama sobre o extermínio de animais devido às supostas propriedades curativas de seus chifres não surgiu do nada. Entre 2007 e 2014, a caça furtiva na região sul-africana, voltada principalmente contra rinocerontes brancos, cresceu 9000%. No mercado negro, seus chifres valem mais do que ouro e diamantes. Apesar de os cientistas já terem refutado há muito tempo o mito sobre a eficácia milagrosa dos medicamentos feitos a partir deles, o produto ainda tem alta demanda.

No horror cômico do estúdio, os portadores de chifres não são tão inofensivos quanto seus colegas reais no infortúnio e dão aos humanos uma resistência digna. Estes últimos, no entanto, não são dignos de pena. Até o primeiro assassinato, haverá tempo suficiente para você odiar os ricos parasitas locais. A propósito, a dinastia fictícia de farmacêuticos burgueses foi inspirada nos Sacklers, culpados pela crise dos opioides.

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Quando a família antagonista, percebendo a ambição da startup, fica extasiada, a personagem de Téa Leoni alegremente diz que não sentia algo assim desde o início dos anos 90, quando lançaram no mercado um 'medicamento com efeitos colaterais'. Trata-se do notório oxicodona. Aliás, o termo econômico 'Unicorn Company' surgiu na década passada. Esse apelido é dado a empresas novatas cujo valor de mercado é estimado em um bilhão de dólares.

Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'
Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'

Em 'A Morte do Unicórnio', o conflito de classes, como é comum nesse tipo de história, é mostrado através do contraste entre gerações. Ridley é a primeira a denunciar a estupidez e a ganância dos poderosos. Ela imediatamente percebe que a filantropia praticada pelos Leopold ajuda os oligarcas a limpar sua reputação. Minutos depois, os próprios espectadores confirmarão isso quando a esposa de Odell não conseguir lembrar para onde o dinheiro foi — para vacinação ou para evacuação de refugiados: as palavras são realmente parecidas.

Se a personagem de Jenna Ortega é a embaixadora da sensatez no filme, o que a torna simpática, seu pai, interpretado por Paul Rudd, é o emissário da covardia e do servilismo. Ele se humilha diante do chefe, esperando uma promoção. Para que Elliott não se sinta impotente e não fuja do trabalho sujo, os ricos o encorajam constantemente, pintando perspectivas de carreira e chamando-o carinhosamente de 'sócio'. O pai de vontade fraca também busca tirar proveito da confusão que ele mesmo iniciou por acaso. Ele motiva isso, é claro, com a preocupação com a filha.

No entanto, os capitalistas são capitalistas porque não vão compartilhar sua descoberta mágica com ninguém, exceto com cidadãos solventes, aqueles que chamam de 'as melhores pessoas do planeta'. Como nem a jovem Ridley nem seu pai sem espinha são capazes de conter os vilões, os unicórnios assumem a função de algozes. Os animais fantásticos invadem a mansão e começam a despedaçar as pessoas, pisoteando suas cabeças com cascos e liberando o conteúdo de seus corpos. Além disso, esses assassinatos são temperados com uma enorme quantidade de referências cinéfilas, que é um prazer reconhecer!

Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'
Cena do filme 'A Morte do Unicórnio'

Apesar de 'A Morte do Unicórnio' ser principalmente um estudo satírico em tons anticapitalistas, e bastante reflexivo, sua parte de entretenimento está em ordem. Alex Scharfman, de forma competente e nada de estreante, reúne um panfleto cínico, uma comédia negra e uma vinagrete sangrenta em um só, sem esquecer de adoçar esse prato com valores familiares, moral de conto de fadas e paisagens pitorescas. Sim, em alguns momentos a atuação pode parecer excessivamente grotesca, e as reviravoltas da trama, previsíveis e não totalmente realistas, mas magicamente você esquece esses defeitos assim que sai da sala.

'A Morte do Unicórnio' é mais um filme que diz diretamente ao espectador que não há champanhe para todos, e alguém (provavelmente você) terá que ficar com um copo vazio, como o personagem de Paul Rudd. É aí que reside seu principal valor!

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