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Contamos sobre cada um dos cinco projetos, classificamos do pior ao melhor, damos notas de quatro libras no sistema métrico e determinamos o que é um 'Royal com queijo' e o que é apenas um 'Cheeseburger'.

2025 deve entrar para a história por muitas razões, e a animação em longa-metragem, infelizmente, não é uma delas. Mas não devemos nos desesperar, pois ninguém tirou de nós as indicações de curtas do Oscar, que restaurarão a justiça histórica (o prêmio para Alberto Mielgo por O Limpa-Vidros), cruzarão uma raposa com Idris Elba (O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo), e enviarão uma versão feminina de Scott Pilgrim para explorar o mundo da corporalidade adolescente (Meu Ano de Paus).

5) Beautiful Men (Homens Bonitos) – Nicolas Keppens

O autor de Homens Bonitos, Nicolas Keppens, é mais professor e animador do que diretor e roteirista, portanto seu novo projeto é inegável na execução técnica do panóptico de feltro e plasticina, mas igualmente pobre e inexpressivo no aspecto narrativo.

O roteiro flutua no caldo primordial da dramaturgia de um ato do simbolismo europeu e do existencialismo ateísta de meados do século XX, e não tínhamos necessidade de usar esses termos até que o filme arbitrariamente passou a falar a língua das matérias 'elevadas'.

Homens Bonitos é a história de três irmãos que viajam para outro país para um transplante capilar. Ao chegar, um deles admite que enganou os outros, pois reservou apenas uma cadeira cirúrgica. Os irmãos passeiam pela Turquia noturna, brigam lenta e calmamente, e não se esquecem de mencionar Simone de Beauvoir em vão.

Ela disse que o gênero não é uma qualidade inata, mas adquirida. A habilidade de roteiro também vem com a experiência, então desejamos a Keppens novas conquistas criativas. Por enquanto, seus trabalhos servem fielmente como justificativa para animação de qualidade.

5,5/10

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Cena do filme 'Homens Bonitos'

4) Yuck! (Eca!) – Loïc Espuche

'Eca!' – grita a menina, cruzando os braços demonstrativamente, 'Que nojo!' – responde o menino, fazendo caretas e franzindo o nariz em indignação. Essas crianças acabaram de ver um beijo e prometeram solenemente uma à outra que nunca fariam coisas bobas de adultos.

6,5/10

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Cena do filme 'Eca!'

3) In the Shadow of the Cypress (À Sombra do Cipreste) – Hossein Molayemi

É estranho falar de favoritos óbvios entre as curtas de animação, mas se tivéssemos que fazer previsões, o primeiro na fila pela estatueta seria o filme de Hossein Molayemi. Há uma história especial que ele quer contar, e a animação parece recriada a partir dos moldes de A Tartaruga Vermelha de Dudok de Wit.

O estilo visual é ornamental, cada cor ocupa um lugar estritamente designado e não se mistura, e os personagens e objetos são como sombras colocadas perto de uma fonte de luz, com silhuetas lineares nítidas.

As figuras centrais da obra são a filha e seu pai, que sofre de TEPT. A curta não revestiu os ataques e colapsos em uma camada metafórica, mas os mostrou na prática: o homem constantemente pega em armas, causa ferimentos corporais a si mesmo e, em um acesso de raiva, pode prejudicar até mesmo um ente querido.

7,5/10

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Cena do filme 'À Sombra do Cipreste'

2) Magic Candies (Doces Mágicos) – Daisuke Nishio

Doces Mágicos não é nem de longe um filme independente. Foram necessários quatro anos e o trabalho dos funcionários da Toei Animation Co, controlada pelo gigante da mídia Toei Company, para criar o filme de 20 minutos. Isso afetou o resultado final? Provavelmente sim, pois Doces Mágicos pôde se dar ao luxo de um stop motion luxuoso (assim como outros dois filmes da lista de hoje), mas ao mesmo tempo não foi possível detectar o aperto de ferro da mão do produtor, nem a tendência a compromissos.

O menino Don-Don passa sua infância sozinho sob o controle do pai, mas um dia, doces coloridos e estampados aparecem em sua vida sem alegria. A criança rapidamente percebe que comê-los permite ouvir as vozes de objetos, animais e monólogos internos das pessoas.

O filme não desperdiça o potencial do conceito em piadas habituais, embora também lide bem com elas. Don-Don gradualmente descoisifica o mundo do isolamento apertado para estabelecer comunicação com seu cão fiel, entender seu pai de outra forma, olhar para a natureza metafísica do mar mortal e, claro, encontrar um amigo.

As descobertas emocionais do jovem herói são acompanhadas por inserções discretas do ensinamento wabi-sabi, bem como pelas conquistas caligráficas da escrita japonesa.

A estreia de Doces Mágicos ocorreu no Festival Internacional de Cinema Infantil de Nova York, o que não impede o filme de capturar a atenção de um público de todas as idades e, através das impressões digitais dos artistas no ambiente de plasticina, falar sobre a criança e sua maneira de compreender a realidade.

8/10

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Cena do filme 'Doces Mágicos'

1) Wander to Wonder (Vaguear para Maravilhar) – Nina Gantz

Os programas infantis de fantoches estão cada vez mais mostrando um lado nunca antes visto, e se na série 'Kidding' os fantoches apenas emolduravam o período de crise de Jeff Pickles (), na curta de Nina Gantz, sob fantasias volumosas e bobas, escondem-se pequenas pessoas – Mary, Billybud e Fumbleton.

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Seu criador e apresentador do programa morre repentinamente, deixando os atores chocados e despreparados para a vida em meio a um apartamento abandonado. Agora eles estão entregues a si mesmos, assim como o mundo está à sua disposição.

É importante entender que Mary, Billybud e Fumbleton representam a formação moderna do ser humano, criado no berço da cultura e que se despediu do princípio natural. A busca por paz e identidade está ligada a se debater no arquivo da memória pessoal e universal, então Mary revisita gravações antigas, Billybud reproduz infinitamente seu eu anterior, e Fumbleton recorre a monumentos da literatura mundial.

Em tudo isso, é impossível encontrar uma saída para a situação trágica, e o filme resolve o problema de forma bastante não trivial, rebaixando seus heróis aos estágios iniciais do desenvolvimento evolutivo. 'Vaguear para Maravilhar' não tem pressa em cobrir as manchas escuras, oferecendo ao espectador uma experiência concentrada de loucura hipertrofiada, mas cotidiana, de criaturas perdidas, viradas do avesso pelo destino.

8,5/10

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Cena do filme 'Vaguear para Maravilhar'

Conclusões

Após passar mais de uma hora e meia a sós com a animação de curta-metragem, podemos afirmar com segurança que ela perde para a de longa-metragem apenas em duração, mas não em qualidade. Uma experiência vívida, (quase) independente e concentrada certamente encontrará seu público, e a próxima cerimônia de premiação deve ajudar nisso.