
Pennywise, Annie Wilkes, o Homem da Lua, o gato Church e todos os outros... Recordamos as adaptações mais dignas, em nossa opinião, das obras do 'rei do terror'.
Amanhã, o terror cômico 'O Macaco', baseado no conto homônimo de Stephen King, chega aos cinemas russos. O filme agradou à crítica especializada. Alguns críticos chegaram a chamar a novidade de 'uma das melhores adaptações das obras do mestre'. Os membros da nossa equipe que já assistiram ao filme de Oz Perkins também compartilham dessa opinião, mas não é sobre isso agora. Não poderíamos deixar de usar um gancho tão grande e, por isso, decidimos compartilhar com vocês uma lista de filmes baseados nos livros do 'rei do terror' pelos quais somos apaixonados.
Se, ao listar os filmes favoritos baseados nas obras de Stephen King, não mencionássemos a primeira adaptação de seu primeiro romance, que foi o ponto de partida de sua carreira, essa lista certamente estaria incompleta. No centro da trama está a tímida e confiável estudante do ensino médio Carrie (Sissy Spacek). As colegas constantemente a intimidam na escola, e sua mãe, uma fanática religiosa, a pressiona psicologicamente em casa, repreendendo-a até pelas menores infrações. Ao mesmo tempo, ela descobre em si uma habilidade incomum: a telecinese. Os colegas, que planejam uma brincadeira cruel com a garota, nem suspeitam das consequências que enfrentarão.
Durante a maior parte do tempo, observamos a vida da protagonista. Isso cria uma atmosfera opressiva, condizente com o mundo cruel dos adolescentes. Bullying escolar, puritanismo religioso, alienação social — tudo isso poderia ser a base de um verdadeiro drama social. Talvez essa abordagem artística torne o filme ainda mais assustador ou, pelo menos, desconfortável. Embora hoje o filme de Brian De Palma possa parecer ultrapassado em muitos aspectos, ele ainda é capaz de provocar uma sensação de desconforto, mesmo que não nos espectadores mais experientes.
Uma minissérie reconhecidamente um tanto entediante, que em alguns lugares é assistida por inteiro — todas as três horas como um único filme. A ideia é louca, mas de certa forma revela novas facetas do cinema de Hooper. Tobe Hooper é um grande diretor, interessante pela forma como ele sente a matéria de suas histórias: durante 'O Massacre da Serra Elétrica', é fácil se sentir a protagonista na cena culminante, quando ela é forçada a encarar o mal de frente; na novela sobre o olho alienígena de 'Bolsa de Cadáveres', a cabeça gira com o constante engano da visão.
'A Hora do Vampiro' se encaixa logicamente nessa tradição: é um filme às vezes tão cansativo quanto a vida em uma cidade pequena, mas em momentos fascinante como uma loja de antiguidades que se abre inesperadamente, e, claro, assustador como o caixão de um vampiro (aliás, muito bem caracterizado) no porão daquela loja.
Muitas cenas de 'A Hora do Vampiro', não muito conhecidas hoje, influenciaram o cinema de terror na época, e o tema central — como o mal se espalha rapidamente assim que aparece — ainda não parece arcaico. Observar como o mal toma conta da cidade é interessante tanto como um exemplo de pânico moral, quanto como uma metáfora para epidemias muito mais reais e, em última análise, como um comentário atual sobre a vida de qualquer sociedade que acredita em sua própria virtude.
Jack Torrance (Jack Nicholson) chega a um hotel que se prepara para o sono morto do inverno. Os últimos hóspedes e funcionários partem. Os quartos vazios do requintado castelo — quase um organismo vivo — estão à disposição de Jack e sua família. Em meio a montanhas de neve infinitas, o herói fica preso durante todo o inverno. Os quartos vazios do Hotel Overlook, que guardam um segredo, rimam com os sombrios recantos do subconsciente do próprio Jack em uma ode solene às sombras.
A estética de 'O Iluminado' é composta pelo interior elegante do Overlook, pelas paisagens sombrias de inverno e pelo medo vivo que preenche tudo, externo e interno.
O componente psicodélico e assustador de 'O Iluminado' é calibrado com precisão matemática, como a famosa perspectiva de Stanley Kubrick. O filme está repleto de enigmas freudianos ou ecos da escuridão caótica do próprio hotel. Esse terreno misterioso gerou muitas teorias de vários graus de loucura: desde vídeos no YouTube da série 'Você não entendeu O Iluminado' até o documentário de Rodney Ascher.
Um thriller surpreendentemente tradicional para o diretor David Cronenberg, uma adaptação direta de um dos melhores romances do autor. Johnny Smith (o notável Christopher Walken), um professor de escola que, após sofrer um acidente e passar cinco anos em coma, descobre um dom de clarividência. Viver com isso não é fácil, e tomar decisões corretas é ainda mais difícil. É bom quando a previsão indica como salvar um menino, mas o que fazer se você aperta a mão de um político e vê que ele iniciará uma Terceira Guerra Mundial?
Muitos lembraram de 'A Zona Morta' durante a corrida eleitoral nos EUA, e isso é provavelmente característico. Não importa tanto se o presidente Trump se parece com o personagem de Martin Sheen — um político populista que promete tudo a todos imediatamente — ou não; o que importa mais é o desespero que impregna o último terço do filme. Como uma pessoa comum pode influenciar não apenas o curso da história, mas até mesmo eleições locais? Como alcançar os políticos? Johnny Smith dá uma resposta bastante definida e, por isso, muito triste.
Segundo o próprio Stephen King, ele considera o livro original o mais assustador de seus romances — e a adaptação está à altura. O filme de Mary Lambert não é apenas verdadeiramente assustador, mas também incrivelmente triste. Começando com um evento triste (infelizmente, comum no destino de muitos), a vida ideal da adorável família do Dr. Louis se transforma em um inferno. Mas culpar o protagonista por suas decisões só pode ser por seu grande amor pelos entes queridos e seu desejo de protegê-los da dor.
Certa ingenuidade, característica dos filmes dos anos 80, não atrapalha, mas apenas cria um contraste louco e terrível. O belo jovem casal interpretado por Dale Midkiff e Denise Crosby, seus filhos adoráveis brincando no gramado, a 'americanidade' impecável no espírito de Frank Capra, o caminhão vermelho, o vizinho sombrio (o inimitável Fred Gwynne), os flashbacks assustadores da infância da esposa do Dr. Creed — essas são imagens que ficam firmemente gravadas na memória.
Por muito tempo, foi difícil para mim imaginar um filme que pudesse ser odiado tão intensamente — não pela qualidade, mas por sua falta de esperança. Este não é apenas um bom terror que já se tornou clássico, mas também um drama que, pela força de sua tragédia, pode competir com a maioria dos outros representantes do gênero.
'Eu sou seu maior fã' — uma frase extremamente assustadora para uma pessoa com fama mundial. King conhece em primeira mão os fãs obcecados, capazes de enviar esqueletos de gatinhos ou um escorpião vivo para o escritor favorito. O que dizer, Mark David Chapman encontrou-se pessoalmente com Stephen King, elogiando-o. E um ano depois, matou John Lennon. Sim, isso também acontece.
Tudo isso levou o escritor a criar o romance 'Misery' (1987), e em 1990 foi lançada a adaptação cinematográfica homônima do livro, com a maravilhosa Kathy Bates no papel principal. A história não tem um subtexto fantástico ou um mal mundial na forma do palhaço Pennywise. Há apenas uma fã obcecada que teve a sorte de encontrar seu autor favorito aleijado. Como ela poderia deixar passar a oportunidade de mantê-lo como refém? É o que Annie Wilkes não sabe responder. E ela o pega em suas mãos, literalmente.
A tensão constante, a atmosfera opressiva e as cenas violentas da 'maior fã' fazem seu trabalho. 'Misery' não precisa de sustos para assustar o espectador; basta um espaço fechado e a impotência do protagonista. No contexto atual, o filme parece ainda mais relevante, pois a distância entre as estrelas e os fãs diminuiu significativamente devido à internet. Agora, qualquer um pode começar a tiranizar um ídolo famoso nos comentários, alimentando a paranoia. E nem precisa quebrar as pernas para isso.
'O Emagrecedor' não é o romance mais conhecido de Stephen King, e sua adaptação, dirigida por Tom Holland (não confundir com o intérprete do Homem-Aranha), raramente aparece em listas de melhores. Além disso, a adaptação cinematográfica recebeu críticas bastante baixas. Dificilmente se pode chamar o filme de assustador, e mesmo considerando a exibição de horrores corporais na tela, é duvidoso classificá-lo como terror. No entanto, gosto definitivamente do componente ideológico deste filme.
Por trás da história (quase uma parábola) sobre uma maldição cigana que recai sobre um advogado, um juiz e um policial corruptos, esconde-se uma crítica ao sistema judiciário mergulhado na corrupção. Por isso, no livro e no filme, a justiça é confiada a um barão cigano centenário. Em 'O Emagrecedor', pessoas acostumadas a resolver tudo com subornos enfrentam um possuidor de poder superior, que não pode ser subornado e não é tão fácil de intimidar. Em suma, a moral é extremamente clara: os pecadores, de qualquer forma, serão recompensados por seus atos.
Entre os méritos do filme, também podemos destacar o trabalho dos maquiadores. Se no início o protagonista, interpretado por John Burke, parece ter escapado de uma comédia americana idiota dos anos 80, perto do final ele se transforma em um esqueleto ambulante com pele esticada. E o próprio ator também se esforçou para transmitir essas mudanças: durante as filmagens, ele perdeu quase dez quilos.
O carinho com que Stephen King trata as adaptações de suas obras é bem conhecido de todos. O escritor não aceita quando os diretores que assumem a adaptação se desviam do original, mudando finais e características dos personagens. Assim, caíram em desgraça com o 'rei do terror' obras cult como 'O Sobrevivente' de Paul Glaser e o já mencionado 'O Iluminado' de Stanley Kubrick. No entanto, em alguns casos excepcionais, King está disposto a perdoar a liberdade dos cineastas.
Por exemplo, o escritor ficou encantado com a forma como Frank Darabont, que anteriormente dirigiu 'Um Sonho de Liberdade' e 'À Espera de um Milagre', reformulou o desfecho da história no filme 'O Nevoeiro'. Enquanto a novela original terminava com um final essencialmente aberto, onde o destino futuro dos heróis não era predeterminado, os últimos minutos do filme são um espetáculo emocionalmente devastador. E esse desfecho parece mais adequado em termos de dramaturgia do que o do livro.
No restante, 'O Nevoeiro' é uma adaptação bastante fiel ao texto original. É 100% uma 'obra de King'! Os principais monstros aqui, como de costume, não são aranhas gigantes ou criaturas com tentáculos, mas sim pessoas que, em condições extremas, estão prontas para acreditar em qualquer absurdo e, sob ordens de líderes carismáticos e sedentos de poder, cometer atrocidades.
O diretor Mike Flanagan já é considerado não oficialmente um dos melhores cineastas de terror do nosso tempo, bem como um dos melhores adaptadores dos romances de Stephen King (em primeiro lugar, claro, Frank Darabont). Assim como o livro original, o filme 'Jogo Perigoso' é um thriller psicológico intimista que, na verdade, não trata tanto de pesadelos e da sobrevivência de uma mulher acorrentada a uma cama, mas sim da luta contra demônios internos, da libertação das amarras de um casamento há muito desgastado e do (re)encontro consigo mesma como pessoa. O filme equilibra habilmente a atmosfera de terror, o drama e as reflexões quase filosóficas.
Apesar de os eventos ocorrerem em um único ambiente e toda a história girar em torno da personagem interpretada pela incrível Carla Gugino, o filme pode dar um show em muitos aspectos em termos de suspense, design de som e soluções visuais. Não há sustos, mas a sensação de horror paira no ar, e o que acontece em determinado momento faz duvidar se a personagem está consciente. Algumas cenas são filmadas como se estivéssemos observando alucinações; durante a exibição, acreditamos cada vez menos na realidade do que está acontecendo, e só no final a situação se esclarece.
Sim, em comparação com o romance de King, a premissa no filme se desenvolve muito rapidamente (em menos de quinze minutos), e algumas angústias e medos internos são descritos superficialmente. Em algumas cenas, Flanagan precisa explicar diretamente as metáforas e o simbolismo. Mas a duração do filme é de apenas 103 minutos. King, nesse aspecto, teve mais facilidade. Mike claramente se esforçou muito e fez uma boa adaptação, que demonstra claramente que espaço e tempo limitados não são um obstáculo, desde que os acentos sejam colocados corretamente no roteiro e o som e a imagem sejam usados com competência.
A novela sobre o fazendeiro James Wilfred, que matou sua esposa, ofuscada por adaptações de obras mais famosas de Stephen King. Ele jogou o corpo em um poço, onde imediatamente começou a ser devorado por ratos. A justiça oficial não tocou o fazendeiro — sem corpo, sem crime. Mas logo o fantasma de sua falecida esposa começou a aparecer para ele, e o próprio James começou a enlouquecer.
Um terror minimalista e severo que não agradará aos fãs de filmes de terror exuberantes com sustos obrigatórios que vivem em mais um porão. '1922' não se dispersa com o sobrenatural, mas se situa ainda mais próximo do drama, focado no homem e seus demônios internos. Não é à toa que o filme foi filmado pelo diretor de fotografia regular do diretor Taylor Sheridan, Ben Richardson. Sua ótica está sempre focada nos rostos ásperos de homens simples que enfrentam provações difíceis. Portanto, capturar o clima da verdadeira gótica sulista e das paisagens sombrias do milho que cresce por toda parte com sua mão leve é possível já desde os primeiros quadros.
E a principal estrela do filme é, sem dúvida, Thomas Jane ('Quinta-Feira Sangrenta'), que incorporou na tela a imagem do mal sem charme, mas ao mesmo tempo conquistou o espectador com a angústia mental após o assassinato cometido. Esta é uma história lenta e opressiva, no espírito dos romances de Dostoiévski, sobre como o criminoso, de uma forma ou de outra, não escapará da punição. E mesmo que a deusa Têmis não tenha nada a ver com isso, forças mágicas podem entrar em ação.
'It: A Coisa' funcionou tão poderosamente porque Andrés Muschietti não apenas adaptou King, mas tornou a história verdadeiramente viva e próxima do público. O 'Clube dos Perdedores' é o coração do filme: as crianças são tão reais que você realmente se preocupa com elas, mesmo que você mesmo já não seja mais adolescente. Em vez do conjunto padrão de clichês de terror, aqui há coisas mais assustadoras — bullying e problemas familiares. E, claro, o monstro assustador do esgoto não foi cancelado.
E o Pennywise interpretado por Bill Skarsgård é uma conversa à parte. Ele é ao mesmo tempo assustador e hipnótico, como se convidasse o espectador para seu próprio labirinto de medo. As cenas de susto funcionam perfeitamente: ora você se assusta com o aparecimento repentino do palhaço acenando com o braço arrancado de uma vítima, ora é envolvido por uma atmosfera de ansiedade. Mas o principal é que o filme não apenas assusta, mas também faz você lembrar de sua infância, da amizade e daqueles momentos em que você entendeu pela primeira vez que o medo pode ser vencido.
Comentários
0Ainda não há comentários.