
Enviamos valentines para nós mesmos com nosso top de filmes sobre amor próprio: de "Frances Ha" a "A Vida Secreta de Walter Mitty".
O Dia dos Namorados explode em marchas de doces e buquês, mas às vezes é muito mais valioso enviar um "valentine" para si mesmo – turbinar a autoestima e dar uma chance à solidão para se tornar amiga. Para todos que nestes dias preferem às comédias românticas uma boa dose de autodescoberta, reunimos uma seleção de filmes onde os heróis (e heroínas!) não se apressam em se jogar no turbilhão das paixões, mas escolhem o caminho para si mesmos.
«O Bebê de Bridget Jones» (Bridget Jones’s Baby, 2016)
Sim, também estou surpreso que a senhorita "Eterna Estranheza" abre nossa lista de manifestos cinematográficos de amor próprio. Mas quem melhor que a própria Bridget nos ensinará a aceitar todas as reviravoltas do destino – desde encontros fracassados até uma gravidez repentinamente descoberta?
Na terceira parte, essa britânica imperturbável começa, como sempre, com insegurança e leve pânico: um novo pretendente ou o velho e bom (mas também não sem questões) sentimento pelo Sr. Darcy? Só que a chave para a felicidade não está no "quem", mas no "como": Bridget percebe pela primeira vez que, ao longo dos anos de busca pelo "homem ideal", ela na verdade aprendeu a amar a si mesma – com todos os defeitos e saídas ridículas.
Talvez seja este filme que mostra que, mesmo que haja alguns candidatos à sua mão e coração ao seu redor, a escolha final não deve ser feita pelo príncipe, mas por você mesma. Em algum momento, Bridget, preocupada com o futuro dos relacionamentos, entende que é mais importante permanecer fiel a si mesma e aos seus planos. E mesmo que no final sua vida mude 180 graus novamente, o papel principal ainda será desempenhado por sua disposição para ser feliz – mesmo sem o conjunto de "babados e lágrimas cor-de-rosa".
«Lucy no Céu» (Lucy in the Sky, 2019)
Aqui vamos direto para o espaço – e não apenas literalmente. Lucy (Natalie Portman), ao retornar da órbita, fica um pouco "desconectada" da vida na Terra: comparado à grandiosidade do universo, os problemas mundanos parecem insignificantes. Mas o principal é que, ao voltar para casa, o casamento e o estilo de vida habitual pesam mais em sua alma do que um traje espacial na gravidade zero.
«Lucy no Céu» é um filme para todos que já sentiram que superaram os cenários habituais e ainda não têm certeza de como viver com essa descoberta. Na verdade, o romance também aparece (conexão cósmica, como poderia ser diferente?), mas no final Lucy escolhe o caminho arriscado, mas indiscutivelmente importante, da autoconsciência. Ela se recusa a se encaixar na confortável caixa de "esposa bem-sucedida", porque seu voo ainda continua – mesmo que não seja mais no espaço, mas nas profundezas de sua própria personalidade.
«Livre» (Wild, 2014)
Se você não está acostumado a sentir entusiasmo ao ver mochilas e trilhas empoeiradas nas montanhas, este filme pode facilmente mudar sua visão de mundo. Cheryl (Reese Witherspoon), afogando a dor em uma sequência de decisões não muito saudáveis, decide de repente embarcar em uma longa caminhada – sozinha, sem preparação especial, mas com um desejo desesperado de se encontrar. Sem amigos para ajudar, sem equipes especiais para montar a barraca – apenas ela e mil quilômetros de caminho pela Trilha da Crista do Pacífico.
«Livre» é uma pequena ode à união consigo mesmo, que mostra que às vezes a solidão pode costurar os buracos mais profundos da alma. Sim, ao longo do caminho, a heroína enfrentará momentos críticos – tanto físicos quanto emocionais – mas são eles que a ajudam a enxergar sua própria força. Enquanto outros buscam abraços calorosos, Cheryl vai para onde não há nada além da oportunidade de deixar para trás a pele velha e começar a vida de novo.
«Frances Ha» (Frances Ha, 2012)
Um esboço contemporâneo em preto e branco sobre como às vezes é melhor ficar a sós com seus sonhos do que receber amor "emprestado". Frances (Greta Gerwig) é uma dançarina leviana, incansável e ao mesmo tempo desconectada das realidades cotidianas, que murmura "mais ou menos vinte e sete" quando perguntam sua idade. E embora a vida da heroína pareça fantasticamente desastrada – sem trabalho decente, com dívidas e mudanças intermináveis de um apartamento para outro – na verdade ela não busca um príncipe rico, mas a oportunidade de se realizar sem compromissos.
Talvez a melhor parte do filme seja que Frances está envolvida precisamente com sua paixão pela arte, e as migalhas de histórias românticas pelo caminho não a param. Sim, pode parecer que ela é caótica, mas em seu caos a heroína se sente muito mais feliz do que se tivesse seguido o plano de alguém com um diamante obrigatório no dedo anelar. «Frances Ha» lembra suavemente: ser feliz sozinho não é pecado, e às vezes é a única maneira de encontrar a verdadeira vocação.
«Sob o Sol da Toscana» (Under the Tuscan Sun, 2003)
Não vamos negar, um filme sobre a Itália é sempre um pouco sobre amor, mas aqui o principal é o relacionamento consigo mesmo. Após um doloroso divórcio, a escritora Frances (Diane Lane) simplesmente compra uma villa desgastada na Toscana – apenas para curar as feridas emocionais. Mas em vez de encontrar um novo marido ou pelo menos um romance de verão, ela mergulha no processo sensual (e às vezes muito cômico) de restaurar a casa e, em geral, sua vida.
«Sob o Sol da Toscana» encanta pela habilidade da heroína em encontrar alegria onde antes só havia lágrimas – no próprio processo de melhoria e adaptação a um novo ambiente. Nesta história, o romance está no ar, mas a prioridade de Frances é aprender a valorizar a solidão e as obras-primas culinárias (a receita de massa caseira quase vem junto!), e só depois correr em busca do amado. No final, o verdadeiro amor pode vir como um bônus agradável à habilidade de viver em harmonia consigo mesmo.
Continuamos a linha do amor próprio como um aspecto importante da vida, mas agora com personagens masculinos em foco. Afinal, os caras também precisam dizer ao mundo: "Estou bem sozinho, obrigado!" Aqui não haverá peripécias românticas intermináveis (ou melhor, se houver, não serão o foco principal), mas sim tentativas dos heróis de se encontrarem.
«Amor sem Escalas» (Up in the Air, 2009)
Ryan Bingham (George Clooney) é um especialista de alto nível em... demissões. Ele viaja pelo país, vive com malas e sinceramente considera o aeroporto seu habitat natural. Parece simples: sem família, sem casa, mas com um monte de milhas bônus "douradas". Mas em algum momento Ryan começa a pensar se não está na hora de trocar sua existência por algo mais "sedentário".
No entanto, o filme mostra com sucesso que, para alguns, a solidão não é um diagnóstico, mas uma escolha consciente. Ao longo da história, Ryan percebe que é justamente o desapego de obrigações excessivas (e dramas cardíacos) que lhe dá verdadeira liberdade. Claro, o destino lhe dá alguns golpes sérios, e o herói testa suas convicções. Mas o resultado, como um avião no céu, sugere: às vezes o caminho para si mesmo passa pela zona de conforto da solidão.
«Na Natureza Selvagem» (Into the Wild, 2007)
Christopher (Emile Hirsch) decidiu: "Chega de aturar as convenções da sociedade, vou buscar a vida real". Chris parte em uma jornada pelos Estados Unidos, para no final ficar cara a cara com o severo e belo Alasca. Nessa rota, ele encontra pessoas diferentes, se inspira em ideias de liberdade e testa sua visão romântica da vida fora da civilização.
E sim, aqui não há enredo clássico de "seria legal se apaixonar e largar tudo". Pelo contrário, Christopher rejeita a ideia de organizar uma vida pessoal dentro dos limites da "normalidade", escolhendo a dedicação total aos ideais. Claro, a jornada do herói não promete uma idílio de 100%, mas grita: "Enquanto não nos conhecermos, nenhum relacionamento nos tornará completos". Um forte desafio tanto para a sociedade quanto para os próprios medos.
«Lars e a Garota Verdadeira» (Lars and the Real Girl, 2007)
Se você acha que ser introvertido é não ir muito a bares, Lars (Ryan Gosling) está pronto para mostrar um novo nível de reclusão. O rapaz tem tanto medo de contatos sociais reais que decide por uma opção "alternativa": encomenda pela internet uma boneca realista chamada Bianca, apresentando-a como sua namorada. Parece uma ideia maluca, mas é exatamente esse passo que ajuda o herói a sentir pela primeira vez que pode ser aceito como é.
Enquanto as pessoas ao redor (irmão, irmã, vizinha) seguram a cabeça, Lars passa por uma das metamorfoses mais calorosas e tocantes do cinema. «Lars e a Garota Verdadeira» acaba sendo uma história não sobre um amor excêntrico, mas sobre o caminho do herói para si mesmo, superando medos e aceitando a solidão como uma etapa onde se pode lidar com os "entulhos" internos. No final, a linha romântica no sentido usual fica em segundo plano – mas o "valentine para si mesmo" acaba sendo incrivelmente sincero e edificante.
«A Vida Secreta de Walter Mitty» (The Secret Life of Walter Mitty, 2013)
Walter (Ben Stiller) é um sonhador. Em vez de dizer na cara do chefe odiado tudo o que pensa, ele se refugia em aventuras imaginárias, onde é um herói, apaga vulcões e salta de helicópteros. Mas quando o destino (e a revista favorita) o pressiona, Walter é forçado a dar um salto real para fora da zona de conforto – e involuntariamente embarcar em uma viagem incrível em busca de um negativo de foto perdido.
Embora uma tênue linha romântica apareça na trama, o grande amor de Walter é, acima de tudo, pela sua própria sede de vida. Seu voo de helicóptero e corrida pelas paisagens islandesas não são para "conquistar o coração de alguém", mas para finalmente provar a si mesmo: eu posso ser aquele herói "louco" que sempre imaginei. E então a solidão, antes assustadora, se transforma em uma companheira alegre que dá liberdade para criar e explorar o mundo sem se preocupar com as expectativas alheias.
«La La Land: Cantando Estações» (La La Land, 2016)
Pare, você dirá: "Como assim, este é um dos romances cinematográficos mais bonitos da década!" Mas se cavar mais fundo, a história de Sebastian (Ryan Gosling) é sobre muito mais do que sentimentos pela brilhante Mia (Emma Stone). Seb sonha em abrir seu próprio clube de jazz e promover "música honesta", sem se render ao comercialismo e compromissos duvidosos. E no momento em que surge a chance de fazer uma turnê e ganhar dinheiro, o herói equilibra-se dolorosamente entre o amor e a carreira.
O detalhe é que ambos (Seb e Mia) fazem uma escolha a favor de seus sonhos, e não de um final feliz obrigatório a dois. No final, «La La Land» mostra como duas pessoas podem se inspirar mutuamente, mas cada uma segue seu próprio caminho. Sebastian prova que preservar a individualidade pode ser mais importante do que o conto de fadas clássico "felizes para sempre". E mesmo que a cena final aperte o coração, ela dá essa estranha sensação de libertação, quando cada um vai em direção às suas próprias estrelas.
Por que vale a pena assistir a todos esses filmes?
Eles nos ensinam um fato simples, mas raramente mencionado nos melodramas "baunilha": a solidão não é uma prisão, mas uma plataforma para florescer. Numa era em que qualquer "probleminha" é resolvido com mais uma "seleção de par", é especialmente valioso descobrir de repente que as pessoas podem ser verdadeiramente felizes sem obrigações românticas. Vamos assar biscoitos, preparar chá e passar esta noite com alguém especial – conosco mesmos. E esses filmes nos mostrarão que na solidão podemos encontrar muito mais do que em mais um "eles viveram felizes para sempre".
Compartilhe este "valentine" com os amigos e, quem sabe, dê a eles inspiração para o romance mais importante – o romance consigo mesmo. Quem sabe, no próximo ano, não faremos uma marcha coletiva de amor próprio, reassistindo a todos esses filmes e aproveitando como é bom estar a sós com nossos sonhos.
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