
Três anos depois, a plataforma Netflix lançou a tão aguardada continuação da aclamada série coreana «Round 6». A primeira temporada causou uma impressão indelével nos espectadores com sua crueldade, cenário original e jogos emocionantes nos quais os...
– a primeira série coreana a liderar o top 10 semanal dos programas mais assistidos na Netflix em todo o mundo. Ficou em primeiro lugar em 90 países, incluindo EUA e Reino Unido. Fora da Coreia do Sul, o streaming não investiu muito na promoção do projeto, e sua popularidade se deveu principalmente à disseminação viral nas redes sociais. Esse sucesso é um forte motivo de inveja em toda a indústria de cinemas online, já que em três anos nenhum projeto conseguiu se aproximar de um resultado semelhante.
Após a estreia estrondosa da primeira temporada, o diretor e roteirista Hwang Dong-hyuk enfrentou uma tarefa difícil. Primeiro, ele tinha que evitar a repetição a todo custo, algo pelo qual as continuações de séries são frequentemente criticadas. Em segundo lugar, era necessário superar as expectativas do estúdio, que já pareciam exageradas da última vez. Consciente da responsabilidade que lhe foi atribuída, Hwang Dong-hyuk entrou em depressão e estava pronto para desligar o telefone apenas para evitar falar com a Netflix. Isso não é surpreendente, já que o rascunho do roteiro da primeira temporada foi escrito muito antes do início das filmagens, em 2009, e os prazos para trabalhar na continuação eram bastante limitados. Mas agora ficou claro que os medos eram infundados, já que a segunda temporada também liderou os tops mundiais de audiência. De certa forma, pode até superar o interesse pelo início fenomenal da série, que ocorreu há três anos.
Após vencer a competição mortal, o jogador 456, Seong Gi-hun (Lee Jung-jae), vive com um trauma psicológico e gasta o dinheiro ganho na busca pelos criadores do jogo. Enquanto isso, o policial Hwang Jun-ho (Wi Ha-joon), que reconheceu seu irmão desaparecido no Líder mascarado que o feriu, não desiste de tentar encontrar a ilha misteriosa. Os caminhos de Gi-hun e Jun-ho se cruzam quando o primeiro encontra o recrutador dos jogos (Gong Yoo). Unindo forças, eles decidem parar os vilões juntos, mas para isso, o jogador 456 precisa participar novamente dos jogos.
Cuidado, o texto pode conter spoilers!
Na primeira temporada, o personagem do ator Gong Yoo não teve tanto tempo de tela, mas ele era tão querido pelo público que já no primeiro episódio metade da duração foi dedicada a ele. A motivação de seu personagem enfatiza a ideia da temporada de que as pessoas muitas vezes são culpadas por seus próprios problemas e tendem a confiar na sorte, em vez de usar oportunidades reais. Desta vez, a série afirma diretamente que está pronta para explorar novos aspectos de problemas sociais, o que já a torna única em muitos aspectos.

No primeiro ato, antes do início dos testes, o público é apresentado a uma personagem secundária. Mais tarde, descobrimos que ela é uma das carrascas de rosa que executam as sentenças. Isso adiciona intriga extra à trama e permite ver nas pessoas que concordam com esses papéis não apenas executores sem alma, mas personalidades com suas próprias características. Cada um deles tem sua própria motivação, que é uma escolha consciente ou causada pelas circunstâncias. A oportunidade de ver os bastidores dá um significado especial à segunda temporada e incentiva a continuar assistindo.
A série desenvolve o tema da escolha, iniciado no episódio sobre o recrutador, ao longo de toda a temporada. Agora os participantes têm a oportunidade de desistir da competição após cada teste. Isso leva a uma divisão em dois grupos dentro de sua camada social: aqueles que querem continuar os jogos e aqueles que não estão prontos para arriscar suas vidas. Os testes continuam toda vez que a maioria dos votos decide assim. Dessa forma, a série confirma novamente a tese demonstrada no primeiro episódio de que as pessoas tendem a confiar na sorte.

No centro da trama da segunda temporada estão personagens memoráveis que ajudam a revelar algumas ideias e destacam temas importantes. Por exemplo, «Round 6» aborda questões de tolerância, como no caso da personagem Cho Hyun-ju (Park Sung-hoon), ou valores familiares, quando uma mãe e um filho entram no jogo. O projeto também aborda o tema do serviço militar, ilustrado pelo exemplo do jovem fuzileiro naval Kang Dae-ho (Kang Ha-neul), que tenta parecer ameaçador, mas no fundo claramente não está feliz com isso.
Em um dos testes, os jogadores tiveram que se dividir em grupos de cinco pessoas. Durante a realização das tarefas, os participantes, estranhamente, começaram a sentir empatia uns pelos outros, o que vai contra a lógica da «batalha real». Este episódio, na verdade, proporcionou uma reviravolta na trama, declarando abertamente a ideia de união e criando um contraste com a primeira temporada, que demonstrava a natureza cruel do ser humano.

Infelizmente, não foi possível evitar completamente todas as repetições. Por exemplo, os autores costumam usar até os personagens mais brilhantes como material descartável, mas talvez isso se deva à necessidade de seguir o gênero cruel. Além disso, na continuação, como na primeira temporada, há um jogador 001 que acaba sendo o Líder, ganhando a confiança do jogador 456. A diferença é que agora nós (espectadores) sabemos disso com antecedência, e observar o comportamento e a psicologia dos personagens se torna duplamente interessante.
O final nos deixa com um poderoso cliffhanger, e no geral seria mais correto chamar esses sete episódios não de segunda temporada, mas de temporada e meia. A outra metade, os espectadores esperam ver já no verão (ainda não houve anúncio oficial), mas mesmo que a data de lançamento vazada não se confirme, não será necessário esperar três anos prometidos, porque a continuação certamente sairá em 2025. Resta ter paciência e esperar por um desfecho emocionante da história, mantendo o alto nível de produção estabelecido pelo diretor.
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