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Da sequência de 'Duna' ao triunfo de Yura Borisov – eis os 10 melhores filmes de 2024 em nossa opinião.

2024 no mundo do cinema foi um triunfo de sequências e continuações de franquias conhecidas. Mas além disso, testemunhamos o triunfo de atores russos no exterior, aguardamos ansiosamente o novo trabalho do mestre Clint Eastwood (que não decepcionou), ficamos impressionados com o duplo de Yorgos Lanthimos e mais uma vez nos encontramos em Arrakis.

A equipe do 'Depois dos Créditos' assistiu a mais de 100 filmes lançados nos cinemas ou online este ano e, por votação geral, escolheu os 10 melhores filmes de 2024. O primeiro lugar foi uma surpresa até para nós!

Dublês

10º lugar — 'O Dublê'

'O Dublê' é um belo filme sobre os bastidores do cinema! Pode não ser um filme excepcional, mas tem energia contagiante e um amor genuíno pelo cinema em todas as suas formas. Ao som de Kiss I Was Made for Loving You (o leitmotiv do filme), a narração prepara o espectador para duas horas cheias de amor e adrenalina.

Ryan Gosling se diverte à vontade, aparecendo na tela como um loiro barbudo desleixado, refletindo no carro ao som de Taylor Swift, sofrendo torturas de múltiplas tomadas por uma amada ofendida (uma forma peculiar de conversa franca), e se metendo em situações absurdas e perigosas. Enfim, Gosling novamente no papel de um homem enredado em circunstâncias estranhas por causa de uma garota...

Temperado com referências a 'Duna', 'Mad Max' e até 'Dumbo', com múltiplas telas e hits do rock, este filme é um filme sobre cinema, uma conversa bem-humorada e dramática sobre como o amor é mais forte que o medo.

9º lugar — 'Divertida Mente 2'

repete a trama do primeiro, ambos baseados no medo de ficar sozinho. E nos primeiros trinta minutos você fica sentado esperando algo interessante, já que novas emoções apareceram, algo deve acontecer. Nos trinta minutos seguintes você acena obedientemente, porque a ansiedade é bem você, e parece que você está sempre nesse estado. Depois você assiste com um olho e pensa se vale a pena pular. E então, nos últimos minutos do filme, Riley tem um ataque de pânico, e o efeito 'uau, era possível fazer isso?!' acontece.

Ansiedade e depressão — o fardo é pesado: resenha do filme 'Divertida Mente 2' (2024)
Evgeny Belousov
Ansiedade e depressão — o fardo é pesado: resenha do filme 'Divertida Mente 2' (2024)

Um dos filmes de animação mais aguardados do ano, 'Divertida Mente 2' do lendário estúdio Pixar, foi lançado mundialmente. Quão interessante é acompanhar o espectro expandido de emoções de Riley e

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Essa cena e como os personagens lidaram com as circunstâncias me fizeram reconsiderar minha opinião sobre o filme. Lembrei que os trabalhos da Pixar são, afinal, mais para adultos e sobre adultos. E também que não é vergonhoso lidar com seus demônios em qualquer idade.

O novo filme do lendário Clint Eastwood, 'Jurado Número Dois', já está disponível digitalmente. Mesmo em sua idade avançada, o mestre do cinema mundial conseguiu fazer um filme que pode competir com as obras de diretores mais jovens e ousados. Contamos por que este thriller sobre a imperfeição da justiça definitivamente merece atenção.

8º lugar — 'Jurado Nº 2'

Nicholas Hoult interpreta um cara comum, cuja esposa está prestes a dar à luz o tão esperado filho, e ele é convocado para ser jurado em um caso de assassinato de uma garota na estrada. Obviamente, o assassino é o namorado dela, já condenado várias vezes, e a promotora envolvida no caso já se prepara para uma promoção. Tudo se complica quando o personagem de Hoult percebe durante o processo que foi ele quem matou a garota — acidentalmente — e tenta ao mesmo tempo inocentar o inocente e não se entregar. Fazer a coisa certa, mas sem pagar o preço.

O essencial não é o enredo, mas os problemas morais que preocupam o diretor. Em outras palavras, o importante não é quem matou, mas quem está disposto a assumir a responsabilidade. O filme rapidamente se afasta das associações com o clássico drama judicial '12 Homens e uma Sentença' — Clint Eastwood está preocupado com as falhas do sistema de justiça, mas o nervo do filme reside na impossibilidade de seguir consistentemente um único conjunto de regras. Ser um bom sujeito e um bom cidadão ao mesmo tempo. Um bom promotor e um bom político. Uma pessoa digna e um marido correto.

Lugar para os velhos: resenha do filme 'Jurado Número Dois'
Evgeny Aniskovich
Lugar para os velhos: resenha do filme 'Jurado Número Dois'

O novo filme do lendário Clint Eastwood, 'Jurado Número Dois', já está disponível digitalmente. Mesmo em sua idade avançada, o mestre do cinema mundial conseguiu fazer um filme que pode competir com

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O problema da lacuna entre os papéis sociais preocupou Eastwood a vida toda. No ocaso de sua era (que desaparecerá com ele), o tema da impossibilidade de aderir a um único sistema de regras correto preocupa Eastwood não menos. Ele não pode ignorá-lo, não pode se afastar, mas não sabe como resolvê-lo. Para ele, a tragédia do mundo é que viver corretamente e viver bem são coisas diferentes. E aos noventa e quatro anos, Eastwood vê e mostra isso com clareza como nunca antes. 

Em 27 de fevereiro, um dos principais favoritos da corrida ao Oscar, 'Pobres Criaturas', do diretor grego Yorgos Lanthimos, chegou às telas digitais. O filme é elogiado por quase todos que o viram, mas até que ponto isso é justificado? Contamos em nossa resenha.

7º lugar — 'Pobres Criaturas'

permaneceram em nossos corações e nas páginas do catálogo do Festival de Cinema de Veneza não apenas pela atuação excêntrica de Emma Stone e pelo carisma de Willem Dafoe, mas também pela sátira inimitável e espirituosa, inserida no steampunk por meio do recurso de estranhamento.

Pussy Power: resenha do filme 'Pobres Criaturas' (2023)
Evgeny Belousov
Pussy Power: resenha do filme 'Pobres Criaturas' (2023)

Em 27 de fevereiro, um dos principais favoritos da corrida ao Oscar, 'Pobres Criaturas', do diretor grego Yorgos Lanthimos, chegou às telas digitais. O filme é elogiado por quase todos

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A estética do filme combina a pintura futurista-surrealista de Yaroslav Yasnikovsky com o sarcasmo negro pós-moderno dos romances de Anthony Burgess. A estilização detalhada e a intensidade característica do absurdo de Yorgos Lanthimos atingiram proporções incríveis, e os sonhos com texturas estranhas vão te assombrar mesmo em 2025.

Godzilla Minus One

6º lugar — 'Godzilla Minus One'

Marcando o septuagésimo aniversário da franquia, a estreia do novo filme sobre o monstro mutante japonês passou praticamente despercebida no cenário midiático russo. No entanto, após vencer o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, 'Godzilla Minus One' passou a ser visto não apenas como mais um filme da franquia Godzilla, mas como um filme independente capaz de atrair novos espectadores.

Um ex-piloto kamikaze retorna após o fim da Segunda Guerra Mundial para sua cidade destruída, onde não lhe restam família, casa ou amigos. Reconstruindo sua vida, ele enfrenta outras consequências da guerra na forma de culpa, transtorno de estresse pós-traumático e um lagarto radioativo gigante que pode destruir tudo novamente.

O principal mérito do novo filme é a combinação bem-sucedida de ação eletrizante e efeitos de qualidade com um orçamento modesto para os padrões de Hollywood, juntamente com uma história dramática que, infelizmente, assusta por sua relevância.

Queda do Império resenha capa

5º lugar — 'Queda do Império'

Como se diz, 'estamos aqui', num ponto onde uma parte das pessoas pensantes está tão cansada e furiosa que isso se tornou possível.

'Queda do Império': diretor da moda passa duas horas recontando tristemente as notícias
Ivan Kilyakov
'Queda do Império': diretor da moda passa duas horas recontando tristemente as notícias

Ainda em cartaz, pode-se ver o ocaso da civilização ocidental pelos olhos de um dos diretores independentes mais badalados da atualidade, Alex Garland. Sobre por que 'Queda do Império' é curioso

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Por mais estranho que pareça, esta é a obra mais 'acessível' e compreensível de Alex Garland, mas isso não tornará as coisas mais fáceis para ninguém. Como se sabe, o filme que Garland pediu a toda a equipe de filmagem para assistir é 'Vá e Veja' de Elem Klimov, portanto, a informação sobre o que espera o espectador é exaustiva.

É muito bonito, é muito assustador, é — o que é mais terrível — já muito familiar e doloroso. Wagner Moura é simplesmente incrível, e mais uma vez é uma pena que ele ainda tenha tão poucos papéis dignos de seu talento, Kirsten Dunst está ótima como sempre, Cailee Spaeny é uma maravilha, e Stephen Henderson é tocante e grandioso.

Parece que estamos todos irremediavelmente envenenados, mas queremos acreditar que há pelo menos uma pequena chance de permanecermos honestos, bondosos e amorosos — sem condições.

Anora 2024

4º lugar — 'Anora'

às vezes lembra um vampiro energético que vai sugar todas as suas forças até a última gota. Mas é mais uma sensação agradável do que o contrário. E simplesmente não dá para ficar longe do filme. Porque Sean Baker é um hipnotizador maravilhoso, que, no entanto, tem problemas com senso de medida.

Roubou o coração: como 'Anora' de Sean Baker reinterpreta a história da Cinderela
Masha Yuma
Roubou o coração: como 'Anora' de Sean Baker reinterpreta a história da Cinderela

Em 17 de outubro, 'Anora', vencedor do Festival de Cannes de 2024, chegou às grandes telas. O filme merece a Palma de Ouro, para quem Sean Baker filma e que tipo de

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Toda essa algazarra no Brooklyn com um elenco internacional (Yura Borisov é o nosso queridinho no próximo 'Globo de Ouro') pela sua energia louca lembra os filmes dos irmãos Safdie, e pela realização na tela, os filmes de Georgiy Daneliya, onde tudo é bastante triste, mas há espaço para gargalhadas homéricas e uma agitação cotidiana constante. 

Nessa qualidade, o gênero 'tragicomédia', há muito não mencionado, se encaixa perfeitamente no filme. Um filme muito barulhento, falante, alto, que solta faíscas e soluça incontrolavelmente. Um verdadeiro balanço emocional. O espectador parece experimentar todo o espectro: da diversão e irritação à felicidade absoluta por tudo isso ter finalmente acabado. 

E isso não é 'Cinderela', nem 'Uma Linda Mulher', nem mesmo 'Empregada de Luxo'. Nenhuma fantasia romântica sobre um príncipe encantado. Apenas cálculo frio e o aperto firme de uma provinciana que encontrou uma mina de ouro. Resumindo, pelo dinheiro, sim. Pelo dinheiro, sim.

Em 15 de outubro, foi lançado digitalmente o novo filme de animação da DreamWorks Animation, 'Robô Selvagem', baseado no livro de contos de fadas homônimo de Peter Brown. Contamos como essa história simples toca profundamente a alma e por que sua adaptação para as telas é uma verdadeira festa para os espectadores.

3º lugar — 'Robô Selvagem'

'Robô Selvagem' foi uma verdadeira revelação na animação, combinando maestria visual com uma história emocional profunda. A DreamWorks Animation mais uma vez elevou o padrão de qualidade, criando um filme que parece uma pintura viva. A animação complexa, mas orgânica, os detalhes dos personagens e as cenas da natureza fazem de 'Robô Selvagem' um dos eventos visuais mais impressionantes do ano.

E sua força também está na história tocante sobre autodescoberta, aceitação de responsabilidade e laços familiares. Os temas de amor, parentalidade e pertencimento, harmonia entre tecnologia e mundo natural são explorados. As reflexões filosóficas se combinam bem com dinamismo e acessibilidade. O toque final foi a trilha sonora e o trabalho com o som.

Bom humor, emoções sinceras, lições de vida – tudo isso é adequado para espectadores de todas as idades. E esses filmes de animação podem ser contados nos dedos. Uma obra reflexiva e emocionalmente rica, após a qual as pessoas saem do cinema em lágrimas. Isso fica na memória por muito tempo.

Duna: Parte Dois

2º lugar — 'Duna: Parte 2'

A principal sequência de um ano composto quase inteiramente por sequências, prequelas, spin-offs e remakes. O artbuster monumental e épico de Denis Villeneuve é uma prova clara de que mesmo um romance tão complexo como 'Duna' de Frank Herbert pode ser transformado em uma franquia de mídia de sucesso (com uma terceira parte anunciada e uma série prequela renovada para uma segunda temporada). Mas é preciso dar crédito ao diretor, pois apesar de todos os sacrifícios no roteiro que o livro sofreu, a duologia (em particular) ficou excelente.

'Duna: Parte Dois': opinião da redação
Roman Kovalev
'Duna: Parte Dois': opinião da redação

'Duna: Parte Dois' é um filme brilhante e controverso. Sobre como ele foi visto pelos membros da nossa equipe – neste material.

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Sem o amor que Villeneuve sente pela obra original e sem a lealdade dos chefes da Warner Bros., que nem todos recebem, dificilmente teria sido possível extrair um bom lucro de uma adaptação tão arriscada. É gratificante que a 'Duna' de hoje tenha conseguido conquistar espectadores e críticos, encontrando um equilíbrio entre cinema de entretenimento e autoral. Talvez não seja correto reclamar das discrepâncias com o livro, porque dificilmente teremos uma adaptação mais perfeita nas próximas décadas (se é que teremos alguma). Além disso, visualmente a obra é simplesmente magistral e não se quer tirar os olhos dela.

Ironicamente, em 2021, a primeira parte de 'Duna' também ficou em segundo lugar no nosso top final (embora na época o vencedor tenha sido um projeto menos duvidoso, mas esse é o destino dos rankings ordenados — diferir de nossas posições internas).

Não se pode fugir de si mesmo: resenha do filme 'A Substância' 2024

1º lugar — 'A Substância'

So smile!

Ficamos tão surpresos quanto vocês ao saber dos resultados da nossa votação interna. Mas, para ser justo, é improvável que alguém discorde que o body horror provocativo é um dos principais eventos cinematográficos de 2024. Pessoalmente, estou até disposto a classificá-lo como um fenômeno cultural.

Não se pode fugir de si mesmo: resenha do filme 'A Substância'
Anya Kulakova
Não se pode fugir de si mesmo: resenha do filme 'A Substância'

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2024, 'A Substância' foi lançado nos cinemas russos em 19 de setembro. Em nosso material, discutiremos a natureza do medo deste fil

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O filme engenhoso, cheio de energia e repleto de imagens visuais memoráveis (até demais) de Coralie Fargeat gerou uma reação intensa na internet. Alguns espectadores ficaram encantados, outros horrorizados, e outros ainda ganharam um trauma psicológico para o resto da vida. É muito raro que um horror de festival, dirigido por uma cineasta pouco conhecida, alcance tanta fama. 

A coragem da diretora, é claro, conquista antes de tudo. Por um lado, ela critica o male gaze e a indústria do entretenimento, mas ao mesmo tempo há ainda mais erotismo explícito no filme do que horror corporal. No entanto, também há bastante disso aqui: só a bacanal no final já vale! E, de modo geral, para levar todo esse espetáculo trash para Cannes, é preciso ter uma coragem incomum, mesmo que alguns anos atrás 'Titane' já tenha aberto esse caminho.

Além disso, a quantidade de referências e homenagens locais pode dar um êxtase cinéfilo! E, a julgar pelo fato de 'A Substância' ter liderado nosso ranking, ainda não nos recuperamos...

Quais filmes, na sua opinião, foram os melhores de 2024?