
O novo filme do lendário Clint Eastwood, "O Júri Número Dois", já está disponível digitalmente. Mesmo em seus anos avançados, o mestre do cinema mundial conseguiu fazer um filme que pode competir com as obras de diretores mais jovens e ousados. Conta...
O repórter Justin Kemp (Nicholas Hoult) vive uma vida comum: é feliz no casamento com sua esposa Alison (Zoey Deutch) e em breve será pai. O que ofusca esse evento tão alegre é uma intimação para servir no júri de um caso de assassinato de uma jovem (Francesca Eastwood). A acusação (Toni Collette) afirma que o crime foi cometido pelo namorado da vítima (Gabriel Basso), que naquele dia teve uma briga alta com ela no bar, enquanto o advogado de defesa (Chris Messina) tenta de todas as formas encontrar uma justificativa a favor do réu.
Ao se familiarizar com os detalhes do caso, Justin se lembra que naquela noite chuvosa atropelou o que pensou ser um cervo, mas não encontrou o corpo do animal, então foi para casa tranquilamente. Agora ele enfrenta uma difícil escolha moral: confessar o ocorrido e receber prisão perpétua sem direito a liberdade condicional, ou silenciar sobre o que fez, mas então uma pessoa inocente será presa.

Em seu quadragésimo filme, o diretor Clint Eastwood constrói habilmente um drama psicológico sutil, envolto em um processo judicial. O foco do diretor está em dois temas muito importantes: a justiça do sistema judiciário e os interesses humanos. Essas questões se entrelaçam e influenciam umas às outras. Desde o início, os policiais não querem procurar outros suspeitos e se apressam em encerrar este caso óbvio, enquanto os jurados se apressam em dar um veredicto de culpa para voltar às suas vidas cotidianas. Mas a premissa clássica, no espírito do filme "12 Homens e uma Sentença", deixa claro desde o início que a discussão não terminará tão facilmente.
Além de o protagonista ter que inclinar a balança a favor da absolvição, ele também precisa evitar suspeitas sobre si mesmo. Justin não consegue fazer um acordo com sua consciência, mas também não pode ir para a prisão, deixando sua esposa sozinha para criar o filho. Junto com o protagonista, o espectador também enfrenta um dilema psicológico complexo, que pelo menos uma vez ao longo da trama projetará a situação para si mesmo. Isso é um ótimo indicador de que Eastwood mais uma vez conseguiu criar um personagem pelo qual torcemos ao longo de todo o filme.

Uma contribuição significativa para a imagem do herói, que desperta simpatia, foi feita pelo ator principal Nicholas Hoult, que mostra perfeitamente em close-ups uma rica paleta de emoções apenas com os olhos. Sua aparência cria a impressão de uma pessoa amigável, da qual não se espera perigo ou problemas sérios, então a transformação do personagem ao longo do filme é realmente impressionante. Pode-se afirmar com confiança que o papel no filme "O Júri Número Dois" se tornará um dos melhores na carreira do ator.
Ao contrário de Nicholas Hoult, os outros membros do elenco não conseguiram desenvolver seus personagens de forma tão vívida e envolvente. Mesmo a talentosa Toni Collette não tem espaço suficiente para mostrar todo o seu potencial. Mas os que mais sofreram foram os outros jurados, que em grande parte são desprovidos de profundidade. Em algum momento, seus motivos internos se tornam claros, mas isso não vai além de uma representação superficial dos personagens. Na maioria das vezes, eles apenas cumprem seu papel funcional no filme, o que pode um pouco prejudicar a impressão geral da obra. No final, todas as imagens dos personagens secundários desaparecem em favor da dramaturgia. Isso é, por assim dizer, um preço necessário pelo equilíbrio na dinâmica da trama, que o diretor conseguiu manter até o final.

Clint Eastwood é definitivamente um diretor notável, pois mesmo aos 94 anos fez um filme que não deve passar despercebido. Por isso, é ainda mais revoltante o fato de a Warner Bros. não ter fornecido o número desejado de cópias do filme nos cinemas dos EUA. Dada a idade avançada, este é provavelmente o último trabalho do mestre, embora não tenha havido um anúncio oficial de aposentadoria. De qualquer forma, olhando para a incrível lista de seus trabalhos anteriores, percebe-se imediatamente que estamos diante de um clássico vivo do cinema sério de gênero. E no novo filme, Eastwood prova mais uma vez que está em excelente forma como diretor, e "O Júri Número Dois" é um filme que, embora sem grandes sofisticações, é certamente capaz de despertar um interesse genuíno no espectador.
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