
«Emilia Pérez» – são 10 indicações ao Globo de Ouro, vitórias em Cannes, presença obrigatória nos tops de filmes do ano. Entendemos qual é o segredo do sucesso do novo trabalho de Jacques Audiard e por que um francês fez o musical mais mexicano.
Se pessoas cantando e dançando repentinamente na tela te irritam, então «Emilia Pérez» não é para você, e nenhum texto vai te convencer de que este filme realmente merece atenção. Caso contrário – continue lendo.
Rita (Zoe Saldaña, uma mulher que canta nas situações mais inesperadas) é uma advogada que trabalha em uma empresa que defende mais os poderosos do que a justiça. Ela é procurada extraoficialmente pelo chefe do cartel Manitas (Karla Gascón). Mas não se trata de uma troca de documentos comum ou do que os advogados geralmente fazem para organizações criminosas. Juan quer deixar o mundo do crime e, ao mesmo tempo... se tornar mulher. Para isso, ele precisa de ajuda com a cirurgia e toda a transformação envolvida.
À primeira vista, parece um bom thriller criminal: uma advogada de sucesso em uma empresa duvidosa, uma proposta inesperada de um mafioso, conspirações, justiça e dinheiro. Mas quando o tema da transgeneridade entra em cena, o filme toma um rumo inesperado. E para completar, o filme é um musical!

Karla Gascón como Manitas/Emilia não só parece um ator excepcional (não se surpreenda quando ela levar o Globo de Ouro, ou até o Oscar, após a já conquistada vitória no Festival de Cannes), mas também literalmente se transforma em um personagem cuja luta por uma nova vida é tanto contra o mundo exterior quanto contra si mesmo.
O tema da transgeneridade aqui não é uma tendência, mas uma parte importante da metáfora: o processo de mudança de sexo se torna sinônimo de transformação do destino pessoal. Não é surpreendente que, nas cenas mais calmas e comoventes, o herói responda afirmativamente com lágrimas nos olhos à pergunta: "É realmente isso que você quer?"
Um dos aspectos mais memoráveis de «Emilia Pérez» são, sem dúvida, os números musicais. Até termos como "vaginoplastia" são cantados! Combinados com elementos criminais tradicionais, isso cria uma atmosfera única, mas às vezes parece que o material em si não está à altura da execução. Algumas cenas provocam risos e surpresa, outras, um sentimento de desconforto devido ao uso de estereótipos sobre mulheres transgênero.

Apesar das indicações musicais no mesmo Globo de Ouro, não há músicas realmente marcantes e memoráveis no filme. E isso é bastante estranho, considerando a quantidade delas e a aposta óbvia nesse componente.
Mas o que não falta são emoções. O termo comum "paixões mexicanas" ganhou popularidade em nossas latitudes graças às novelas mexicanas (e não só) que inundaram nossa televisão no final do século passado. Pois bem, essas paixões mexicanas estão em abundância no filme «Emilia Pérez», mesmo sendo do diretor francês Jacques Audiard. Se é amor, vai até sequestros com tortura; se é tensão, é de arrepiar os cabelos. E lágrimas. Rios de lágrimas.

«Emilia Pérez» não é apenas um drama criminal com toques de musical e temática transgênero. É uma história sobre autodescoberta, sobre a coragem de mudar o próprio destino e sobre como, mesmo nos cantos mais escuros, é possível encontrar luz. O filme faz refletir sobre até onde uma pessoa está disposta a ir por liberdade e felicidade, e quão importante é o apoio dos entes queridos nessa jornada.
Se você está pronto para experimentar e aberto a novas impressões, talvez este filme seja uma experiência interessante. Porque um coquetel tão louco nunca vimos antes. E ainda tem a Selena Gomez. Quem sabe, para alguns, esse fator seja decisivo.
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