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Nas bilheterias mundiais, a sequência do épico peplum de Ridley Scott, que ele concebeu lá em 2001. Sobre o que encanta e o que decepciona em 'Gladiador 2' — em nossa resenha.

211 d.C. Roma é governada por dois irmãos imperadores — o vaidoso Geta (Joseph Quinn) e o demente Caracala (Fred Hechinger). Ao mesmo tempo, o general Acácio (Pedro Pascal) toma de assalto a última cidade livre no norte da África. Após a captura da fortaleza, o comandante númida Hanoa (Paul Mescal), que perdeu a esposa, é feito prisioneiro e depois levado à arena de gladiadores. Ninguém sabe que Hanoa, cujo verdadeiro nome é Lúcio, é neto de Marco Aurélio e legítimo herdeiro do trono romano. Após uma espécie de exibição em forma de luta com macacos furiosos, ele é comprado pelo intrigante Macrino (Denzel Washington), que ganha peso político.

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Cena do filme 'Gladiador 2'

Quem quer que diga o que for sobre , é preciso dar-lhe o devido crédito: ele só assume projetos que lhe interessam, sem se importar com a opinião dos fãs ou os desejos dos chefões do estúdio. Os fãs da franquia 'Alien' não me deixam mentir. Mesmo considerando a qualidade ambígua de seus filmes nos últimos vinte anos, ele ainda é um verdadeiro criador de Hollywood.

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Essa abordagem, inerente a qualquer grande artista, merece respeito. E por isso 'Gladiador 2', apesar do orçamento robusto de 250 milhões de dólares, é um filme grandioso, mas ainda assim autoral. O filme com Russell Crowe não precisava de uma continuação. O final dramático, onde Máximo se reunia com sua família no além-vida, não sugeria nem mesmo um indício de desenvolvimento da história adiante.

Mas a sequência de 'Gladiador' não deve ser comparada com o mesmo . Embora Todd Phillips também tenha criado uma obra extremamente original, indo contra as expectativas da maioria, o surgimento desse filme foi impulsionado pelo sucesso de bilheteria do original, mas não pelo desejo do diretor. Aqui a situação é diferente: o próprio Ridley Scott, por mais de vinte anos, ardia de vontade de fazer uma continuação.

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Cena do filme 'Gladiador 2'
Cena do filme 'Gladiador 2'

Em 2024, ele finalmente chegou às telonas. E embora o filme tenha se saído bem nas bilheterias e também recebido uma recepção calorosa da crítica, não foi surpresa para ninguém que ele, como esperado, se mostrou mais fraco que o original. Dificilmente haverá alguém que esperasse um resultado diferente. E não se trata de 'Gladiador' de 2000 ser uma obra-prima impecável para todos os tempos (obviamente não é), mas sim de a sequência ser absolutamente secundária em relação a ele.

É difícil dizer a que mais se parece a continuação — se a uma cópia desbotada da primeira parte, criada literalmente nos mesmos moldes, ou a uma fanfic baseada nela. Ridley Scott montou 'Gladiador 2' segundo a fórmula favorita de Hollywood — 'mais do mesmo'. Até mesmo o arco do protagonista, à primeira vista, não sofreu alterações em relação ao filme original, mas não é bem assim.

Cena do filme 'Gladiador 2'
Cena do filme 'Gladiador 2'

Talvez o ponto mais fraco da novidade seja seu componente ideológico, e ele, imagine só, está presente, mas simplesmente não resiste a críticas. O herói de Paul Mescal, assim como seu avô Marco Aurélio, acalenta o sonho de uma república ideal com direitos iguais para todos. Essas mesmas convicções eram defendidas por Máximo, mas com a ressalva de que ele era originalmente um comandante romano que liderava uma guerra contra tribos germânicas.

Já Lúcio é capturado sendo um comandante dos 'bárbaros númidas' que se opõem ao império. Ao contrário do personagem de Russell Crowe, ele não é um refém das circunstâncias alheio ao poder, mas um oponente ideológico da própria existência de Roma. Enfatizo, não apenas dos dois governantes déspotas, mas dos próprios princípios sobre os quais seu estado é construído.

Cena do filme 'Gladiador 2'
Cena do filme 'Gladiador 2'

Portanto, a deriva do herói em direção ao reformismo mostrada no filme, mesmo considerando sua origem, parece no mínimo inadequada. Pergunta-se: então para que serve toda aquela agitação númida no início, para que todos esses discursos sobre a queda de Roma e por que sua esposa e líder-mentor morreram? Este último, aliás, é interpretado por um ator da série 'Spartacus: Sangue e Areia'.

O problema central do segundo 'Gladiador' é que ele quer parecer mais inteligente do que realmente é. Ridley Scott pega o motivo batido da 'escolha' e não faz nada com ele. O personagem de Paul Mescal já tem um trunfo na manga por direito de nascimento, e é exatamente essa circunstância que desempenha um papel decisivo no final, fazendo com que a referência ao icônico 'I am Spartacus' do filme de Kubrick pareça simplesmente obscena à luz do descrito acima.

Veja, por exemplo, , que lida com o mesmo tropo narrativo, aliás vindo da fonte literária, de forma muito mais elegante. Lá há tanto conflito interno quanto externo, relacionado à 'escolha' do protagonista. Já em Scott, a mudança de 'vou destruir Roma e não me importo com minhas raízes' para 'vou liderar Roma' ocorre da noite para o dia, sem sofrimento ou dúvidas.

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Cena do filme 'Gladiador 2'
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Mas se Mescal não tem o que fazer aqui, Pascal simplesmente não tem tempo. Seu personagem, aliás, é muito melhor escrito do que o protagonista, só que ele não tem tanto tempo de tela quanto gostaríamos. Isso transforma o general Acácio em portador de uma única função — dizer a Lúcio as palavras importantes no momento certo, para que ele troque a ira pela clemência.

O personagem mais interessante da sequência é Macrino, interpretado por Denzel Washington, mas toda a sua profundidade filosófica, como antagonista, se resume a uma única frase de Cícero, sobre o escravo que não sonha com a liberdade, mas com seus próprios escravos. E nisso reside todo o 'Gladiador 2': por trás de seu pathos, sempre se esconde a banalidade, e por trás do espetáculo, uma estupidez indescritível.

Cena do filme 'Gladiador 2'
Cena do filme 'Gladiador 2'

Como levar a sério um filme onde tubarões brancos nadam no Coliseu e um macaco é nomeado primeiro cônsul? Digamos que o último ainda possa ser atribuído a uma sutil referência ao imperador Calígula, que fez de seu cavalo um senador, mas como explicar esse absurdo com predadores marinhos, babuínos mutantes e cavaleiros em rinocerontes? Tudo é feito com foco no entretenimento, mas sem considerar o senso comum, e sobre a precisão histórica do que é mostrado na tela, é melhor calar...

Mas é preciso dar crédito à continuação: ela com certeza não é chata. Sim, é uma sequência legada absolutamente desnecessária, de certa forma parasitando o nome do original, mas ao mesmo tempo bastante eficaz e, convenhamos, às vezes empolgante. Mas se olharmos para o filme com um olhar imparcial e jogarmos fora a alegria de ver o fan service, será simplesmente impossível não notar os pontos cegos no roteiro, além de repleto de clichês.

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