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Estreia nos cinemas russos 'Armand', um drama norueguês dialogado sobre um escândalo entre pais devido a um incidente com seus filhos na escola. Nesta resenha, contamos como um drama escandinavo monótono se revela um filme emocionalmente eletrizante...

A atriz Elisabeth (Renate Reinsve) foi chamada do ensaio para a escola onde seu filho de seis anos, Armand, estuda. A mãe preocupada é recebida pela professora do ensino fundamental, e juntas esperam os pais do outro menino. Uma conversa difícil e tensa sobre o comportamento de Armand, suspeito de atos violentos contra o colega Jon, os aguarda. Mas quanto mais a conversa sobre o terrível incidente avança, mais óbvio se torna que, talvez, o problema não esteja nas crianças.

Antes de falar sobre o filme, é importante esclarecer que o diretor de 'Armand' é Halfdan Ullmann Tøndel, neto do próprio Ingmar Bergman. Apesar de Tøndel negar veementemente a influência criativa de seu parente, seu filme de estreia exibe um profundo psicologismo e um desejo de dissecar personalidades humanas — exatamente o que seu avô amava. Provavelmente, o talento é transmitido por genes nesta família; pelo menos, o júri do Festival de Cannes avaliou 'Armand' altamente, premiando-o com a 'Câmera de Ouro' (prêmio de melhor estreia na direção). Além disso, o filme é o candidato da Noruega ao Oscar.

Armand

No centro da trama está um escândalo causado pelas ações de um aluno contra outro, mas não vemos os meninos em cena. Afinal, os protagonistas aqui não são as crianças, mas seus pais. 'Armand' é um drama trágico sobre até onde sentimentos como inveja, ciúme e ódio podem levar uma pessoa. Os alunos do ensino fundamental são usados pelo diretor mais como um pretexto para discutir o quanto o mundo adulto está podre. E para os pais, seus filhos se tornam uma espécie de peões em um jogo desonesto e bastante cruel.

Globalmente, o filme não tem enredo: por duas horas, observamos pessoas trancadas dentro da escola resolvendo suas questões. Vamos ficar entediados? Nem por um segundo, pois 'Armand' lentamente, mas com segurança, nos suga para suas teias. A tensão no drama é criada em grande parte pelo uso do narrador não confiável: não entendemos quem está certo, quem é culpado, duvidamos e refletimos sobre como agiríamos no lugar dos personagens. A ausência de uma bússola moral e de um ponto de apoio na história causa desconforto, pois é difícil escolher o lado certo. No final, junto com a infeliz Elisabeth, vagamos entre diferentes andares e salas em busca de salvação e verdade.

Os heróis de 'Armand' se perdem em suas próprias mentiras, afundam na sede de vingança e escondem seu ego vulnerável por trás de agressão passiva. Tudo isso fala eloquentemente de sua fraqueza, que observamos no final. Além disso, não apenas os pais, mas também os funcionários da escola demonstram sua impotência, incapazes de resolver o conflito pacificamente. Eles cedem à pressão das circunstâncias e, em vez da verdade, começam a buscar conveniência, e em vez de ajuda, demonstram julgamento e crítica. Com tudo isso, eles atestam sua incompetência.

Armand

O diretor despeja sobre nós o peso dos segredos de família, da dor não expressa e do desespero. Além disso, 'Armand' fala conosco principalmente no nível das sensações, exibindo as emoções dos personagens, transmitindo seus sentimentos através de olhares e movimentos. Afinal, às vezes é tão difícil colocar em palavras o que está escondido na alma. E graças ao excelente trabalho dos atores, especialmente Renate Reinsve, nós mesmos experimentamos essa montanha-russa emocional.

A tensão é sentida não apenas nas palavras e entonações, mas também na própria atmosfera. Tøndel mostra visualmente o quanto o ar está quente, e o calor repentino lá fora é usado como um catalisador adicional para o escândalo. Apenas a tempestade no final lava a nervosidade e o cansaço dos heróis das brigas extracurriculares e traz a verdade à tona. Um método semelhante de interligar eventos e o mundo ao redor foi usado, por exemplo, no recente filme 'Eu avisei'.

'Eu avisei': o sol escaldante das grandes cidades
Varvara Ulianenok
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'Armand' é um filme sobre não tirar conclusões precipitadas, caso contrário, você pode pagar caro por isso, e os preconceitos sociais e pessoais podem pregar uma peça cruel em você. Os segredos de família podem até destruí-lo. O neto de Ingmar Bergman fez um cinema perturbador e emocional, mas ao mesmo tempo muito dialogado, que nos faz refletir sobre a relatividade da verdade e mergulhar mais fundo dentro de nós mesmos.

Armand

O drama norueguês 'Armand' estreou nos cinemas russos em 5 de dezembro, graças à distribuidora A-One.