
Em 28 de novembro, estreia nos cinemas russos um novo capítulo de 'As Aventuras de Paddington'. Sobre como ficou a continuação da franquia mais emocionante da atualidade — leia em nossa resenha.
Paddington (dublado originalmente por Ben Whishaw), agora um súdito britânico, viaja com os Browns para o Peru para visitar a tia Lucy. O motivo da viagem não planejada é uma carta da madre superiora (Olivia Colman) do asilo para ursos idosos. Ao chegar ao local, os heróis não encontram a mãe adotiva do urso. Eles partem em sua busca, tendo como guias o capitão Hunter Cabot (Antonio Banderas) e sua filha Gina (Carla Tous).

Algo está na moda, algo saiu de moda, mas algo é eterno. Isso se aplica à série de filmes sobre o ursinho Paddington. E este é um caso raro em que a estabilidade é realmente um sinal de maestria. É difícil acreditar, mas já se passaram dez anos desde o lançamento do primeiro filme. Claro, o filme do diretor Paul King não foi a primeira adaptação dos livros do escritor infantil Michael Bond (houve várias adaptações em séries animadas antes). Mas foi a adaptação live-action de 2014 que transformou Paddington de um fenômeno cultural puramente britânico em um fenômeno mundial.
A franquia sobre as aventuras do urso em Londres conquistou críticos e público. Brincadeira à parte, a segunda parte manteve por quatro anos o status de filme mais bem avaliado da história no agregador Rotten Tomatoes! Apesar de todo o charme do filme, conceder-lhe esse título é uma honra exagerada, mas, para ser justo, no segmento de cinema para toda a família, ele realmente não tem igual. As duas primeiras partes foram uma atração de entretenimento definitiva, cujo prazer de assistir pode ser apreciado por pessoas de todas as idades.

Os fãs tiveram que esperar longos sete anos pela terceira parte, embora a intenção de filmá-la tenha sido anunciada já em 2016. Durante esse tempo, a equipe criativa passou por algumas mudanças: o diretor da duologia, Paul King, e a equipe de roteiristas anterior saíram do projeto, e Emily Mortimer foi escalada para o papel da Sra. Brown no lugar de Sally Hawkins. Não que essas mudanças tenham afetado a qualidade do filme, mas em alguns aspectos a novidade difere dos filmes anteriores.
Se a segunda parte fazia uma elegante reverência a Wes Anderson (basta lembrar da cena de fuga da prisão no estilo de 'O Grande Hotel Budapeste'!), a terceira está repleta de referências às obras mais famosas sobre busca de tesouros — desde o 'Cruzeiro na Selva' da Disney até 'Indiana Jones' e a série de videogames Uncharted. Aliás, como nas aventuras de Nathan Drake, o tesouro no final acaba não sendo o que parece.

O ursinho e seus tutores britânicos não estão nem um pouco interessados em buscar riquezas incalculáveis — eles estão preocupados com o desaparecimento da tia Lucy. Ao ouvir que ela foi para a Rocha Rumi, onde, segundo a lenda, começa o caminho para El Dorado, um caçador de ouro atrapalhado interpretado por Banderas se junta a eles como companheiro de viagem. É com seu personagem que está relacionada uma das melhores piadas da terceira parte.
Acontece que Hunter pertence à dinastia Cabot, que por centenas de anos procurou a mítica cidade dos incas. Todos eles morreram sem encontrá-la, mas continuam vivos na imaginação do antagonista. O grupo é bem variado: desde conquistadores colonizadores até pilotas de teste. Todos eles são interpretados na tela também por Banderas. O filme tem até uma cena humorística inteira composta por episódios estilizados em diferentes épocas, mostrando os últimos momentos de cada um deles.

A madre superiora, interpretada por Olivia Colman, também ficou bastante peculiar. Que ela não é muito certa da cabeça fica claro desde o início. Sua alegria parece exagerada e suspeita. Lembro que na parte anterior, Hugh Grant se vestia de freira, e parece que isso já está se tornando uma tradição na franquia. Aliás, ele também aparece aqui, embora em uma pequena participação especial.

Quanto aos Browns, que acolheram o urso anos atrás, a longa ausência das telas afetou sua família. As crianças cresceram e estão se preparando para entrar na faculdade. A mãe está seriamente preocupada com o fato de que eles estão prestes a sair do ninho, e vê na viagem conjunta ao Peru uma oportunidade de uni-los novamente em um empreendimento comum. O Sr. Brown (Hugh Bonneville) concorda com a viagem à Amazônia para trazer mais risco à sua vida: é um clássico crise de meia-idade.

E o próprio Paddington continua extremamente encantador, educado e desajeitado. Ele ainda sofre de excesso de cortesia, conseguindo se desculpar até com os vilões enquanto foge deles. Seu carinho pela tia Lucy é comovente. O tema do retorno às raízes percorre toda a trama como um fio condutor. De volta à sua terra natal, o urso imigrante deve decidir onde é seu lugar — entre seus semelhantes no Peru ou na família Brown na Inglaterra.
Resumindo tudo o que foi dito acima, 'As Aventuras de Paddington 3', apesar da mudança de cenário e do aumento notável de escala, continua sendo a mesma maravilhosa atração cinematográfica, capaz de transportar o espectador para um mundo onde reinam o amor pela vida e o otimismo, que superam tudo em seu caminho. Isso é a tal 'magia do cinema'!
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