
Evitando o conceito de um típico resumo da 'Wikipédia' e mergulhando na atmosfera do caos criativo, 'Saturday Night' de Jason Reitman é uma carta de amor ao programa que o mundo inteiro adora há quase cinquenta anos e aos seus criadores.
Na trama de "Saturday Night", em 11 de outubro de 1975, no escritório da NBC na Rockefeller Plaza, o clima é, para dizer o mínimo, tenso: faltam uma hora e meia para a estreia de um novo programa noturno experimental, montado por uma equipe de jovens autores e comediantes liderados por Lorne Michaels (Gabriel LaBelle), e parece que quase nada está pronto.
Dessa noite depende o futuro de dezenas de pessoas, cada minuto conta (o espectador não é deixado esquecer disso, com relógios tiquetaqueando), alguns estão agitados demais e à beira de um colapso nervoso, outros caem na apatia, correções e ideias são feitas em cima da hora, e parece que nada de bom pode sair disso. E ainda tem Jim Henson (Nicholas Braun, incrivelmente no personagem), insistindo que os Muppets são coisa séria, George Carlin (Matthew Rhys), que está irritado com tudo, e uma lhama viva, John Belushi (o excelente Matt Wood) sempre sumindo em algum lugar, sem querer vestir a fantasia de abelha, enquanto a direção do estúdio constantemente coloca obstáculos, lembrando periodicamente aos jovens entusiastas que eles não são ninguém.

As emoções estão no limite, circunstâncias pessoais inevitavelmente interferem, alguém tenta dizer uma verdade inconveniente no momento errado, o tempo voa a uma velocidade louca, e só os tijolos no chão do estúdio são colocados infinitamente devagar. Tudo o que nos resta é espiar os bastidores dessa bagunça, esperando que, nessa situação aparentemente sem saída e louca, aconteça um milagre, e apesar de sabermos que ele vai acontecer, como em qualquer boa história, é impossível se desvencilhar disso.
Jason Reitman, que já dirigiu esquetes para o SNL, criou um tributo comovente e energético à criatividade em si — com um desfile de escolhas de elenco perfeitas, seu amor por esse programa e memórias (dos frutos do trabalho conjunto de seu pai, Ivan Reitman, com o mesmo Dan Aykroyd, que aparece no filme interpretado por Dylan O'Brien, e sua amizade de longa data, você já conhece muito bem).

"Saturday Night" é um filme imperfeito, como qualquer processo criativo. Alguns podem estranhar que a história sobre a criação de um programa que trouxe tanto riso a várias gerações nem sempre seja repleta de piadas. Há muitas referências à cultura pop que nem todos entenderão, e uma boa quantidade de eventos reais daquela noite foi suavizada. Mas é, de qualquer forma, uma história bonita e inspiradora sobre como muitas coisas maravilhosas e grandiosas foram criadas não apenas do nada, mas em momentos em que tudo e todos eram contra que elas acontecessem.
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