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No dia 7 de novembro, os cinemas russos receberão a comovente dramédia 'Pai do Ano' com Michael Keaton sobre as dificuldades da paternidade. Sobre o charme abrangente da novidade — em nossa resenha

Andy Goodrich (Michael Keaton) é o proprietário de uma galeria outrora famosa, mas agora deficitária, no centro de Los Angeles. Dizem de pessoas como Andy que são casadas com o trabalho e não percebem mais nada ao redor. E neste caso, não está longe da verdade. Quando sua segunda esposa Naomi (Laura Benanti) decide se internar em uma clínica de reabilitação para se livrar dos "comprimidos", o próprio fato da dependência da esposa é uma grande surpresa para ele. Durante a ligação, ela diz a Andy que está deixando ele.

Os fracassos caem sobre a cabeça de Goodrich um após o outro: o negócio de arte está à beira da falência devido à saída de artistas, o casamento está se desfazendo e os filhos acham que não recebem atenção suficiente. Ele não tem outra escolha senão pedir ajuda à sua filha mais velha, Grace (Mila Kunis). Na verdade, ela também precisaria de ajuda: está grávida e se preparando para ser mãe.

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

'Pai do Ano' é o novo trabalho de Hallie Meyers-Shyer, cineasta hollywoodiana de linhagem. Seu pai, Charles Shyer, é conhecido como autor de várias comédias românticas e familiares decentes, como 'Alfie, o Sedutor' com Jude Law, 'Operação Cupido' com Lindsay Lohan e a duologia 'O Pai da Noiva' com Steve Martin. A mãe de Hallie, Nancy Jane Meyers, é uma famosa roteirista, com indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar em seu currículo.

Esse parentesco não poderia deixar de influenciar o trabalho de Hallie. Até agora, sua filmografia tem apenas dois filmes — 'Visitando Alice' e 'Pai do Ano' — mas já se percebe uma certa tendência. Em ambos os casos, o cenário é a ensolarada Los Angeles, e o centro da trama são pessoas ligadas à arte. O motivo familiar também é comum em seus filmes.

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

'Pai do Ano' supera o filme de estreia de Meyers-Shyer em muitos aspectos: este último foi duramente criticado na época por falta de individualidade e roteiro fraco e superficial. O novo filme, lançado após um hiato de sete anos na carreira de Hallie, é muito melhor. A história pode, no mínimo, ser chamada de cativante e charmosa.

O protagonista interpretado por Michael Keaton sofre um colapso em todas as áreas da vida, ao que parece. Isso o leva a reavaliar suas prioridades. A pergunta 'Não é tarde demais?', que percorre todo o filme, recebe uma resposta natural no final: nunca é tarde!

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

Durante a estadia de sua esposa no centro de reabilitação, Andy Goodrich passa por uma espécie de terapia: começa a valorizar o que antes não notava, tenta passar mais tempo com a família, faz novas amizades. A trama de amizade com Terry (Michael Urie), pai de um colega de classe dos gêmeos, ficou especialmente tocante. A esposa o deixou, e agora ele é forçado a criar sozinho um filho com diagnóstico de epilepsia.

Terry é um pai extremamente emotivo, que às vezes tem dificuldade em conter as lágrimas quando se trata do filho ou da separação da amada. Andy, por outro lado, tenta com todas as forças não demonstrar seus sentimentos, embora, na verdade, isso também não lhe seja estranho.

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

Michael Keaton é o melhor deste filme. Após a performance infernal e louca na continuação de 'Os Fantasmas se Divertem' de Burton, é um tanto incomum vê-lo em um papel tão contido e triste. Ele, como se diz, rouba a cena com seu charme e sagacidade. O mesmo pode ser dito de Mila Kunis, uma atriz talentosa que frequentemente se mete em comédias B descartáveis.

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

Quanto ao componente humorístico, 'Pai do Ano' é uma dramédia com ênfase na primeira parte da palavra. Embora, é claro, haja alguns momentos engraçados, principalmente relacionados às ideias do protagonista sobre o lazer com os filhos. Goodrich não sabe como entretê-los, então escolhe 'Casablanca' de Michael Curtiz (respeito!) como filme para a noite, e no Halloween os fantasia de Frida Kahlo e Andy Warhol.

No entanto, a concentração de humor diminui visivelmente à medida que nos aproximamos do final, e o filme se transforma em um melodrama edificante. Hallie Meyers-Shyer puxa os fios certos da alma, provocando emoções fortes tanto no espectador quanto no personagem central. Mesmo assim, mesmo no final, a ação não se transforma em um dramalhão açucarado, em grande parte devido à dramaturgia de qualidade.

Cena do filme 'Pai do Ano'
Cena do filme 'Pai do Ano'

'Pai do Ano' é um filme extremamente aconchegante, capaz de alegrar uma noite após um dia difícil de trabalho, deixando um gostinho agradável. Claro, é improvável que os espectadores tenham um 'efeito uau' ao assistir, mas passarão quase duas horas na companhia do charmoso Michael Keaton e, talvez, queiram olhar para suas próprias vidas de outra forma.

Trailer: