
Do filme de ação com Henry Cavill ao épico de Martin Scorsese – assistimos a todos os filmes Apple TV+ e criamos um ranking.
O serviço de streaming Apple TV+ surgiu em 2019 e, nos 5 anos desde seu lançamento, já lançou sob o selo Apple Originals 32 longas-metragens, incluindo projetos de animação. Assistimos a todos e os classificamos: do pior ao melhor.

32º lugar – «O Céu em Todo Lugar» (The Sky Is Everywhere, 2022)
Uma adaptação comovente, pelo menos em conceito, do romance homônimo de Jandy Nelson conta a história de Lennon, uma garota que enfrenta o luto após a morte súbita de sua irmã Bailey. Jason Segel interpreta o tio de Lennon, que tenta ajudá-la a lidar com a perda, enquanto a própria heroína encontra consolo na música e em um amor inesperado por um colega de classe.
A diretora Julie Plec tentou criar um filme visualmente vibrante e emocionalmente intenso, contando uma história que equilibra a dor da perda com a alegria do primeiro amor. Mas o resultado é, por vezes, infantil, por vezes pouco convincente e, no final, simplesmente entediante. Além disso, a repetição dos mesmos pensamentos e cenas não torna o filme mais interessante. No entanto, ver Segel no papel do tio hippie ainda é divertido.

31º lugar – «Plano de Família» (The Family Plan, 2023)
«Plano de Família» é uma comédia de ação com Mark Wahlberg no papel de Dan Morgan, um homem de família aparentemente comum, mas com um passado sombrio como assassino de aluguel. Quando seus segredos obscuros começam a ameaçar a tranquilidade de sua casa, Dan é forçado a levar sua família, que nada suspeita, em uma viagem louca cheia de reviravoltas inesperadas e situações cômicas.
Ao misturar desajeitadamente elementos de ação e comédia, «Plano de Família» oferece ao público um olhar sobre como os segredos dentro de uma família podem afetar os relacionamentos de seus membros. No mais, é um enredo previsível, repleto de clichês, humor estranho e a atuação tradicional de Wahlberg.

30º lugar – «Ghosted» (Ghosted, 2023)
A comédia de ação «Ghosted», estrelada por Ana de Armas e Chris Evans, é uma história vibrante e dinâmica sobre amor e as reviravoltas do destino. O protagonista, Gabriel (Evans), se apaixona por uma misteriosa garota chamada Adrienne (de Armas) após o primeiro encontro. No entanto, quando ela desaparece repentinamente, ele decide descobrir o que aconteceu e parte em busca de sua nova amada, sem suspeitar do que o espera e dos perigos que enfrentará.
Os criadores do filme se perguntaram: «E se, em vez de uma donzela em perigo, tivéssemos um homem em perigo?» Ou seja, tentaram quebrar os clichês dos filmes de espionagem e tornar a heroína forte e o personagem masculino fraco, como se ninguém tivesse feito isso antes. Não se pode dizer que as interações entre Evans e de Armas geram faíscas na tela, mas graças ao ritmo acelerado e ao alívio periódico com piadas engraçadas (e nem tanto), o filme pode alegrar sua noite (mas isso não é garantido).

29º lugar – «O Espírito do Natal» (Spirited, 2022)
A comédia de fim de ano com Ryan Reynolds e Will Ferrell é mais uma interpretação da clássica história de Natal de Charles Dickens sobre fantasmas do passado. O filme conta como o Espírito do Natal (Ferrell) decide mudar a vida de um empresário arrogante (Reynolds) que não acredita em milagres. Juntos, eles embarcam em uma jornada mágica cheia de risos, descobertas inesperadas e... canções!
Tudo isso, que podemos chamar de quase-musical, visa criar uma atmosfera festiva e despreocupada. E Reynolds e Ferrell sabem transmitir humor melhor do que muitos. Dificilmente o filme se tornará um clássico natalino, pois a história em si é muito derivativa, mas se você não tem vontade de reassistir «Esqueceram de Mim» pela centésima vez, «O Espírito do Natal» pode ser uma alternativa razoável.

28º lugar – «Argylle: O Superespião» (Argylle, 2024)
Nesta comédia de espionagem com Henry Cavill no papel de um James Bond super-herói, o público recebe um coquetel de clichês do gênero, que às vezes são satirizados com sucesso, outras vezes nem tanto, além de uma infinidade de participações especiais de estrelas de vários níveis de qualidade (para cada Dua Lipa de madeira, há Sam Rockwell e Bryan Cranston talentosamente fazendo papel de bobo).
O filme de Matthew Vaughn, com a vibe de sua própria série Kingsman, conta a história do espião Argylle (Cavill), um personagem brilhante, mas fictício, criado pela escritora Elly Conway (Bryce Dallas Howard), que na verdade acaba sendo uma adaptação quase exata de um espião real (Rockwell), cujos casos são estranhamente incorporados nos livros de Elly. Assim, a própria garota se vê envolvida em um jogo perigoso de intrigas internacionais, vilões caricatos e todo tipo de situação absurda, ao som de hits altos e, por vezes, nostálgicos de anos passados. Infelizmente, «Argylle» não chega aos pés de Kingsman, nem mesmo dos filmes menos bem-sucedidos da série.

27º lugar – «Tetris» (Tetris, 2022)
O filme estrelado por Taron Egerton é uma história emocionante sobre o sucesso de um dos videogames mais populares do mundo de todos os tempos. O enredo conta como o vendedor americano Henk Rogers (Egerton) luta pelos direitos do jogo durante a Guerra Fria e a concorrência louca das corporações. Sua viagem à União Soviética para encontrar o desenvolvedor do «Tetris», Alexey Pajitnov (Nikita Efremov), rapidamente se transforma de uma viagem de negócios em uma história de sobrevivência e busca pelo máximo, apesar de tudo.
Claro, não poderia faltar o «exagero russo». Assim como as «perseguições» de Lada. Mas, no geral, o diretor Jon S. Baird criou um biopic dinâmico e divertido sobre paixão, luta e dedicação ao trabalho que inspira e cativa. Para informações mais precisas, é melhor consultar fontes biográficas sérias.
A primeira parte do filme, onde representantes da indústria de jogos tentam enganar uns aos outros na esperança de ganhar o cobiçado prêmio, é feita com maestria e prazer. O domínio do material é evidente. Mas assim que a história ultrapassa os limites das sutilezas jurídicas, começa o ingênuo exagero russo com discotecas neon, corridas de Lada e uma tentativa monótona de criar suspense na cena final em Sheremetyevo-2.

26º lugar – «Ladeira Abaixo» (Cherry, 2020)
Tom Holland interpreta Cherry, um jovem que passa por inúmeras provações, desde a faculdade até o serviço no Iraque. Ao voltar para casa com transtorno de estresse pós-traumático, ele enfrenta o vício em drogas e o mundo do crime, o que o leva a assaltar bancos.
O filme, dirigido pelos irmãos Russo, é ao mesmo tempo um drama criminal e uma tentativa de explorar a psique humana e as consequências da guerra. E Holland demonstra uma profundidade incrível (para seus padrões) em seu papel, mostrando como o amor e a perda podem mudar uma pessoa. Se não fossem as brincadeiras desnecessárias com a forma e a duração inexplicável, o filme poderia ter sido muito melhor.

25º lugar – «Dança Sagrada» (Fancy Dance, 2024)
O primeiro longa-metragem da diretora Erica Tremblay, «Dança Sagrada», é um drama familiar que levanta questões importantes sobre a vida dos povos indígenas da América. No centro da trama está Jax (Lily Gladstone), uma mulher com um passado complicado, que assume a responsabilidade de cuidar de sua sobrinha de 13 anos, Roki (Isabel Deroy-Olson), após o desaparecimento de sua irmã.
A heroína da convincente atriz Gladstone enfrenta os preconceitos do sistema, desafia-o, tenta manter a família unida e não violar as tradições de seu povo. E a atuação da atriz é o principal ponto positivo do filme (ok, também podemos adicionar ao crédito o colorido das tradições e línguas dos nativos americanos). Entre os problemas do filme estão sua previsibilidade e a unilateralidade de todos os outros personagens.

24º lugar – «Hala» (Hala, 2019)
«Hala» é uma história coming-of-age que narra a vida de uma estudante muçulmana que tenta encontrar seu lugar entre as tradições de sua família paquistanesa e os valores americanos modernos. A protagonista, Hala (interpretada por Geraldine Viswanathan), enfrenta conflitos internos relacionados à sua identidade cultural, sexualidade e às expectativas de seus pais.
Apesar dos momentos previsíveis (literalmente todas as reviravoltas são percebidas nos primeiros dez minutos) e das falhas no desenvolvimento do enredo, «Hala» se destaca entre filmes semelhantes por seu olhar único sobre a vida das garotas muçulmanas na América. É um filme que faz pensar sobre a importância de ser fiel a si mesmo em um mundo cheio de expectativas e estereótipos.

23º lugar – «Emancipação» (Emancipation, 2022)
«Emancipação» é um drama histórico estrelado por Will Smith, baseado em eventos reais da Guerra Civil Americana. Smith interpreta Peter, um escravo que foge de uma plantação na Louisiana e embarca em uma perigosa jornada para o acampamento de Lincoln, perseguido pelo cruel caçador de escravos Fassel (Ben Foster).
O diretor Antoine Fuqua fez um filme de perseguição, mas de uma maneira surpreendente. É terrivelmente lento e arrastado, e os raros episódios de ação são misturados com elementos dramáticos pouco originais, obviamente relacionados ao racismo e à crueldade da escravidão. Mas o carisma indiscutível dos atores Smith e Foster tira o filme dos pântanos da Louisiana e o torna digno de ser assistido.

22º lugar – «A Bolha de Pelúcia» (The Beanie Bubble, 2023)
Este drama cômico, baseado em eventos reais, mergulha o público no mundo da loucura em torno dos brinquedos colecionáveis dos anos 90. O filme conta como os icônicos bichinhos de pelúcia Beanie Babies se tornaram um fenômeno, enquanto nos bastidores se desenrolava uma luta por riqueza e fama.
Misturando elementos de comédia e drama, «A Bolha de Pelúcia» explora o tema da ganância e da paixão, mostrando como eles podem afetar as relações humanas. Embora o filme esteja longe de ser notável, é, no entanto, um olhar moderadamente envolvente e irônico sobre a cultura de consumo americana.

21º lugar – «Napoleão» (Napoleon, 2023)
A pergunta «Por que assistir a este filme?» nunca foi feita. Joaquin Phoenix como Napoleão Bonaparte já é um espetáculo por si só, do qual é impossível desviar o olhar. E na cadeira de diretor está o mestre dos épicos Ridley Scott. Quem mais, senão eles, para contar sobre a ascensão e queda do imperador francês com cenas de batalha e intrigas palacianas?
Mas há vários «poréns»: no centro do filme estão as relações pessoais de Napoleão com sua esposa Josefina, mostradas através do prisma de sua ascensão como imperador, mas falta-lhes faísca e profundidade; na versão teatral (vamos chamá-la assim), muitos momentos são amassados em prol do tempo de duração (que é abusivamente inflado em ambas as versões do filme); o filme carece desesperadamente de personagens marcantes, e o próprio Napoleão permanece um enigma.
«Napoleão» de Ridley Scott é um exemplo de como um único filme pode difamar o nome de uma grande figura histórica. Scott passou «a galope pela Europa» pela biografia de Napoleão, sem realmente explicar ou mostrar nada. Um filme chato, historicamente impreciso e, por vezes, até feio.

20º lugar – «Unhas» (Fingernails, 2023)
O drama romântico de ficção científica «Unhas», do diretor Christos Nikou, mergulha o público em uma realidade alternativa de um futuro próximo, onde é possível testar a compatibilidade ideal de um casal usando dispositivos especiais. A protagonista Anna (Jessie Buckley) começa a trabalhar no Instituto do Amor e conhece o carismático colega Amir (Riz Ahmed). O encontro deles faz Anna refletir sobre seus sentimentos pelo namorado Ryan (Jeremy Allen White).
Nikou, à semelhança de outro grego amante do absurdo, tentou criar uma tapeçaria tecida com ficção científica leve, tendências absurdistas e alguma nostalgia. Mas se em «O Lagosta» o autor não via limites rígidos para si, em «Unhas» sente-se o desejo de manter a história estritamente dentro dos limites das experiências emocionais de um triângulo amoroso, cheio de desejos silenciosos e insegurança. E há a sensação de que essa contenção prejudicou o filme, colocando-o no grupo de filmes promissores, mas no final não muito originais.

19º lugar – «Ponte sobre o Lago» (Causeway, 2022)
O drama intimista de Lila Neugebauer sobre o retorno de uma soldado da guerra e suas tentativas de se adaptar à vida civil. Jennifer Lawrence interpreta uma personagem complexa e ambígua, Lynsey, uma jovem que foi ferida no Afeganistão e que, antes disso, enfrentou traumas em sua família. Seu encontro com o mecânico James (Brian Tyree Henry) se transforma em uma amizade comovente entre duas pessoas solitárias tentando lidar com os traumas do passado.
O filme é lento e minimalista, mas cativa pela sua honestidade e atuação. Pode parecer até simples demais, mas nele se percebe, como um fio invisível, uma leve esperança de um futuro melhor, e isso é uma espécie de alívio que muitos procuram ao assistir.

18º lugar – «Peguem a Cerveja!» (The Greatest Beer Run Ever, 2022)
Esta comédia dramática estrelada por Zac Efron é baseada em eventos reais e conta a história de uma viagem louca feita por um americano simplório. O protagonista decide levar cerveja para seus amigos soldados na linha de frente durante a Guerra do Vietnã, o que leva a uma série de situações cômicas, dramáticas e comoventes.
O diretor Peter Farrelly ao mesmo tempo levanta questões importantes sobre a guerra e suas consequências em uma chave pacifista e entretém o público com episódios dinâmicos e esquetes humorísticas. «Peguem a Cerveja!» é, até certo ponto, uma história inspiradora sobre como ações simples podem ter um enorme significado e sobre como a verdadeira amizade não conhece fronteiras.

17º lugar – «Os Vigaristas» (Sharper, 2022)
O thriller criminal «Os Vigaristas», do diretor Benjamin Caron, mergulha o público nos bastidores secretos de Nova York, onde nada é o que parece à primeira vista. No centro da trama está uma complexa teia de enganos, onde as motivações dos personagens nem sempre são óbvias. E no comando de tudo isso está um elenco estelar com Julianne Moore em primeiro plano.
A combinação de um enredo cativante, dividido em novelas sobre diferentes personagens, uma imagem impressionante e atores talentosos faz de «Os Vigaristas» uma excelente escolha para os amantes de dramas criminais com reviravoltas inesperadas. E mesmo que às vezes possa parecer que, por um lado, os autores complicaram demais e, por outro, escolheram soluções simples, pelo menos o fato de você querer discutir este filme com os amigos já vale muito.
Apesar de toda a diversidade que o subgênero do thriller de aventura pode oferecer ao espectador, «Os Vigaristas» de Benjamin Caron ainda consegue ser algo único. Acima de tudo, o filme se destaca por sua estrutura: a história é dividida em novelas, nomeadas com o nome de seus personagens centrais, e cada uma delas flui logicamente da anterior. Assim, observamos uma espécie de ciclo de vigaristas na sociedade. Todos os personagens são guiados por apenas um princípio: o principal é o lucro. Eles não hesitam em trair até mesmo seus próprios cúmplices. Para dizer o mínimo, eles não se importam muito com a justiça social ou o bem-estar dos entes queridos. Eles querem enganar os ricos de Wall Street para ocupar o lugar deles.

16º lugar – «Sorte» (Luck, 2022)
O filme de animação «Sorte», do estúdio Skydance Animation, convida o público a mergulhar em um mundo mágico onde a sorte e o azar têm suas próprias formas e representantes brilhantes (por exemplo, a sorte é representada por adoráveis leprechauns). A protagonista, uma garota chamada Sam, entra no mundo dessas criaturas e decide encontrar um centavo mágico que traz sorte para sua amiga do orfanato, que sonha desesperadamente com uma nova família.
O filme é cheio de cores vivas e piadas espirituosas, o que o torna ideal para assistir em família. E é uma história instrutiva sobre como é importante acreditar em si mesmo e na sua sorte, mesmo quando tudo dá errado.

15º lugar – «Palmer» (Palmer, 2021)
Drama emocional estrelado por Justin Timberlake, «Palmer» conta a história de um ex-presidiário que tenta recomeçar a vida. Seu encontro com um menino chamado Sam, que não se encaixa nas normas tradicionais da sociedade, torna-se um ponto de virada.
O filme aborda temas de aceitação e amizade, mostrando como duas pessoas, cada uma com seus próprios problemas, podem mudar a vida uma da outra. «Palmer» é uma história comovente sobre como é importante estar ao lado de quem precisa de apoio.

14º lugar – «O Banqueiro» (The Banker, 2019)
O filme «O Banqueiro» conta a história de dois empresários afro-americanos, Joe Morris (Samuel L. Jackson) e Bernard Garrett (Anthony Mackie), que na década de 1960 decidiram conquistar o mundo bancário e se tornar os primeiros banqueiros negros da América. Apesar dos preconceitos raciais da época, eles desenvolveram uma ousada estratégia de negócios, usando um homem branco como testa de ferro (Nicholas Hoult) para contornar a discriminação.
Obviamente, o caminho dos heróis para o sucesso é cheio de obstáculos e perigos que eles precisam superar para realizar o sonho. É igualmente óbvio que o filme levanta questões importantes sobre desigualdade racial, justiça social e o poder do dinheiro na América dos anos 1960. Mas, graças à apresentação dinâmica e envolvente do material, sua previsibilidade é habilmente mascarada.

13º lugar – «Leve-me à Lua» (Fly Me to the Moon, 2024)
Esta comédia romântica com Scarlett Johansson e Channing Tatum conta como o amor pode surgir nos lugares mais inesperados. Os protagonistas são a profissional de marketing Kelly (Johansson) e o diretor de lançamentos espaciais da NASA, Cole (Tatum), que trabalham na imagem da empresa que tenta pousar os primeiros humanos na Lua. Paralelamente, a personagem de Johansson se dedica a criar uma versão fictícia do pouso da missão Apollo 11.
«Leve-me à Lua» é um filme um pouco confuso, leve e, por vezes, comovente sobre sonhadores que mudam o mundo. E, nas entrelinhas, ele diz que não devemos ter medo de abrir nossos corações.
«Leve-me à Lua» é a maior descoberta do ano para mim. É um filme surpreendentemente multifacetado que consegue ser ao mesmo tempo um thriller de aventureiros, uma comédia romântica, uma sátira política e um drama comovente. Gostaria especialmente de destacar a atuação de Channing Tatum, para quem papéis tão versáteis são raros em sua filmografia. As cenas em que se menciona o fracasso da missão Apollo 1 são simplesmente de partir o coração.

12º lugar – «Raymond & Ray» (Raymond & Ray, 2022)
Este drama com elementos de comédia negra conta a história de dois irmãos, Raymond e Ray, que se preparam para o funeral de seu pai, com quem tinham um relacionamento complicado. Ao longo do caminho, os autores do filme refletem sobre como o passado pode influenciar nosso presente.
A dupla Ethan Hawke e Ewan McGregor é o coração e a alma do filme. Há muito humor e ainda mais dor no relacionamento de seus personagens. Eles buscam perdão e seu lugar em um mundo cheio de imperfeições. E é extremamente fascinante observar isso.

11º lugar – «Canto do Cisne» (Swan Song, 2021)
O drama de ficção científica intimista e melancólico «Canto do Cisne», estrelado por Mahershala Ali, é construído inteiramente sobre a força da atuação e a profundidade emocional do personagem. O vencedor do Oscar interpreta de forma convincente Cameron, um dedicado homem de família e talentoso designer, que descobre que morrerá em breve de uma doença neurodegenerativa. Em busca de uma maneira de proteger sua família da dor, ele procura secretamente uma empresa de biotecnologia que oferece cloná-lo e transferir todas as suas memórias para o clone, permitindo que ele ocupe seu lugar na vida sem o conhecimento de seus entes queridos.
O filme do diretor Benjamin Cleary levanta questões éticas complexas, mas não cai na didática. O roteiro, embora um pouco derivativo, transmite a luta interna de Cameron, que luta não apenas com a moralidade do maior engano de seus entes queridos, mas também com a ideia de que sua família amará o clone, e não ele mesmo. Ali em dois papéis preenche cada cena com emoções profundas, elevando um filme mediano a um nível superior. Assim como o visual absolutamente deslumbrante.

10º lugar – «Os Instigadores» (The Instigators, 2024)
Nesta comédia criminal estrelada por Matt Damon e Casey Affleck, conta-se a história de dois criminosos que, após um assalto mal-sucedido, são forçados a se unir para sobreviver e sair da enrascada. Seu caminho é cheio de conversas sinceras de homens com crise de meia-idade, além de episódios vivos e dinâmicos com perseguições.
O diretor Doug Liman faz o público torcer pelos heróis e rir de sua falta de jeito. Uma das obras mais divertidas e animadas lançadas no Apple TV+.
Um filme sincero e engraçado sobre dois homens tristes com nomes alegres, que lembram pseudônimos de circo — Cobby e Rory. O diretor de filmes de ação masculinos, Doug Liman, conseguiu se mostrar um bom letrista, e ainda com um excelente senso de humor. «Os Instigadores» é como se fosse sua declaração profundamente pessoal sobre a tristeza masculina e a solidão melancólica, que pode se transformar em um filme paradoxalmente fofo e engraçado.

9º lugar – «Flora e Filho» (Flora and Son, 2023)
O filme de John Carney é a história de uma mãe solteira e uma verdadeira odisseia musical, comovente até o fundo da alma. Flora, interpretada por Eve Hewson, tenta melhorar o relacionamento com seu filho rebelde Max e encontra um hobby — tocar violão. Esse processo se torna não apenas uma forma de aproximação, mas uma verdadeira terapia para ambos. Os sons da música penetram no coração, criando uma atmosfera de calor e esperança.
Carney, conhecido por seus filmes musicais, mostra mais uma vez como a melodia pode mudar a vida. «Flora e Filho» é uma história vibrante e edificante, onde cada acorde soa como um passo em direção à compreensão e ao amor. Sorrisos e lágrimas durante a exibição são garantidos.

8º lugar – «Greyhound» (Greyhound, 2020)
«Greyhound» é um tenso thriller naval (quase um filme de ação!) estrelado por Tom Hanks, baseado no romance de C. S. Forester. Hanks interpreta o capitão Ernest Krause, que recebe o primeiro comando do contratorpedeiro USS Keeling durante a Segunda Guerra Mundial. Sua missão é escoltar um comboio de 37 navios mercantes através das perigosas águas do Atlântico, onde os aguardam submarinos alemães.
O diretor Aaron Schneider pega a agulha da tensão constante e literalmente a crava no espectador. Montagem dinâmica, cenas de batalha realistas que parecem não parar por um minuto — graças a essa abordagem, o filme não solta até os créditos finais. Embora o filme não se aprofunde nos personagens secundários, a atuação de Hanks e a transmissão magistral da sensação de ameaça militar constante fazem de «Greyhound» uma obra emocionante que homenageia a coragem dos marinheiros.

7º lugar – «A Tragédia de Macbeth» (The Tragedy of Macbeth, 2021)
Denzel Washington e Frances McDormand brilham nesta sombria e estilosa adaptação da tragédia de Shakespeare por Joel Coen (dirigindo sozinho pela primeira vez). Sem o componente épico, mas com paixões antigas. Não é uma obra-prima, mas é um filme vibrante e intransigente.
A paleta preto e branco e os cenários minimalistas, quase teatrais, criam uma atmosfera de mal primordial, perfeitamente adequada para uma história sobre sede de poder, traição e suas consequências. Washington e McDormand (quem duvidaria) são convincentes como o casal ambicioso obcecado pela profecia das bruxas (a atriz que as interpreta assusta de verdade). E se você também ama noir, talvez esta seja a melhor adaptação cinematográfica do texto shakespeariano lendário para você.

6º lugar – «A Gota d'Água» (On the Rocks, 2020)
Sofia Coppola, como só ela sabe, fez uma adorável comédia sobre o complicado relacionamento entre pai e filha. A bem-sucedida escritora Laura (Rashida Jones) começa a suspeitar que seu marido a está traindo. Seu excêntrico pai Felix (Bill Murray), ele próprio um notável playboy no passado, vem em seu auxílio. Juntos, eles partem em uma perseguição ao marido infiel pela noite de Nova York.
O filme é repleto de humor intelectual sutil, diálogos espirituosos e belas vistas da Big Apple. E a atuação de Bill Murray como o charmoso aventureiro lembra os melhores momentos da ilustre carreira do grande ator.

5º lugar – «Finch» (Finch, 2021)
Tom Hanks interpreta um inventor que sobreviveu a uma catástrofe global e decide construir um robô que cuide de seu cachorro após sua morte. Juntos, eles embarcam em uma perigosa jornada pela América destruída.
O filme de Miguel Sapochnik (ele dirigiu a lendária «Batalha dos Bastardos» em «Game of Thrones») levanta temas eternos de amizade, amor e sentido da vida. Hanks, como sempre, é convincente no papel de um homem solitário tentando encontrar seu lugar em um novo mundo. Uma história um tanto especulativa, mas incrivelmente comovente, sobre superar o medo e encontrar esperança, não deixará indiferentes os fãs de ficção científica com rosto humano, e também todos os outros.

4º lugar – «CODA: No Ritmo do Coração» (CODA, 2020)
«CODA: No Ritmo do Coração» é uma comédia dramática comovente sobre o amadurecimento, contando a história de Ruby, de 17 anos, a única ouvinte em uma família de surdos. A diretora Siân Heder cria um retrato vívido e emocional da vida de Ruby, que tenta encontrar um equilíbrio entre as responsabilidades familiares e seus sonhos. Ela ajuda os pais em seu negócio de pesca, enquanto desenvolve suas habilidades vocais e busca uma carreira musical.
O filme é baseado no filme francês «A Família Bélier» e se tornou um grande sucesso, ganhando três Oscars, incluindo o de Melhor Filme. Vale notar que os atores que interpretam os pais são surdos na vida real, o que confere ao filme autenticidade adicional. «CODA» não apenas entretém (é realmente um filme divertido!), mas também levanta questões importantes sobre família, identidade e superação de dificuldades.
Um filme sincero, bonito, simples em enredo, capaz de tocar e não deixar ninguém indiferente. Bastante realista e mostrando problemas que muitos nem imaginam.

3º lugar — «Cha Cha Real Smooth» (Cha Cha Real Smooth, 2022)
«Cha Cha Real Smooth» é um daqueles filmes independentes onde a sinceridade e o entusiasmo do autor transbordam da tela com uma energia incrível. O roteirista, produtor, diretor e protagonista Cooper Raiff criou uma comédia romântica de nova geração com técnicas óbvias de sucessos do passado, mas com uma nova ética, subtexto social, mas humor sem vergonha. Ao mesmo tempo, é uma ótima história de amadurecimento e autodescoberta.
No enredo do filme, um jovem que não consegue entrar na vida adulta conhece uma mulher experiente, Domino (Dakota Johnson), confusa em seus relacionamentos, e esse encontro faz com que ambos vejam o mundo de uma nova forma. Em seus encontros e diálogos, haverá constrangimento, simpatia mútua e o conforto que ambos sentem na companhia um do outro, apesar da diferença de idade e status social. E o mais importante — a esperança de que cada um dos heróis, assim como os espectadores, tenha, se não uma dança no ritmo cha cha cha, pelo menos uma chance de uma vida agradável.

2º lugar – «WolfWalkers» (WolfWalkers, 2020)
O filme de animação do estúdio Cartoon Saloon cativa com sua animação desenhada à mão única, no estilo de gravuras irlandesas. Mas por trás da bela imagem, esconde-se uma história emocionante sobre o confronto entre o homem e a natureza, sobre preconceitos e amizade. A menina Robyn, filha de um caçador de lobos, que faz amizade com a menina-loba Mebh, descobre para si e para o espectador um mundo incrível onde não há lugar para medo e preconceitos.
Este filme de animação é uma verdadeira festa para os olhos e a alma, que agrada tanto a crianças quanto a adultos. Não é surpresa que tenha recebido inúmeros prêmios e indicações, incluindo o Globo de Ouro.
O que é bom no trabalho de Tomm Moore? O contraste entre a complexidade dos temas abordados e sua demonstração. Usando imagens mágicas, o diretor descreve delicadamente a história sombria do extermínio do paganismo, dos princípios primordiais e das tradições da Irlanda pelos britânicos, que impunham ensinamentos cristãos. E mesmo apesar do distanciamento do mundo descrito em relação às culturas de muitos espectadores globais, é impossível resistir a uma história em que não há lugar para vulgaridade e ideais da modernidade. Os esboços são impregnados de liberdade, não há clareza de limites e, portanto, cada personagem é permeado por uma sensação de liberdade. E se isso não for suficiente, depois de ouvir a inspiradora «Running With the Wolves», será definitivamente impossível conter a alma dentro dos limites do corpo.

1º lugar – «Assassinos da Lua das Flores» (Killers of the Flower Moon, 2023)
Martin Scorsese retornou com uma história épica baseada em eventos reais, que mergulha o público no sombrio mundo de crimes e traições. Com Leonardo DiCaprio e Robert De Niro nos papéis principais, o filme conta sobre os misteriosos assassinatos de indígenas da tribo Osage na década de 1920, quando o petróleo em suas terras atraiu a atenção de pessoas gananciosas.
Scorsese cria magistralmente uma atmosfera densa e dramática, usando seus planos longos característicos e cenas detalhadas. O filme dura mais de três horas, mas cada momento mantém a tensão, fazendo o público torcer pelos heróis, enquanto emite um veredicto sobre os preconceitos raciais e a depravação humana.
«Assassinos da Lua das Flores» é uma tela cara de 3,5 horas de Martin Scorsese, talvez não o filme mais notável do mestre, mas certamente um dos melhores papéis na carreira de Leonardo DiCaprio (que foi injustamente excluído da indicação ao Oscar), uma descoberta triunfante para o mundo na pessoa de Lily Gladstone e um ótimo retorno da divisão de comédias categoria B para Robert De Niro. Só por isso já é possível amar «Assassinos da Lua das Flores». E, além disso, é mais uma prova de que Zhirinovsky estava certo, e o dólar é um papel verde sujo.
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