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Foi lançado nos cinemas uma releitura do filme cult de Alex Proyas «O Corvo». No que o diretor do novo filme apostou e como ele poupa o público — em nossa crítica.

Na trama do filme «O Corvo», uma garota chamada Shelley (FKA Twigs) recebe um vídeo misterioso no celular, que a obriga a fugir. Para se livrar da perseguição, ela propositalmente se depara com policiais, que a enviam para uma clínica de reabilitação para dependentes químicos. Lá, ela conhece um tatuado inconformista chamado Eric (). Em pouco tempo, os misteriosos perseguidores de Shelley encontram seu refúgio temporário e os heróis, que já se apaixonaram, fogem. No encalço deles, segue um perigoso grupo liderado pelo infernal Vincent Roeg (o ator Danny Huston com trejeitos do Woland de Bulgakov). Acontece que aquele mesmo vídeo enviado a Shelley de alguma forma incrimina os perseguidores, e decidiu-se eliminar o casal.

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Quando o plano vilão se concretiza, Eric tem a chance de ressuscitar. Com a ajuda de um corvo, ele parte em busca dos assassinos de sua amada.

«O Corvo»: uma melodia adolescente inspirada em «Romeu e Julieta»
Cena do filme «O Corvo»

Se o novo «O Corvo» fosse um filme comum de vingança, com atores modernos, belas cenas e heróis sem qualquer ligação com o ambiente do filme de 1994, a quantidade de ódio direcionado a ele seria pelo menos pela metade. O herói de Brandon Lee era um personagem de um conto de fadas gótico sombrio, uma espécie de Fausto com máscara de Pierrot no rosto, em cujo coração não havia tanto raiva e fúria, mas sim uma dor incessante pela perda da amada. Já o novo «O Corvo» é mais como «Romeu e Julieta» em uma atmosfera cyberpunk, com um pós-punk perfeitamente harmonizado com a imagem na trilha sonora, o que também não é por acaso.

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No «O Corvo» de Proyas, tocavam The Cure e Nine Inch Nails — bandas que exaltam raiva, medo e melancolia. Já no novo filme, foram substituídos por Joy Division e Foals, cujas músicas, no geral, falam sobre o mesmo, mas com um toque de tristeza adolescente. Essa decisão apenas fortaleceu o eixo central do filme «O Corvo»: adolescentes solitários e abandonados por todos, que se amam terna e apaixonadamente, na hora errada, no lugar errado. Essa receita funciona infalivelmente desde os tempos de Shakespeare até hoje. E é direcionada, claro, a um público jovem mais impressionável.

«O Corvo»: uma melodia adolescente inspirada em «Romeu e Julieta»
Cena do filme «O Corvo»

Portanto, zombar do clássico cult de Proyas não era a intenção do diretor do novo «O Corvo», Rupert Sanders, por mais que o acusem disso. O autor realmente reinterpretou a história de uma nova maneira, demonstrou sua visão criativa do quadrinho original com foco na geração digital. E ele conseguiu criar essa trágica melodia adolescente, com uma tentativa desajeitada e desnecessária de combiná-la com um filme de ação, cuja graça lembra abertamente um urso no baile. Até o enredo foi um pouco suavizado, novamente, em favor de Eric e Shelley.

O guia no limbo (Sami Bouajila) diz que a vingança consumada os ressuscitará a ambos, algo que, como lembramos, não existia no filme anterior. Aqui, Sanders também sente pena dos heróis e ainda tenta proteger o público sensível de traumas (os confrontos sangrentos aparentemente não contam). No final, tudo será diferente, claro. Mas cada um fica com o seu. Sim, há trevas devorando a cidade e as almas dos infelizes, mas disso é possível escapar. Tudo como em um bom conto de fadas. É uma pena apenas pelo corvo, que, ao contrário da versão de 1994, não ajuda Eric em nada. Mas fica bonito, entendemos.

«O Corvo»: uma melodia adolescente inspirada em «Romeu e Julieta»
Cena do filme «O Corvo»

Já Bill Skarsgård é definitivamente amado pela câmera. Tanto nos momentos em que sorri timidamente, sentado na reabilitação em um macacão rosa ridículo, quanto quando se cobre de sangue, esmagando a cabeça de mais um inimigo como o motorista anônimo de <a href="https://www.kinopoisk.ru/film/2767/" target="_blank" data-type="link" data-id="https://www.kinopoisk.ru/film/2767/" rel="noreferrer noopener">«Drive»</a> e quando, assustador e sombrio, caminha pela rua com um corvo no ombro. O alcance do artista está gradualmente se expandindo, ocupando cada vez mais espaço na tela. E Sanders explora isso com sensibilidade, porque a química com a cantora FKA Twigs, que interpretou Shelley, infelizmente, não existe. Por mais que o diretor tente inserir no filme muitas cenas piegas com beijos através da cortina ou banhos psicodélicos de ambos nas águas do limbo pós-vida.

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No entanto, «O Corvo» claramente não mereceu as críticas ferozes que recebeu após seu lançamento nos cinemas. Os admiradores de melodramas ingênuos e bonitos vão gostar deste filme. Já os fãs do filme com Brandon Lee é melhor apenas reassisti-lo mais uma vez. Com certeza encontrarão muitas novidades. A chuva não pode durar para sempre, mas «O Corvo» de Proyas viverá por muito tempo.

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