
'Alien: Romulus' é um verdadeiro presente e atração para todos os fãs da franquia. O filme combina com sucesso nostalgia e elementos modernos de terror, criando uma história de sobrevivência tensa e atmosférica.
'Alien: Romulus' é o tão aguardado retorno ao universo sombrio e tenso criado por Ridley Scott. Cronologicamente, os eventos do novo filme se passam entre o primeiro e o segundo filmes da franquia – 'Alien' (1979) e 'Aliens' (1986) –, mas não está diretamente ligado a nenhum dos filmes anteriores.
'Romulus' é um verdadeiro presente e atração para todos os fãs da franquia clássica. O filme combina com sucesso nostalgia pela trama original e elementos modernos de terror, criando uma história de sobrevivência tensa e atmosférica. Portanto, se há algo a criticar no novo Alien, é apenas pela sua secundariedade, mas parece que o projeto já pressupunha isso desde o início.
Sobre o que é 'Romulus'?
Um grupo de jovens colonizadores — Rain Carradine, Kay, Andy, Tyler, Navarro e Bjorn — se encontram em uma estação espacial abandonada. Enquanto exploram o local, eles se deparam com a forma de vida mais mortal do universo.
E não vamos entrar em detalhes da trama além disso nem recontá-la — então fique à vontade para ler a crítica, não haverá spoilers aqui. Compartilhamos apenas as impressões da sessão.
Mas primeiro, vamos passar pela história da criação de 'Alien':
- 1976: O artista suíço Hans Ruedi Giger cria uma série de pinturas surrealistas que impressionam fortemente o produtor Ronald Shusett.
- 1977: Shusett, junto com o roteirista Dan O'Bannon, desenvolve a ideia do filme baseada nos trabalhos de Giger. A ideia é o confronto da humanidade com uma terrível forma de vida alienígena.
- 1979: O filme 'Alien', dirigido por Ridley Scott, é lançado. O filme se torna cult e estabelece as bases para toda uma franquia.
O filme se tornou um clássico dos gêneros de ficção científica e terror, e o universo de 'Alien' continua a inspirar criadores de cinema e jogos até hoje.
Novo filme – novo diretor
Ao assistir ao filme, sente-se claramente a mão de um mestre do terror e suspense, conhecido por seus trabalhos em 'Evil Dead' e 'Don't Breathe'. Agora, em uma nave espacial abandonada, surgem várias cenas de gelar o sangue.
A própria preparação para as filmagens também impressiona. Os xenomorfos e facehuggers não apenas lembram cópias das criaturas do filme 'Alien', mas são visualmente dezenas de vezes mais realistas. O diretor de 'Alien: Romulus', Fede Alvarez, recria magistralmente a atmosfera de claustrofobia e desesperança característica dos primeiros filmes. E Alvarez usa o clássico de 1979 como ponto de partida não apenas para a trama, mas também para o próprio estilo do filme, prestando homenagem.
Felizmente, 'Romulus' não se tornou mais uma reinicialização ou remake com reprodução quadro a quadro de cenas. Em vez disso, conseguiu encontrar seu próprio estilo, apesar do espaço confinado da nave e da previsibilidade da trama.
'No espaço ninguém pode ouvir você gritar.' Lembra dessa frase?
É com silêncio absoluto, o espaço infinito, que sua sessão começará. A câmera se aproximará silenciosamente da nave familiar. Foi uma boa ideia começar o filme com ruídos técnicos e o despertar sonolento de computadores antigos. Até os próprios créditos iniciais imitaram completamente 1979. E não por acaso – pois a trama começa exatamente no ponto onde o primeiro filme termina. A nave espacial é destruída, e nosso xenomorfo fossilizado é levado a bordo de uma estação espacial.
A beleza e escala deste filme do mundo da ficção científica são invejáveis. A equipe do diretor destaca os elementos que tornaram os filmes originais e os conceitos de Michael Seymour tão inesquecíveis.
Vamos falar sobre a nave. É nela que se passa a maior parte da história. E ela parece fascinante: sabe-se que foram usados cenários em grande escala para interiores realistas. Os designers criaram modelos detalhados da nave, que depois foram recriados em tamanho real.
"Escolhi o que é melhor para esses caras e para mim: quando você embarca em uma aventura de fazer um filme, coisas devem acontecer no set para as quais você possa reagir, e eu posso filmar isso em cenários bastante reais", comenta Alvarez.
Do transportador enferrujado que leva o grupo até a estação, aos laboratórios, corredores, eclusas e poços de elevadores – temos muitas locações e espaços bem pensados e detalhados, onde houve um grande trabalho não apenas no aspecto visual, mas também na iluminação e no som. Por exemplo, as cenas com gravidade zero são pensadas não apenas fisicamente, mas também tecnicamente, o que adiciona realismo.
Para criar os movimentos e expressões mais realistas dos xenomorfos, foram usados modelos animatrônicos. Bonequeiros e especialistas em animatrônica criaram mecanismos complexos que permitiam que as criaturas se movessem, abrissem suas mandíbulas e até respirassem. Para algumas cenas, os atores vestiam trajes de xenomorfo que combinavam elementos de animatrônica e controle manual. Isso permitia maior flexibilidade e realismo. A computação gráfica foi usada para complementar os efeitos práticos, criar cenas mais complexas e melhorar os detalhes. Assim, as criaturas dos filmes 'Alien' continuam sendo os monstros mais sinistros da história do cinema.
E durante a sessão, não nos abandona a sensação de que sim – ainda estamos no espaço, ainda em um espaço confinado, e todos os heróis ao redor ainda estão em perigo. Se há uma cena de perseguição por uma criatura alienígena, ela realmente parece assustadora. E você nunca sabe se o personagem na tela vai sobreviver ou não.
E os fãs mais experientes notarão elementos familiares do videogame 'Alien: Isolation'. Aqui há checkpoints, troca de armas, filmagens de corredores em off, construção da trama, uso de locações – tudo evoca associações com o videogame.
Fede Alvarez não esconde que foi 'Alien: Isolation' que o inspirou a criar um novo filme de terror sobre xenomorfos:
"Alien: Isolation me fez perceber que eu gostaria de dirigir uma nova parte de Alien e assustar os fãs do universo. O jogo me mostrou que 'Alien' ainda pode ser assustador e relevante".
O que impressionou tanto Alvarez neste jogo e o que ele trouxe para o filme? O sistema único de salvamento. Lembra daqueles momentos em que você tinha que encontrar um telefone de parede, inserir um cartão-chave e esperar por sinais alarmantes? Era nesses instantes que o jogador se sentia completamente indefeso diante do perigo mortal. A combinação da velha e boa mecânica analógica com a atmosfera tensa da estação espacial criava uma sensação incrível de ansiedade. Cada vez que o herói vê esse telefone, o espectador entende: algo vai dar errado agora.
No entanto, 'Romulus' não se fixa em easter eggs e homenagens, e vai além, abordando novos aspectos da mitologia, mostrando, por exemplo, a evolução dos xenomorfos, suas habilidades e formas de neutralização.
O design de som arrepia a pele, especialmente se você assistir ao filme em telas grandes. Sentimos o rugido dos motores a jato, o guincho das criaturas impiedosas, o chiado do sangue ácido e o zumbido da nave. Os jumpscares funcionam perfeitamente aqui. É o som que leva o medo a um nível totalmente novo e envolve o espaço, fazendo você se encolher na poltrona. A música de Benjamin Wallfisch adiciona profundidade emocional ao filme e provoca arrepios familiares.
Agora imagine que 'Romulus' seria lançado originalmente no Hulu em vez dos cinemas! Isso teria sido um grande erro.
O verão do fanservice continua. E seu papel no filme é importante, pois os criadores conseguiram manter o equilíbrio: os espectadores ficaram agradavelmente surpresos com as aparições de personagens familiares ou referências a eles, que não causaram irritação devido à ilogicidade de sua aparição em cena.
Momentos de horror e bastante assustadores, repugnantes, que fazem você querer fechar os olhos, aumentaram muito. Queria ver novamente a cena do rompimento do peito? Aqui está, por favor. Em todos os detalhes e o mais próximo possível!
No entanto, o filme não tenta sobrecarregar o espectador com novas tramas e se concentra nos elementos clássicos da franquia: sobrevivência, confronto com a ameaça alienígena e a natureza humana. A história não tenta ser pesada ou confusa.
'Romulus' mistura cuidadosamente as ideias dos dois filmes, ocupando confortavelmente um lugar no meio. O filme parece fazer um acordo conosco: 'Nós o trouxemos de volta ao passado – fique à vontade'. Nesse momento, o espectador sente como se estivesse colocando óculos de VR e correndo pela nave junto com os jovens heróis.
O elenco deu conta? Com certeza, sim!
A equipe que vai para a estação abandonada desta vez é bastante jovem – eles têm apenas 20 anos (ou menos). Aqui há um conjunto completo de diferentes grupos, tanto por status social quanto por dramas pessoais variados. Basicamente, eles já sabem que vão morrer na colônia e decidem dar um passo desesperado para mudar suas vidas, na esperança de um futuro melhor. Seu entusiasmo e desejo de escapar, sobreviver, estão no máximo. Eles não têm nada a perder – não podem mais voltar para casa.
No centro da história está Rain, interpretada por Cailee Spaeny (como sempre, uma personagem feminina forte), uma garota vulnerável que apenas quer garantir uma vida melhor em outro planeta e permanecer humana apesar de tudo. Ela é uma sucessora digna de Ellen Ripley, mas não é uma cópia dela. A garota demonstra coragem, inteligência e compaixão. E se parece mais com uma garota comum que se vê em circunstâncias terríveis.
O sintético Andy já foi chamado de MVP de 'Romulus', e embora continue a tradição dos memoráveis androides Ash (Ian Holm) e David (Michael Fassbender), ele tem seu próprio 'tempero'. Sua atuação, ingenuidade infantil, são admiráveis, especialmente na interpretação de David Jonsson, que provavelmente veremos em projetos interessantes. Seu androide faz você acreditar que ele realmente não é humano.
A trama não ignora a corporação Weyland-Yutani, mostrando a exploração de pessoas nas minas, o que faz pensar ainda mais sobre como o fabricante de equipamentos médicos, equipamentos militares, naves espaciais, que participa ativamente da colonização de planetas, percebe as pessoas. Para a corporação, elas são mercadorias. E nenhum xenomorfo é necessário; a vida em condições terríveis já as extermina.
Resumindo: 'Alien: Romulus' não se tornou uma cópia de um dos maiores filmes de terror de ficção científica, mas serviu como o nascimento de algo novo. É um verdadeiro terror de ação que não se via há muito tempo.
Sim, as prequelas dos anos anteriores foram projetos ambiciosos que seguiram o caminho da mitologia e da filosofia. Como se diz, filmes não para todos. As pessoas querem entretenimento, pão e circo – é por isso que 'Romulus' vai arrecadar bem tanto nas bilheterias quanto na simpatia do público.
O diretor Fede Alvarez procurou trazer de volta essa sensação inesquecível de medo no espaço e retornar às raízes da franquia. E ele conseguiu.
Imagine que pedissem para descrever o filme em algumas palavras. Seriam: isolamento, espaço, sobrevivência, paranoia, xenomorfos e facehuggers, muitos, muitos xenomorfos e facehuggers.
'Romulus' é memorável, dá vontade de reassistir, e exige ser visto nos cinemas, em telas grandes, onde se pode apreciar plenamente sua escala e beleza. E o espectador despreparado e novo vai querer conhecer o original depois.
Se você é fã da franquia, especialmente do primeiro filme, então 'Romulus' definitivamente vale a pena assistir. Além disso, pela classificação, ele já entrou no top 3 filmes do universo Alien.
Agradecemos à Meloman Afisha pelo convite para a pré-estreia.
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