
Cage pode não ser um frequentador assíduo de filmes de terror, mas é um convidado frequente do gênero. Recordamos seus papéis marcantes — desde os que se tornaram cult até os desconhecidos do grande público.
Nos cinemas nacionais, estreou o aclamado slow-burner ‘O Colecionador de Almas’, que recebeu críticas entusiásticas da imprensa e teve um desempenho impressionante nas bilheterias. Neste filme, o papel do antagonista sinistro é interpretado por Nicolas Cage, cuja carreira, após um longo declínio, voltou a subir.
Por ocasião disso, convidamos você a conferir uma seleção dos nossos filmes de terror favoritos com a participação do grande, terrível e memético ator.
‘O Beijo do Vampiro’ (1998)

O roteirista do filme, Joseph Minion, já era famoso antes de ‘O Beijo’ pelo filme ‘Depois de Horas’. O filme cult de Scorsese era sobre as desventuras de um yuppie no mundo desconhecido da boemia e dos restaurantes noturnos. Em ‘O Beijo do Vampiro’, a história é novamente sobre um yuppie: desta vez, o agente literário Peter Loew enlouquece no trabalho que odeia, torna-se um vampiro e decide começar a beber sangue não só dos subordinados (embora, principalmente, deles). Cage neste papel é a estrela do filme e seu centro de gravidade. Ele exagera em cada cena, e aqueles episódios em que ele parodia, beirando o ridículo, ora Trump, ora o Conde Orlok, substituem a ação no filme.
No entanto, ‘O Beijo do Vampiro’ é um pouco mais do que um benefício do ator Cage. É um filme sobre tudo o que suga a vida das pessoas. O trabalho odiado, a impossibilidade de apego, as buscas idiotas por documentos antigos em arquivos mal organizados, o chefe detestado — tudo isso também são vampiros, nem um pouco menos do que Nosferatu.
A tragédia de Loew, no entanto, é que ele gostaria de beber o sangue alheio, mas o capitalismo tardio já faz isso com muito mais sucesso. No final, o personagem de Cage sofre mais do que faz sofrer, e só estraga a vida de sua pobre secretária. E para isso, em geral, nem é preciso ser vampiro — basta ir para um trabalho que se odeia.
‘Motoqueiro Fantasma’ (2007)

‘Motoqueiro Fantasma’ para mim é o que se chama de guilty pleasure. Quando o vi pela primeira vez na infância, ele me assustou muito. Mas ao mesmo tempo, fui imediatamente conquistado por Nicolas Cage se transformando em um motoqueiro esqueleto em chamas (isso nem existe!!!). Com o tempo, conheci os quadrinhos e percebi que o filme talvez não seja tão bom quanto ficou gravado no meu cérebro infantil. E então o Motoqueiro Fantasma apareceu em ‘Agentes da S.H.I.E.L.D.’, e pensei que, no geral, não era tão ruim no filme, afinal, o personagem na moto é claramente mais legal do que no carro.
Chegou aos cinemas mundiais ‘Velozes e Furiosos 10’, anunciado como a primeira parte do final, composto por dois ou três filmes, das aventuras da família Toretto. Sobre como a franquia encontra
Open materialO filme em si, claro, não reassisto há muito tempo, mas há uma boa razão para isso: não quero estragar minha impressão dele, como, por exemplo, com ‘As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl’. Portanto, que ele, por enquanto, continue na categoria de ‘filmes favoritos’. Talvez no futuro o público ainda veja outra adaptação cinematográfica do personagem com uma história e desenvolvimento mais envolventes, mas por enquanto Nicolas Cage segura firmemente a sela do cavalo de ferro em chamas (mesmo sem concorrentes, mas que diferença faz, não é mesmo?).
‘Pais Loucos’ (2017)

Uma ideia absurda, mas conceitualmente interessante, sobre um vírus que transforma pais em assassinos de seus próprios filhos — é o terreno perfeito para um terror cômico insano. O humor aqui, claro, é negro, mas por isso mesmo mais contundente.
O roteiro de Brian Taylor (metade da dupla que nos deu o igualmente insano ‘Crank’) não se preocupa em detalhar como e por que os pais enlouquecem de repente. O filme dura apenas 83 minutos, então não há qualquer exposição ou história de fundo. Em outras palavras, ignore a lógica durante a exibição de ‘Pais Loucos’ e apenas aprecie a criatividade dos autores em termos de ação.
A curta duração ajuda a manter um ritmo animado, e o estilo característico de Taylor, como ele filma, realça perfeitamente a loucura inexplicável na tela. A cinematografia selvagem combina com cenas extravagantes com Nicolas Cage e Selma Blair. Destaque especial para a segunda metade do filme, onde a batalha entre pais e filhos acontece no estilo de ‘Esqueceram de Mim’, se este fosse um representante do gênero terror.
‘Mandy’ (2018)

Um poema sombrio e feroz sobre vingança, onde cada quadro seguinte multiplica a loucura já permanente e a ultraviolência até o final. O papel de destaque de Nicolas Cage após um longo período de estagnação em memes e filmagens por dívidas. Aqui, tudo é belo e terrível ao mesmo tempo: Cage rosnando e ensanguentado, bebendo da garrafa só de cuecas, a atmosfera psicodélica dos anos 80 com película granulada e a vibe do terror barato da era Reagan, pores do sol carmesins sinistros, batalhas com motosserras gigantes, a trilha sonora lenta de Jóhann Jóhannsson e o sorriso constrangedor de Cage no final. Nesta cena, ele parece ter alcançado um outro nível, completamente sobrenatural, de loucura física na tela. Esse talento só pode pertencer a uma pessoa. E é Nicolas Cage.
‘A Cor que Caiu do Espaço’ (2019)

Se — ‘rei do terror’, então H.P. Lovecraft é o ‘imperador’! Só que há muito menos adaptações baseadas nas obras deste último do que do primeiro. O texto de Lovecraft, complexo, muitas vezes sobrecarregado de mitologia interna e descrições detalhadas de tudo, é realmente difícil de transportar para a linguagem do cinema. Se os terrores de King, apesar de tramas às vezes fantasmagóricas, ainda se voltam para medos terrenos das pessoas, fobias reais e gatilhos sociais, então o ‘horror lovecraftiano’, separado em um subgênero à parte, trata do medo do desconhecido, do cósmico e do que está além da compreensão humana.
Em 21 de setembro, foi lançado o documentário ‘O Universo de Stephen King’ — bem a tempo do aniversário do rei do terror. Contamos o que torna o trabalho sobre um dos escritores mais prolíficos interessante
Open material‘A Cor que Caiu do Espaço’, na minha opinião, é até agora a melhor adaptação de Lovecraft, e ainda por cima não muito distante da fonte original em termos de significados e conteúdo. A dupla criativa do diretor Richard Stanley e do produtor Elijah Wood conseguiu criar algo verdadeiramente assustador e ao mesmo tempo belo, no espírito e com referências ao ‘O Enigma de Outro Mundo’ de Carpenter. A escolha de Nicolas Cage para o papel central do fazendeiro Gardner também foi um grande acerto. Aqui, novamente, confiaram a ele interpretar um personagem que gradualmente perde a razão e cai na loucura. E ele cumpriu essa tarefa com ‘excelência’!
‘Terra dos Sonhos de Willy’ (2020)

O desejo de adaptar o jogo Five Nights at Freddy’s surgiu já em 2015, no entanto, antes do filme que trouxe de volta a popularidade da franquia no ano passado, houve outra tentativa de explorar animatrônicos sanguinários. Em ‘Terra dos Sonhos de Willy’ não há história de sequestro de crianças e seus espíritos em exoesqueletos, o filme não se faz de pós-terror com exploração da psique, ou seja, tudo o que tornava a visualização insuportavelmente chata, aqui não tem.
Foi lançado online e nos cinemas o terror ‘Five Nights at Freddy’s’. Sobre o filme e as consequências de assisti-lo – em nossa resenha.
Open material‘Terra dos Sonhos de Willy’ teria permanecido apenas mais um trash sangrento se o guarda noturno não fosse interpretado por Nicolas Cage. Seu personagem, que não pronuncia uma única palavra durante todo o filme, fura o pneu de um carro esportivo na beira de uma pequena cidade, mas, devido a um caixa eletrônico quebrado, é forçado a pagar limpando um centro de entretenimento familiar abandonado. Enquanto o novo faxineiro silencioso bebe cerveja, joga pingue-pongue e cuida de suas tarefas, os velhos animatrônicos ganham vida e começam a aterrorizar o herói. O carisma de Cage, aliado à simplicidade da trama, à imagem estilosa e à música, se encaixa perfeitamente em um slasher eficaz.
‘O Herói dos Nossos Sonhos’ (2024)

Pessoalmente, poucas coisas me assustam tanto quanto o ‘efeito de multidão’ — sua espontaneidade, inconstância — especialmente com o surgimento das redes sociais na forma como as conhecemos agora, assim como o dano físico presumível assusta o dano mental que a multidão pode causar, especialmente quando a pessoa não fez nada para merecê-lo.
E nesse sentido, ‘O Herói dos Nossos Sonhos’ é realmente um terror muito engenhoso (e engraçado!), que me parece ‘Um Homem Sério’ dos Coen encontrando ‘A Hora do Pesadelo’ de Craven, e se tudo isso fosse filmado por Michel Gondry e Charlie Kaufman. E é impossível imaginar alguém além de Nicolas Cage no papel de Paul, que parece nunca se repetir em sua maestria.
Comentários
0Ainda não há comentários.
Entre para participar da conversa.