
Está em exibição online a comédia "Thelma", na qual uma idosa decide lidar sozinha com golpistas telefônicos e recuperar seus próprios 10.000 dólares.
A idosa Thelma (June Squibb) vive uma vida bastante feliz na aposentadoria. Ela tem uma casa pequena mas aconchegante com um jardim, borda ponto cruz, e assiste com entusiasmo "Missão: Impossível" na televisão. De vez em quando, Thelma é visitada por seu amado neto (Fred Hechinger), que a ensina a usar o computador e a ver vídeos antigos ou engraçados. Um belo dia, Thelma recebe uma ligação de golpistas telefônicos que, se passando pelo neto que supostamente atropelou uma grávida, extorquem 10.000 dólares de Thelma.
O valor é considerável, e quando tudo fica claro, Thelma percebe que não está disposta a simplesmente perder o dinheiro e anseia por justiça. Ela só pode contar consigo mesma, pois a família e a polícia lavam as mãos, e o neto está desempregado e sem dinheiro. Agora ela precisa conseguir um meio de transporte confiável (será uma scooter elétrica de um velho amigo), de preferência uma arma, e partir em busca dos canalhas.

Para o roteiro, o diretor Josh Margolin baseou-se em um caso real ocorrido com sua avó, que quase foi vítima de golpistas com o mesmo esquema. Na realidade, a história terminou de forma prosaica: a avó percebeu a tempo que estava sendo enganada e não entregou a grande quantia. Mas Margolin agarrou a ideia e decidiu desenvolvê-la para um longa-metragem, imaginando o que aconteceria se a avó determinada decidisse punir os agressores por conta própria, sem depender da família e da polícia.

Assim nasceu "Thelma" – uma comédia adorável que não cultiva o etarismo, mas, ao contrário, trata os heróis idosos do filme com especial carinho filial e humor despretensioso, mas realmente engraçado. Considerando os limites bastante estreitos do gênero, já usado por muitos cineastas, Margolin tinha vários caminhos a seguir: fazer uma vulgaridade como "Vovó… Sem Limites" ou um drama severo e carrancudo sobre o fim da vida ao estilo de "Gran Torino". Felizmente, o diretor escolheu um meio-termo: longe de Clint Eastwood e Cristi Puiu (com todo respeito), mas perto de John Hughes e Eldar Ryazanov com seu "Os Velhos Ladrões".
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É uma pena que o lançamento deste filme tenha sido tão silencioso — talvez, em comparação com os "gigantes" festivaleiros e blockbusters de entretenimento deste ano, ele (à primeira vista) seja muito simples e não traga surpresas ou revelações impressionantes.
Mas "Thelma" é um daqueles filmes que "encontram" seu espectador no lugar e momento certos. Assim como a encantadora, infinitamente talentosa, engraçada e maravilhosa June Squibb "encontrou" seu primeiro papel principal (e projeto de produção) aos 94 anos. E sua personagem, inspirada pelo título parafraseado da lendária franquia cinematográfica de Tom Cruise, que tem mais de sessenta anos mas ainda corre e salta pelos telhados e se segura em um helicóptero decolando com o mesmo entusiasmo que aos trinta, também não vai parar por nada — ela buscará justiça em uma missão por si mesma.
Extremamente fofo, tocante e hilário, triste e cheio de suspense, aquece o coração e a alma, este filme levanta questões sobre o que fazer se aos 24 ou 50 você está tão perdido quanto sua avó de 93 anos e sua mãe, e como lidar quando nada na vida continua igual, exceto a ânsia pelo tempo, por ser necessário e fazer o que se quer, sem vontade de se enrolar infinitamente em um cobertor quente de memórias em um asilo. A resposta, talvez, seja apenas uma — e Thelma a dá: esquecendo medos e preocupações desnecessários, ouvir apenas a si mesma, e mais ninguém.

"Thelma" não é apenas mais uma declaração atual sobre o tema da cibercriminalidade, mas um lembrete importante de que a velhice, no geral, não é uma alegria, claro, mas pode e deve ser aceita. Sim, algumas coisas não podem mais ser feitas sem ajuda externa, algumas coisas já não podem ser lembradas, e é difícil acompanhar o progresso em uma scooter elétrica. Mas Margolin não foca nisso e não tenta arrancar lágrimas do espectador.
É mais agradável e próximo para ele contar sobre aquilo em que acredita sinceramente. Que encontrar verdadeiros amigos, viajar, cometer bobagens inofensivas, ver o mundo, criar pequenas aventuras para si mesmo é possível em qualquer idade. E isso não é uma piada cruel. Na verdade, seu filme é a vida que ele mesmo gostaria de viver. Nesta parte, ele é honesto com o espectador, e acreditamos em sua palavra. "Thelma" também é boa porque, em tom de comédia, destrói todas as ideias estabelecidas sobre como podem ser os anos avançados.
Esses motivos são facilmente percebidos, o que não torna o filme pior. Afinal, o cinema terapêutico tem feito muita falta ultimamente, e "Thelma" é, sem dúvida, o favorito. Ao longo de toda a duração do filme, há referências constantes à aparentemente imortal franquia com Tom Cruise. Neste metacomentário levemente irônico, Margolin parece tentar mostrar o que aconteceria com esta série se Cruise não parasse. Então ela se transformaria no enredo de "Thelma". Mas se Josh Margolin estivesse na cadeira de diretor, o filme certamente não perderia nada.
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