
Do Japão feudal à América pós-apocalíptica, da adaptação animada de quadrinhos à releitura de uma história real assustadora – eis as 10 melhores novas séries do primeiro semestre de 2024, segundo nossa equipe.
Nos primeiros seis meses de 2024, uma infinidade de novas séries brilhantes e não convencionais chegaram às telas. Isso inclui mais uma adaptação cara de O Problema dos Três Corpos, a terceira minissérie de guerra da dupla Tom Hanks-Steven Spielberg, e até o retorno do urso obsceno Ted.
Nossa redação selecionou as séries mais interessantes entre as novidades e as classificou. Consegue adivinhar qual ficou em primeiro lugar?
Aviso: séries nacionais não estão nesta lista; dedicamos um artigo separado a elas:

10º lugar – 'X-Men '97'
Não é segredo que o MCU tem sofrido ultimamente sem projetos bons e de qualidade. E, talvez, Kevin Feige devesse olhar para X-Men '97. E pegar algumas dicas.
A série animada não apenas acertou na nostalgia, mas também complementou o original com qualidade. E ainda se transformou em um drama. Numa era de constantes reboots, X-Men '97 foi um sopro de ar fresco. 'X-Men' pegou o melhor (a abertura clássica, claro, e a animação) e deu ao público personagens mais adultos e temas mais sérios. Mas o principal é que a base é uma história sólida e bem construída – uma história que fez o público se apaixonar novamente por personagens já conhecidos.
Participações especiais, easter eggs e referências não ofuscam nem atrapalham a trama. O tema da luta pela coexistência pacífica entre humanos e mutantes ainda é prioridade. E também voltamos àquelas versões dos mutantes que ainda não foram dignamente adaptadas para o cinema. E percebemos novamente que dezenas de heróis, viagens no tempo, dimensões alternativas nunca poderiam ser mostradas na tela grande como podem em uma série animada.
Resumindo, os criadores simplesmente deixaram os X-Men serem X-Men. E não erraram.

9º lugar – 'Baby Reindeer'
, como se diz, foi um estouro! Se boa parte dos projetos do nosso ranking já tinha uma expectativa do público antes do lançamento, e alguns até tinham fontes famosas, a popularidade de 'Baby Reindeer' não é tão fácil de explicar.
A série 'Baby Reindeer', projeto autoral do comediante Richard Gadd, é sem dúvida o grande sucesso da Netflix nesta primavera. Além do fato assustador de ser autobiográfica, o que mais este show pode surpreender —
Open materialO projeto autobiográfico do comediante britânico Richard Gadd é uma verdadeira joia da 'nova sinceridade'. Uma minissérie extremamente íntima em todos os sentidos sobre as consequências do abuso e do ódio a si mesmo, que pode ser justamente chamada de um dos principais dramas do streaming da atualidade.
Sem dúvida, esta não é uma obra fácil ou agradável, e fala com o espectador em sua própria língua. O novo sucesso da Netflix lembra uma sessão de terapia de choque, brilhantemente escrita, dirigida e interpretada. No entanto, não descartaria que, após assisti-la, você possa querer fazer uma lobotomia.

8º lugar – 'Fantasmas'
Nesta série de esquetes (não há outro nome), entramos na mente do roteirista e diretor Julio Torres, conhecido por seu trabalho no SNL. Esta mente é não convencional, fantasiosa, peculiar, às vezes extremamente engraçada e um pouco reminiscente da visão de Michel Gondry.
Cada episódio transita de um esquete absurdo – por exemplo, uma paródia de 'Alpha', onde o pai de família tem um caso com um alienígena – para outro – a representação do cotidiano de um vlogger em declínio. E a trama central gira em torno da busca por um brinco perdido que lembra o formato de uma marca de nascença do protagonista. Absurdo? Com certeza! Mas é tão fascinante de assistir!
Talvez seja o projeto mais não convencional, vibrante e memorável deste semestre, lembrando que o espírito de séries como 'Man Seeking Woman' ainda está vivo.

7º lugar – 'Solo Leveling'
'Solo Leveling' merece um lugar no topo, pelo menos porque é o novo título mais badalado do primeiro semestre. E, afinal, por que uma lista das melhores séries deveria ficar sem anime? Nós (especificamente eu) achamos que não. Especialmente porque esta história sobre um caçador super fraco que de repente ganha a capacidade de subir de nível, embora não isenta de falhas (como personagens NPC completamente vazios), cativa desde o primeiro episódio e mantém o interesse até o final.
A adaptação do manhwa muito popular, por enquanto, apenas apresenta seu mundo e seu funcionamento, mas no futuro, espera-se ainda mais popularidade (talvez até ao nível de 'Jujutsu Kaisen'). Pelo menos, o potencial para isso existe. Esperemos que o A-1 Pictures o utilize. Enquanto isso, 'Solo Leveling' intriga e faz com que aguardemos ansiosamente a continuação, realizando as tarefas diárias chatas da vida.

6º lugar – 'The Gentlemen'
Se você esperava de 'The Gentlemen' o mesmo estilo ou paralelos com o filme homônimo de Guy Ritchie de 2019, lamento decepcioná-lo. São projetos de calibres diferentes, mas a série não é menos cativante. E certamente merece seu lugar no topo do ano da plataforma Netflix, no mínimo.
É espirituoso, estiloso, divertido. É assim que queremos ver o gênero criminal com um toque britânico único. O personagem de Theo James herda inesperadamente um império secreto de drogas de seu pai, com todos os laboratórios subterrâneos favoritos. Ele é acompanhado nos negócios por Kaya Scodelario, felizmente evitando o papel de interesse romântico desnecessário ou cenas sexuais injustificadas. Pelo contrário, sua personagem, de caráter muito forte, dança habilmente entre intrigas e ações masculinas estúpidas.
Ótima trilha sonora, respingos de sangue, reviravoltas inesperadas também estão presentes. Somos imersos no mundo do crime organizado com todos os recursos. O equilíbrio entre humor, drama e britânicos na tela funcionou novamente.

5º lugar – 'Dark Matter'
O que você pode nos contar de novo sobre multiversos quando temos Marvel e 'Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo'? Além disso, há uma infinidade de projetos sobre físicos e duplos. Sem mencionar o trivial gato de Schrödinger no primeiro episódio. Mas observar qual mundo estará atrás da próxima porta que o personagem de Joel Edgerton abre, e o que o espera lá, acabou sendo quase tão interessante quanto saber se ele voltará para sua família.
Os dois primeiros episódios são dedicados à exposição, e têm um ritmo tão lento e monótono que você não quer dar uma chance e continuar assistindo. Além disso, a ingenuidade do protagonista chega a irritar um pouco. No entanto, logo o ritmo muda, e a trama se torna tão envolvente que é difícil parar de assistir. Fãs de ficção científica e quebra-cabeças filosóficos não devem perder.

4º lugar – 'Monsieur Spade'
Esta minissérie é uma continuação livre de 'O Falcão Maltês', o romance cult de Dashiell Hammett e sua adaptação cinematográfica homônima de 1941. À frente do novo projeto está Scott Frank, showrunner de 'O Gambito da Rainha' e um dos autores mais requisitados de Hollywood, que escreveu roteiros para 'Minority Report', 'Gravidade' e 'Logan'. Aliás, deste último, a novidade da AMC também herdou a estrutura narrativa: um herói solitário aposentado se torna 'pai' de uma garota que mal conhece. O próprio Spade foi confiado a Clive Owen ('Closer', 'Knickerbocker Hospital'), que raramente é visto na tela nos últimos anos.
O caso que lhe é atribuído é muito mais complicado do que a busca pela estatueta do falcão no filme antigo. Numa pequena cidade francesa, ocorre um massacre de freiras, e nos arredores aparece um menino que alguns chamam de 'Mahdi' (no Islã, 'o escolhido', o último sucessor de Maomé). Esses eventos transformam o pitoresco interior provincial num campo de batalha entre serviços de inteligência estrangeiros, agentes da Santa Sé, rebeldes argelinos, revanchistas franceses e aventureiros gananciosos.
O resultado é um detetive retrô absolutamente encantador com sabor francês, que, apesar de toda a complexidade e tragédia de alguns temas abordados pelos criadores, ainda continua sendo um espetáculo bastante emocionante.

3º lugar – 'Avatar: A Lenda de Aang'
Poucos acreditavam no sucesso da adaptação live-action do desenho 'Avatar: A Lenda de Aang'. Já havia a versão cinematográfica fracassada de M. Night Shyamalan. O elenco anunciado não inspirava confiança e gerava montes de memes na internet. Os criadores originais Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko deixaram o projeto no meio do processo 'devido a diferenças criativas'. Como não ser cético? No entanto, após a adaptação bem-sucedida de 'One Piece', o índice de confiança na Netflix deu um pequeno salto.
Embora tenha perdido um pouco da infantilidade e espontaneidade do original, a série de 2024 conseguiu provar que vale a pena dar uma chance. A maioria dos atores transferiu bem os personagens originais para a versão live-action: a química entre Zuko e Tio Iroh é inquestionável (o mesmo não se pode dizer de Katara, que não acertou nem na química nem no carisma). A música e o visual estão no ponto. E mesmo as imprecisões, como a mistura de enredos de diferentes temporadas, parecem coesas e se encaixam harmoniosamente na trama. Portanto, esperamos pela continuação.

2º lugar – 'Fallout'
O sucesso de Fallout em comparação com outras adaptações de videogames, como The Last of Us, confirma que esta direção tem um grande futuro na televisão. Os criadores da série, Lisa Joy e Jonathan Nolan, conseguiram adaptar com sucesso o universo original dos jogos, preservando seu espírito, o que manteve os gamers grudados nas telas e atraiu novos espectadores.
Em Fallout, o contraste entre a versão exagerada da América da Guerra Fria e a realidade brutal do pós-apocalipse, entre os habitantes dos abrigos e as irmandades, é muito bem transmitido. A natureza e essência humanas em todas as suas manifestações.
O show conseguiu construir várias ramificações da trama – cada personagem tem seu próprio caminho, e é interessante segui-los. A ingênua Lucy, o severo Maximus e o mutante sem escrúpulos Ghoul encontraram seu público, demonstrando profundidade, tensão e a multifacetada natureza dos personagens.
Fallout é uma das melhores adaptações de videogame já criadas. Há muitos elementos de humor, tragicomédia, faroeste, surrealismo, road movie. Não é surpresa que o show tenha sido renovado para uma segunda temporada imediatamente. Voltaremos ao Ermo.

1º lugar – 'Shōgun'
Provavelmente, não há nada mais óbvio do que o primeiro lugar no nosso top de séries do semestre. 'Shōgun' intrigou desde o anúncio e continuou a fazê-lo até a estreia. Quando foi lançado, todas as dúvidas desapareceram: tínhamos diante de nós um verdadeiro diamante do mundo das séries. Críticos e espectadores gritaram em uníssono sobre uma nova obra-prima, mas para muitos ainda foi uma surpresa que um drama sobre o Japão feudal se tornasse tão popular. Na verdade, mostrou bem o cansaço com as mesmices de Hollywood.
No final de abril, no canal FX e no serviço de streaming Hulu, terminou a primeira temporada (e ainda esperamos que seja a última) da série 'Shōgun', que se tornou um verdadeiro sucesso e uma agradável surpresa
Open materialOs criadores do show arriscaram, apostaram na autenticidade e no cuidado meticuloso com cada aspecto, e não erraram. Apesar de a maior parte do tempo os personagens falarem nem mesmo em inglês (o que é raro), o projeto ainda atraiu muita atenção do público.
'Shōgun' é uma série dramática, meditativa, cruel e grandiosa, com atuações magníficas. Certamente levará uma porção de prêmios na temporada de premiações (muito merecidamente), e seu sucesso garantiu uma continuação (não totalmente necessária, mas esperamos que seja digna).
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