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Estreia nos cinemas o terror coreano 'A Maldição do Chamado do Túmulo' — um filme sobre esqueletos no armário da família e do país, com a estrela de 'Oldboy'. Sobre o que acontece ao desenterrar túmulos antigos e por que vale a pena ver, na nossa res...

Ricos migrantes coreanos na América recorrem a uma jovem, mas experiente xamã de sua terra natal, Lee Hwa-rim (Kim Go-eun), para exorcizar demônios de seu filho bebê, que não para de gritar. O problema não é que ele seja uma criança, mas que o espírito de seu bisavô não o deixa em paz. Essa praga é chamada de 'chamado do túmulo'. Para realizar o exorcismo, a xamã e seu colega bonitão Bong-gil (Lee Do-hyun; assim como Go-eun, ator vindo de doramas populares) pedem ajuda a uma dupla: o experiente geomante Kim Sang-deok (Choi Min-sik, estrela de 'Oldboy' e grande artista, aqui especialmente cativante) e o dono de uma agência funerária, Yang-geun (Yoo Hae-jin).

O geomante, especialista em feng shui que há quarenta anos indica onde é melhor fazer sepultamentos e para que lado a fachada de um hotel deve olhar, não está disposto a aceitar o trabalho. O túmulo estranho é cercado por raposas (que, segundo nos informam, não frequentam cemitérios), a terra tem gosto podre, e quem exatamente encontrou (ou não) paz num lugar tão sombrio, a família contratante se recusa a dizer. As dúvidas dos especialistas são dissipadas, primeiro, pelo sofrimento da criança, que não pode ser ajudada de outra forma, e segundo, pela disposição do cliente em pagar uma quantia considerável.

No entanto, desenterrar o túmulo misterioso tem consequências muito mais graves. Para evitar spoilers, digamos que na primeira metade o filme é um drama familiar, e na segunda, um drama histórico. O destino do bisavô dos contratantes e de sua pátria se entrelaçam num nó tão terrível quanto indissolúvel, e os heróis, que inicialmente queriam apenas ganhar dinheiro, precisam superar a si mesmos sob a influência das circunstâncias.

Cena do filme 'A Maldição do Chamado do Túmulo'
Lee Do-hyun 
Kim Go-eun
Cena do filme 'A Maldição do Chamado do Túmulo'

O filme equilibra-se habilmente entre gêneros: começando como 'Os Caça-Fantasmas', aventura-se corajosamente no território de 'O Exorcista' e também em direção a 'A Profecia' (a cena da escavação do túmulo à noite é brilhantemente executada). Essa flexibilidade de gênero é garantida pela estrutura de detetive: os médiuns precisam agir como detetives, e para vencer o mal, primeiro é preciso encontrá-lo e identificá-lo, e só então usar a picareta.

No original, o filme se chama 'Pamyo' (Exhuma), literalmente 'desenterrar'. Naturalmente, os heróis cavam na terra, mas também no passado. E nesse aspecto, 'Chamado do Túmulo' é uma tentativa inteligente, assustadora, mas cheia de esperança, de compreender o episódio mais traumático da história da Coreia. Os autores têm o tato de não transformar o filme nem numa propaganda patriótica, nem num filme sobre como o presente corrige o passado. Este último só pode ser enterrado e tentar seguir em frente. Num sentido amplo, a tentativa de separação, de um novo começo, é o motivo central de 'Chamado do Túmulo'. Com seus rituais, os heróis traçam constantemente fronteiras: entre vida e morte, pessoas e espíritos, entre países, mas o mais importante, entre passado e presente.

Muitos chamam o filme de continuação temática de 'O Grito', e 'Chamado do Túmulo' realmente trabalha com o mesmo conjunto de hashtags: pecado, arrependimento, família, 'todo mal vem dos japoneses'. No entanto, dificilmente é um segundo 'O Grito', e os autores não têm essa ambição. Embora algumas cenas sejam copiadas literalmente, esses filmes diferem entre si como 'O Bebê de Rosemary' difere de 'A Profecia'. O filme de Polanski é uma grande declaração paranoica; o de Donner é uma aventura ousada inspirada nele. Em 'Chamado do Túmulo' não há a atmosfera terrível da inevitabilidade da morte, nem um diabo todo-poderoso; é um filme sobre como o mundo está, claro, imerso no mal, mas ainda pode ser salvo por profissionais, se levarem o trabalho a sério. O mal não é eterno, mas histórico, e portanto pode ser vencido.

Choi Min-sik
'A Maldição do Chamado do Túmulo'
Exhuma
Cena do filme 'A Maldição do Chamado do Túmulo'

E é justamente na representação do profissionalismo que 'Chamado do Túmulo' impressiona pela sua minúcia. Os filmes de terror modernos muitas vezes se apoiam no fato de que as regras do jogo são conhecidas do espectador: vampiros bebem sangue, lobisomens temem a lua cheia, zumbis adoram cérebros, e maníacos mascarados não amam ninguém. Aqui, os autores não confiaram na erudição geral do público e descreveram detalhadamente o que é o quê. Assistir ao filme como um manual de combate a espíritos malignos é um prazer especial. Como realizar um exorcismo? Onde é melhor fazer sepultamentos segundo o feng shui? Como os demônios japoneses diferem dos coreanos? Por que a madeira vence o ferro? Mesmo que antes essas questões não te interessassem, 'Chamado do Túmulo' desperta um interesse genuíno por elas.

Há até esperança de que, assim como após cada filme de Nolan surgem novos especialistas em física teórica ou teoria do tempo, após 'Chamado do Túmulo' apareçam especialistas em coisas verdadeiramente interessantes. Xamanismo coreano, teoria do feng shui, exorcismo de empresários ricos — todos esses problemas ainda aguardam seus pesquisadores. E também, provavelmente, podemos esperar novas aventuras dos heróis: esta é a equipe mais interessante de salvação do mundo, da família e do país dos últimos tempos, e após um sucesso financeiro tão vertiginoso (o filme coreano de maior bilheteria até o momento), raramente param.