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Em 17 de maio, chegou ao mercado digital o melodrama de Luca Guadagnino ('Me Chame pelo Seu Nome', 'Completamente') 'Desafiante'. Em nosso novo artigo, falamos sobre a provocação do filme e seus pontos negativos que impedem a obra de ser percebida co...

A bola quicando das raquetes é observada por toda a quadra, e apenas uma pessoa na arquibancada realmente entende a importância dessa partida. Tasha Donaldson (Zendaya) um dia prometia uma carreira longa e brilhante, mas um incidente trágico arruinou seu futuro no topo do campeonato. Agora ela treina seu marido Art (Mike Faist) e observa de longe seus sucessos. O próximo torneio em sua agenda é o 'Desafiante', onde o tenista deve derrotar jogadores de uma liga inferior e ganhar confiança antes do Aberto dos Estados Unidos. Tudo se complica quando seu oponente na partida é o amigo de infância e ex-amante de Tasha, Patrick Zweig (Josh O'Connor).

'Meu próximo filme se chama 'Desafiante', é muito SEXY'

Equação com três variáveis: como ficou o filme 'Desafiante'
Cena do filme 'Desafiante'

O primeiro trailer do filme foi incrivelmente intrigante: filmes sobre amor a três não são tão frequentes (dos famosos, podemos lembrar 'Os Sonhadores' de Bernardo Bertolucci e 'Vicky Cristina Barcelona' de Woody Allen), e o cenário de uma partida de tênis parece adicionar ainda mais intensidade às paixões. E enquanto ríamos dos memes sobre a potencial reação do pobre Tom Holland ao trailer, esperando algo ainda mais extravagante, o diretor Luca Guadagnino nos enganou.

Infelizmente, 'Desafiante' não se tornará um segundo '...' com hipersexualidade chocante e potencial para uma edição estética. Resta esperar pelos divertidos shorts de espectadores estrangeiros parodiando a partida final.

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A decepção surge desde o início, quase imediatamente após as perguntas silenciosas 'Cadê os créditos, droga?' e 'Por que estou assistindo ao filme do meio?'. Ondulando, ela nos lembra de si mesma durante toda a duração e, de vez em quando, joga migalhas daquilo com que tentaram atrair o público para o filme.

Sim, há diálogos picantes; sim, mostram homens nus e um pouco da atriz principal; sim, há olhares langorosos entre eles — para cada um desses 'sim', infelizmente, há enormes 'mas'.

Equação com três variáveis: como ficou o filme 'Desafiante'
Cena do filme 'Desafiante'

A contundência dos diálogos termina onde terminam as raras piadas engraçadas sobre 'milf' e o uso hipotético de uma raquete de tênis para fins não convencionais, e a infinidade de planos longos com olhares cheios de desejo irrita por sua inutilidade.

Com o erotismo, há outro problema — ele simplesmente não existe. Paradoxalmente, o filme parece tentar agradar a dois públicos: os zoomers que, devido à nova ética e baixo interesse, causaram a redução de cenas de sexo no cinema, e aqueles que queriam ver um melodrama no estilo de 'Cinquenta Tons de Cinza'. O diretor faz isso de forma desajeitada, e o público fica sem nada.

Drama (não) esportivo

A aposta na sensualidade não deu certo, e tudo o que nos resta é confiar nos atores e seguir em frente pelos meandros da trama, onde, à la 'Napoleão', a cronologia dos eventos é contada por créditos e três penteados diferentes da protagonista. O potencial de Zendaya aqui, no entanto, é muito maior: ela lida perfeitamente tanto com o papel de uma sonhadora determinada quanto com o de uma esposa dura, pronta para passar por cima de tudo pelo sucesso. No entanto, essa personagem, assim como os outros participantes do triângulo, se perde nessa epopeia amorosa. A importância de Tasha para a trama se reduz ao papel de gatilho que desentendeu Art e Patrick, e não conseguimos vê-la como treinadora, já que o próprio jogo não é prioridade.

Equação com três variáveis: como ficou o filme 'Desafiante'
Cena do filme 'Desafiante'

O status de drama esportivo aqui é nominal; você não aprenderá nada de novo sobre o jogo, suas regras, significado e peculiaridades. Em uma entrevista à revista Little White Lies, o diretor afirmou que não tem grande interesse pelo tênis, caracterizando-o como um esporte bastante chato e não dinâmico. Se o objetivo de Luca Guadagnino era transmitir sua perspectiva pessoal ao espectador, ele conseguiu brilhantemente. A maior parte do tempo, temos que acompanhar o andamento da partida através de closes de Mike Faist e Josh O'Connor, que provavelmente foram encharcados com baldes de água, ou de filmagens estáticas das raquetes rebatendo. Exceções também existem: tomadas nauseantes em primeira pessoa... da bola e dos próprios participantes das partidas.

A montagem, que poderia unir um roteiro irregular e jogos de tênis entediantes, mostrou-se inesperada. Zombando do espectador, ela salta de forma irregular de um intervalo cronológico para outro, misturando-os tanto na mente quanto na própria narrativa. É doloroso ver como na pós-produção trataram também a incrível trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross (Nine Inch Nails, 'A Rede Social', '...'). A música energética e dançante fala mais alto do que qualquer palavra, que, aliás, estão ausentes na comunicação não verbal dos personagens.

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'Desafiante' entra dignamente na filmografia dourada de Luca Guadagnino, onde se escondem filmes igualmente falsos e vazios, repletos de conteúdo de choque em suas várias formas. No entanto, o melodrama sobre relacionamentos complexos na quadra tinha potencial, assim como os filmes anteriores; em meio à execução monstruosa do diretor, escondem-se diamantes com cenários interessantes e atípicos.