
Léa Seydoux e George MacKay em três épocas tentam entender seus sentimentos e medos no novo filme 'O Presságio' do autor de 'Saint Laurent: Estilo Sou Eu'.
Bertrand Bonello ("Zumbi Baby", "Saint Laurent: Estilo Sou Eu") dirigiu "O Presságio" (La Bête), uma história romântica com um toque distópico, colocando os heróis em três períodos de tempo: 1910, 2014 e 2044. O enredo é baseado na obra Henry James "A Fera na Selva".
O coração do filme é Léa Seydoux, que, francamente, é boa em qualquer filme. Sua personagem Gabrielle vive em 2044 e quer mudar de emprego para algo mais interessante. A sociedade no novo tempo é governada por uma Inteligência Artificial, dublada por Xavier Dolan, que também atuou como um dos produtores.

Gabrielle é muito emocional, então seu pedido de mudança de emprego é negado, mas sugerem um procedimento de limpeza de DNA — assim as emoções ficariam sob controle. A heroína é contra esse procedimento desde o início, porque entende que junto com os sentimentos, morrerá tudo o que é real e belo na natureza humana. No entanto, no final, ela concorda em fazê-lo. Assim, ela terá que mergulhar em suas vidas passadas, nas quais encontrará seu amado Louis.
Léa Seydoux se adapta a qualquer época — ela é orgânica e interessante em todos os lugares. Seja uma famosa pianista vivendo no início do século 20, ou uma atriz iniciante em 2014. Cada vez, ela é perseguida pelo medo de que algo irreparável aconteça. O presságio atormenta Gabrielle como uma fera escondida na selva. A heroína tenta desesperadamente descobrir o que exatamente deve mudar seu destino para sempre.
O britânico George MacKay, que substituiu o tragicamente falecido Gaspard Ulliel, também se saiu muito bem em seu papel. Seu Louis acompanha a heroína ao longo de todas as suas vidas passadas, em cada uma das quais Gabrielle e Louis sentem uma atração mútua.

Na época mais antiga, ocorre uma inundação que realmente aconteceu em Paris naquele momento. Gabrielle assume a liderança de uma fábrica que produz bonecas de porcelana. Ela mesma se parece com as criações que os heróis veem em grande quantidade na nova produção, onde a porcelana foi substituída por um material mais resistente. Ao mesmo tempo, um incêndio irrompe, que pode ser interpretado como os sentimentos ardentes dos heróis.
A cada nova vida, Gabrielle tenta influenciar o resultado dos eventos, mas o medo desconhecido e indefinido acaba sendo, na verdade, o medo do amor. E ele se materializa da maneira mais inesperada, mas muito compreensível — através do controle dos sentimentos. Afinal, se você tentar dominar os sentimentos, pode acabar esquecendo como sentir.
"O Presságio" é muito bonito e hipnotizante. A incerteza intrigante só favorece os heróis, que têm dificuldade em resistir a sentimentos intensos, que, como se sabe, têm um fim furioso.
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