
No âmbito do 29º Festival Internacional de Filmes sobre Direitos Humanos "Stalker", ocorreu a exibição do trabalho multigênero (melodrama, thriller psicológico e detetive) de Natalia Gugueva "Névoa", que já conquistou vários prêmios em festivais de c...
"Névoa" é a estreia ficcional da diretora-chefe da direção de documentários do "Primeiro Canal", Natalia Gugueva. A longa experiência com cinema não-ficcional revela uma atenção especial ao ambiente em que os personagens se encontram. Um dos principais pontos fortes do filme são as paisagens do norte, filmadas com tanta ternura que se tornam quase tangíveis para o espectador. É nesses cenários naturais que se desenrola a arquitetônica do filme.

No centro da trama está a jornalista Nastya (Valeria Repina), que veio para a estação meteorológica para investigar o desaparecimento de dois meteorologistas, ao mesmo tempo que contraiu um casamento fictício com um dos funcionários, Andrey (Denis Bondarenko). As primeiras associações horripilantes com Robert Eggers quase imediatamente se dissolvem na textura dos penhascos íngremes da ilha, e a pertença dos dois heróis, trancados juntos, a um polígono amoroso traz algum alívio: a linha detetivesca se limitará a apenas duas vítimas.
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Open material"Névoa", como thriller psicológico, não deixa a mesma sensação que as associações com esse gênero evocam. Não há tensão opressiva e aterrorizante. Mas há um trabalho sutil com o comportamento dos personagens, sua interação com o ambiente. Todo o filme é construído na fórmula "estímulo-resposta", na qual as variáveis são substituídas, perdidas, desaparecem, ressurgem, mas no final se encaixam. Esses saltos dos elos da cadeia lógica estão ligados, em primeiro lugar, a saltos no tempo.

A linha detetivesca, rebocada por um melodrama amoroso, ainda é a principal no filme. Partes da fábula são misturadas, e isso realiza melhor a poética do mistério, característica dos detetives. Por todos os cânones do gênero (olá Edgar Allan Poe e seu "Assassinatos na Rua Morgue"), há duas linhas narrativas aqui: um casamento de meteorologistas se desfazendo no passado, e um casamento muito peculiar de Andrey e Nastya no presente. Essas tramas se desenvolvem paralelamente e, para intensificar a dramaturgia, seus pontos de virada ocorrem simultaneamente.
Para um detetive em que não há mordomo, nem jardineiro, nem oito mulheres, a solução do filme não é particularmente intrigante. Mas o próprio caminho para a solução vale a pena assistir "Névoa" até o fim (especialmente se esse caminho passa por uma ilha do norte, quase intocada pelo homem). A demonstração da natureza não se limita à contemplação, mas complementa e desenvolve a trama. O mundo ao redor aqui molda os personagens (não, não como em Chernyshevsky). Os campos de grama seca e alisada pelo vento, as margens rochosas, o céu pesado e o mar inquieto não apenas preenchem o espaço entre os personagens e refletem primitivamente seu estado de espírito, mas também servem como partículas do destino (o desfecho ilustra isso). O ambiente em "Névoa" é a personificação de algo imutável, do qual depende o destino humano (quase como o "fado" na cultura antiga).

A concepção de amor no roteiro não parece interessante. As relações entre mãe e filha, marido e mulher, esposa e um homem que cultivou um sentimento de culpa tão grande que já não se pode carregar, por alguma razão não provocam fortes emoções. E os primeiros diálogos constrangedores entre Nastya e Andrey na vasta costa lembram "Submarino" de Richard Ayoade, o que gera expectativas injustificadas de um primeiro amor tocante.

Em suma, como melodrama, "Névoa" não se concretizou. Como thriller psicológico, saiu mais "psicológico" do que "thriller". Como detetive, funcionou melhor de todos. E como um filme que mergulha na beleza encantadora do norte, ficou simplesmente maravilhoso. É nessa versatilidade que reside o verdadeiro encanto da estreia de Natalia Gugueva. O principal é concentrar-se no pedaço certo do tecido artístico do filme.
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