
Maria Lisovaya é uma estrela em ascensão do cinema russo, capa da revista Maxim e a vilã marcante da série "Krasny 5". Sobre como a atriz mergulha nos papéis e que música ouve, em nossa entrevista.
No cinema online Premier, a temporada de estreia da série "Krasny 5" terminou, na qual um ex-agente especial caça criminosos com superpoderes. A principal antagonista do projeto foi Lilovaya, interpretada por Maria Lisovaya. Conversamos com Maria sobre o que a inspirou para o papel, como ela consegue criar química na tela com seus parceiros e as qualidades mais importantes para um artista.
– Vamos começar, claro, com seu projeto mais recente. Conte-me, em qual personagem você se baseou ao criar Lilovaya de "Krasny 5", ou o que te serviu de inspiração.
Em uma das primeiras versões do roteiro, o vilão era um homem. Mas então o grupo criativo decidiu que uma antagonista feminina seria mais interessante.
Pensamos em como tornar o personagem mais profundo, adicionando nuances. Assim, de uma simples antagonista, sem nada em comum com os protagonistas, ela se transformou em uma garota forte, cruel e interessante, que tem uma relação direta com os personagens centrais – Bekishev e Anatolich. E nesse emaranhado de relações, incluindo as profissionais, estava o arco legal da minha personagem, que me permitiu me revelar como atriz ao longo do tempo.
A principal inspiração para Lilovaya é Villanelle da série "Killing Eve". É uma garota com rosto de criança, uma pessoa que percebe o mundo como uma criança. Mas ao mesmo tempo, ela é uma assassina impiedosa, pronta para arrancar cabeças. Algo semelhante queríamos incorporar em Lilovaya. Claro, temos uma comédia, uma história completamente diferente, mas queríamos tentar transferir alguma essência para nossa heroína.

– Você gostou de interpretar uma vilã? Ou isso não é nada da sua personalidade?
Na minha filmografia, há muitos personagens ambíguos com personalidades complexas e nem sempre desejando o bem a este mundo. Foi interessante trabalhar com a imagem de Lilovaya. É uma garota muito travessa, cheia de energia, completamente louca. Pude me soltar como atriz.
– Ou seja, houve muita improvisação?
Sim, sugerimos ao Zhenya Shelyakin (nota da redação – diretor da série "Krasny 5") algumas ideias, complementos para as cenas existentes. Em uma das primeiras leituras do roteiro, nos reunimos com todo o elenco, discutimos longamente os detalhes, o que gostaríamos de incluir. Zhenya nos ouviu, se empolgou com muitas ideias.
Quando começamos as filmagens, novas soluções surgiam no set: algo era removido, algo adicionado. Em geral, o processo foi muito vivo e criativo. Houve casos em que a improvisação foi para algum lugar errado, então algumas coisas entraram na versão final, outras não, algumas se mostraram irrelevantes, outras causaram efeito uau.
– Como a cena de esgrima?
Inicialmente, essa cena era planejada como uma cena de esgrima. Pelo menos, estava no roteiro. Mas depois, com o tempo, a ideia foi descartada. Eu perguntava ao Zhenya: "Quando vamos coreografar a esgrima?" Ele dizia que não era necessário, que a cena seria removida, faríamos tudo de forma diferente. Mas não consegui aceitar que esse pequeno detalhe, que era agradável para mim, fosse removido (nota da redação – Maria pratica esgrima).
Insisti, convenci o diretor de que sem isso a cena seria chata, e assim teríamos um ótimo episódio. Convidei meu professor de esgrima para o set. Pelo que me pareceu, foi um grande teste para minha parceira, que, além disso, estava de salto alto. E foi bastante difícil inventar e executar rapidamente a sequência. Mas nos saímos muito bem com esse pequeno detalhe, mas, como me parece, muito sexy, que é a esgrima feminina.
– Concordo, ficou impactante, especialmente no contexto da narrativa do episódio. Dando continuidade ao tema: você gosta quando suas personagens refletem seus próprios traços de personalidade, interesses e assim por diante? Ou é mais interessante para você incorporar imagens de pessoas completamente diferentes de você?
Mais a segunda opção. Eu, por assim dizer, "saí do ninho" onde era proibido partir de si mesmo, onde você sempre se orienta pelo personagem. Estudei no Instituto Schukin, onde a abordagem ao papel, à imagem, à sua criação, "captura" da vida é importante. Você observa em algum lugar, tenta incorporar através de si mesmo, depois imaginar.
Partir de si mesmo qualquer um pode, mas aqui é completamente diferente. Por isso, tento fazer isso, dentro do meu talento, claro. É sempre interessante quando você pode ser outra pessoa, não você mesmo, quando seus traços não te seguem, mas você está em busca.

– Você tem experiência em filmagens tanto em projetos históricos quanto em blockbusters e agora nesta série de paródia de espionagem. Em qual formato você prefere trabalhar?
Provavelmente, na comédia eu obtenho mais prazer. Em todos os outros gêneros, tenho que me encontrar, e isso é sempre difícil. Tento nem entrar em melodramas. Acho que tenho alergia a eles.
– Por quê?
– Esse gênero é difícil para mim, muitas vezes apela para as lágrimas do espectador, para a comoção ou histórias açucaradas de amor. Não assisto melodramas como espectadora e, como artista, sinto-me pouco natural neles.
– Em uma entrevista, você disse que, para mergulhar no contexto da história, lê literatura adicional, busca informações na internet e até ouve música da época. Essa é uma abordagem universal ou depende do projeto? Talvez para uma comédia como "Krasny 5" você tenha tido uma maneira diferente de mergulhar. Conte como isso acontece.
De formas diferentes. Para projetos históricos, é necessária informação adicional na qual você possa se apoiar. Ainda mais se forem baseados em eventos reais. Isso não pode ser ignorado. Quando você participa de um filme assim, tenta se nutrir de documentos históricos, filmes, música, cartas.
No caso de "Krasny 5", eu tinha referências. Por exemplo, lembrava da série "Killing Eve", observava como os personagens se desenvolviam lá. Além disso, tentava sentir o ritmo – bastante rápido – através de projetos semelhantes ou similares. Onde as piadas nascem rápido, fácil, com brilho. Entre esses, posso destacar "The Inbetweeners", uma série muito engraçada, na minha opinião.
De certa forma, sinto interseções com "A Favorita" de Lanthimos. Há um humor incrível e indescritível, até mais do que apenas humor.
– Isso é inesperado.
Sim! Os atores existem de forma incrível na tela. Se temos piadas e cortes, lá o humor está no nível das relações, e é facilmente percebido. Eu rio quando assisto. Ele me inspira.

– Do que você mais gosta no trabalho no set de filmagem?
Gosto de chegar à maquiagem e ver o processo de transformação. A cada visita a um novo departamento – maquiagem, figurino, adereços – você se transforma cada vez mais. E é um processo legal, na verdade.
Por um lado, o cinema é algo às vezes muito difícil para todos os membros da equipe. Acho que o diretor, o operador, o produtor, o iluminador se cansam mais do que os artistas, porque o processo deles é contínuo e há pouco tempo para respirar. Mas se você entrou nisso, não pode mais deixar de amar. É uma realidade diferente na qual você consegue mergulhar. Você curte o fato de viver novas vidas a cada vez.
Eu obtenho muito prazer do processo, especialmente quando há oportunidade de improvisar, quando confio na equipe e todos os parceiros estão na mesma sintonia.
– Vamos falar sobre química. Como você cria química com outros atores? Existem exercícios ou abordagens que ajudam a estabelecer uma conexão emocional com os parceiros de filmagem?
Direi o seguinte: sou uma pessoa reservada, mas ao chegar em um novo espaço, começar a colaborar, me envolver no processo de cocriação, torno-me aberta aos parceiros, eles se tornam meus amigos.
Claro, todos somos humanos, cada um tem seu caráter, temperamento, as situações também são diferentes: alguém está insatisfeito, outro não dormiu bem, etc. Trato todos com cuidado, mas se sinto que a pessoa é minha, imediatamente me abro e podemos criar juntos de forma incrível.
E vice-versa – se sinto arestas, respeito muito a pessoa e apenas faço o meu trabalho. Embora às vezes eu tenha medo de alguém. Sabe, é como entrar em uma jaula com um tigre – assustador, mas você supera esses medos, tenta sobreviver.

– Comparação interessante. E como foram as filmagens da série "Krasny 5"? Percebe-se que vocês tiveram uma atmosfera divertida e todos se divertiram.
Sim, posso dizer que desde o primeiro encontro, a primeira leitura, percebemos imediatamente que estávamos no mesmo time, podíamos relaxar, não nos preocupar.
Embora no início, como me parece, eu tivesse algumas diferenças com Roma Kurtsyn, que superamos (risos). Não sei, talvez eu tenha imaginado, mas parecia que estávamos em comprimentos de onda completamente diferentes, fazíamos piadas muito diferentes, não nos entendíamos.
Pensei: "Meu Deus, será que não vai dar certo? Será que vamos nos separar como inimigos?" Mas um pouco depois percebi que era apenas um humor diferente, funcionava de outra forma.
– Vocês discutiram isso depois?
Digamos que eu disse a ele algumas vezes: "Achei que você fosse maluco, mas você é um cara normal". Não exatamente discutimos isso. Acho que Roma nem percebeu que algo estava errado. Talvez tenha sido apenas minha impressão de que não conseguíamos nos entender, manter uma conversa.
Agora nos comunicamos perfeitamente, trocamos piadas muito estranhas no Instagram*, respondemos a stories e assim por diante. Ou seja, com almas completamente abertas um para o outro.
– Vamos nos afastar um pouco do cinema. Você recentemente estrelou o clipe da lendária banda "Moralny Kodeks". E que música você mesma ouve?
Várias. Não posso dizer que sou fã de um gênero ou estilo. Definitivamente gosto do que a polnalyubvi faz, ela me fascina. Uma de suas músicas eu ouvia por dias seguidos. O estilo dela, a maneira, me tocam.
Também gosto de techno. Costumo ir a eventos relacionados à música techno. Já amei Eminem, 50 Cent, adorava os caras durões, o rap, como eles conseguiam falar tudo rápido. Até tentei bater os recordes deles de velocidade de fala por um tempo (risos).
Ouço música clássica e folclórica. Adoro música folclórica, até canto eu mesma.
– Você mencionou várias vezes que se interessa pelo tema da ecologia, promove o Zero Waste, etc. Que projetos você tem atualmente nessa área?
No momento, não tenho projetos globais. Houve um que deveria ter acontecido no ano passado. Estava relacionado a conteúdo no qual eu deveria participar como heroína ou co-apresentadora, mas não se concretizou.
Não há projetos cinematográficos, festivais ou abertura de eco-centros. Por enquanto, estou focada no cinema e mantenho um estilo de vida que não contradiga minhas opiniões. Levo minha própria louça para as filmagens. Sugiro aos produtores que troquem a louça de plástico por reutilizável em suas cozinhas. Muitas empresas aceitam. Assim, sinto que estou contribuindo.
– Essas sugestões não são recebidas com hostilidade?
Às vezes. Uma vez, como me pareceu, fizeram o gesto de "tá maluco" quando sugeri algo assim. Um dos produtores executivos dizia "sim, sim, sim" quando eu abordava essa questão. Depois, em algum momento, percebi pelos olhos dele que nada seria feito. Bem, ok, meu papel é sugerir, o deles é reagir. Na maioria das vezes, as pessoas reagem bem, às vezes até se tornam eco-ativistas mais ferrenhos do que eu.
– Se lhe oferecessem um papel em um filme ou série que promovesse uma atitude positiva em relação à ecologia, algo como "Extrapolações", como você reagiria?
Pergunta difícil. Acho que concordaria, mas com a condição de que o projeto seja bem feito e não apenas promova a ecologia, mas também tenha valor artístico. Para mim, o cinema não é propaganda, mas uma conversa com o espectador sobre algo importante, necessário.
– Ótima resposta. Todos deveriam lembrar disso. E você acha que uma jovem atriz na Rússia deve ser, de certa forma, blogueira para se tornar uma grande estrela?
Infelizmente, sim. Sempre pensei que não fosse assim, que são coisas diferentes. Achava que o maior valor é o fato de você viver sua vida de forma absolutamente tranquila e modesta, ninguém te reconhece, mas conhece seus papéis. Mas com o tempo, percebi que não funciona assim. Embora eu nem saiba quando poderia ter sido diferente. No século passado, os atores estavam de uma forma ou de outra em um pedestal. Claro, não eram blogueiros, mas sempre podiam dizer algo importante, influenciar as massas, mudar a consciência das pessoas.
Hoje, para que alguém se lembre de você, muitas vezes é preciso recorrer ao blog. Sou contra isso. Honestamente, nem consigo fazer isso. Invejo muito as atrizes que conseguem combinar blog e profissão de atriz, porque muito tempo é gasto no ofício, inclusive no tempo livre. Se você não tem filmagens ou peças, ainda assim está se preparando para novos papéis. Não encontro tempo e entusiasmo para criar um plano de conteúdo. É mais interessante para mim fazer o que faço profissionalmente.
Alguém me disse uma vez que o Instagram* é muito necessário porque é através dele que te encontram. E eu criei meu perfil há cerca de 5 anos, muito depois de ele ter sido lançado na Rússia. Quando todos estavam nas redes sociais, eu nem sabia o que era Instagram* ou Telegram.

– E você planeja se desenvolver nessa direção? Talvez mesmo sem vontade.
Tentei fazer sem vontade. Conversei com gerentes de conteúdo que ajudam a criar um plano, melhorar o perfil, etc. Aguentei no máximo três reuniões. E depois...
Claro, faço algumas coisas. Às vezes digo a mim mesma: "Masha, você precisa postar 3 fotos, 3 stories e algo mais na próxima semana". Começo a fazer isso, mas no momento em que preciso publicar a foto, olho e penso: "Para quê? Quem precisa disso?" Começam discussões existenciais comigo mesma. Tento entender qual é o valor artístico nisso. Geralmente, quando encontro algo valioso, passa despercebido pelos seguidores. E quando publico alguma bobagem, todos reagem imediatamente.
– É assim que reagem à vida! Algo casual, espontâneo, é o que as pessoas gostam. Em uma entrevista, você levantou um tópico interessante sobre como um ator deve ser: uma personalidade reconhecível ou sempre diferente. Qual abordagem é mais próxima de você?
Sou a favor da segunda opção. É legal quando seus papéis são todos diferentes, e o espectador se lembra deles, não de você. Embora isso seja discutível. Se você é uma personalidade forte, se você mesmo é um personagem, pode ser quem você é e simplesmente "se encaixar" organicamente em séries e filmes, complementando-os com sua presença. Nisso, como me parece, não há nada de vergonhoso.
Mas outra questão é se você talvez não seja tão brilhante como personalidade e não tente se mudar de forma alguma, apenas carregue esse eu cinzento, estranho, incompreensível de filme para filme... Isso é interessante para você como artista? Para mim, é mais interessante experimentar coisas diferentes, não endurecer.
– Qual foi a reação mais inesperada e interessante das pessoas quando descobriram que você é atriz?
Lembro de um caso. Foi em uma troca de objetos em um eco-centro. Na época, tinha acabado de sair a série "Uma Hora Antes do Amanhecer". Lembro que fui ao caixa comprar algo, e a caixa gritou ao me reconhecer. Reagiu de forma muito intensa, correu, pediu para tirar foto. Por um lado, foi agradável, por outro, não muito confortável. Não sei como me comportar em tal situação.
Outro caso foi durante as filmagens de um curta-metragem. Um rapaz, ator de cena de massa, se aproximou e perguntou: "Você é atriz, né? Onde eu te vi?" Olhei para ele e pensei: "Você está brincando? Devo listar meus trabalhos?" (risos)
– Dá o link do Kinopoisk!
Sim, geralmente em grandes filmagens eu digo: dê uma olhada no Kinopoisk, talvez você se lembre de algo. Honestamente, não tenho vontade de listar. Senão, fica uma cena muito idiota. Você fica parado e diz: "Talvez você tenha me visto em 'O Goleiro da Galáxia'? Não. Então talvez em 'O Método'?"

– Como você interage com fãs e espectadores? Nas redes sociais, por exemplo?
Troco mensagens, tento responder quando tenho tempo. No geral, não gosto muito de me comunicar nas redes sociais. Não sei fazer isso. E as pessoas às vezes se ofendem quando não respondo às suas perguntas detalhadas ou quando não concordo em encontrá-las. Não é que eu seja arrogante ou algo assim, mas não forneço dados pessoais, não encontro seguidores pessoalmente, etc.
Gosto de humor, quando podemos trocar piadas. Ou, por exemplo, gosto de compartilhar informações úteis. No meu canal do Telegram, tentei focar na minha experiência no exterior. Contava sobre várias coisas úteis: lugares interessantes para visitar, serviços, minhas impressões e assim por diante. E o Instagram* para mim é sobre conteúdo de entretenimento. Lá posso compartilhar fotos, falar sobre novos projetos, conversar sobre teatro.
O que mais observo – definitivamente não aceito hate. Nem contra mim, nem contra outros seguidores. Dou um aviso, se não funcionar, aplico sanções.
– Em uma entrevista, você disse que escolheu a atuação em vez de outra arte criativa porque queria algo mais volumoso. O que você quer dizer com volume? E até que ponto seus desejos e visão coincidiram com as realidades da profissão de ator?
Por volume, entendo a sensação de vida. Essa área me deu muito em termos de compreensão de mim mesma, de outras pessoas, da vida ao redor. Parece-me que a literatura que você lê durante o treinamento ou quando já trabalha no cinema te enriquece, te nutre, e você se torna mais suave, mais flexível, de certa forma um pouco filósofo.
Em geral, a atividade de ator é algo multifacetado, muito complexo, onde há psicanálise de um lado, e do outro é importante encontrar algum valor artístico. Pode soar grandioso ou pretensioso demais, mas no cinema você deve se tornar um objeto de arte. É muito bom quando você se move nessa direção.
– Opinião interessante. Você está no caminho para isso?
Por enquanto, é uma perspectiva. Claro, sonho que meus papéis sejam levados para escolas de cinema, institutos, analisados, como acontece agora com o cinema soviético, com as imagens de Yankovsky, Smoktunovsky e outros. Os papéis deles realmente permanecem na memória, podem servir de exemplo para futuros artistas. Isso é o que eu quero, mas por enquanto não tenho.

– Sempre tive curiosidade sobre como os atores assistem filmes. Você percebe detalhes, nuances da atuação, ou desliga o profissionalismo e se entrega à história?
Ambos. Na primeira vez que assisto, quando vejo que o trabalho é bem feito, posso desligar e aproveitar. Se a atuação é ruim, é difícil parar de analisar por que não deu certo.
Ao reassistir um bom filme, tento entender como foi feito, por que gosto, como conseguiram alcançar isso, que segredos podem ser revelados.
– E você reassiste seus próprios projetos para entender o que deu certo, o que poderia ter sido melhor?
Não reassisto várias vezes. Geralmente assisto quando os projetos são lançados. Nem todos, aliás. Às vezes é preciso que passe um tempo para eu assistir. Às vezes é melhor não ver algumas coisas imediatamente, senão você pode ficar muito chateado e obcecado. Melhor, sabe, assistir daqui a 10 anos e dizer a si mesmo: "Ah, eu era jovem, por isso não deu certo". Ou, ao contrário, assistir daqui a 10 anos e pensar: "Eu não era ruim, realmente há algo para se agarrar".
Mas, claro, vejo meus fragmentos, tiro conclusões para o futuro: como fazer, como não fazer. Tento aprender com meus erros. Não sei até que ponto consigo, mas pelo menos tento.

– O que você levará para o futuro das filmagens da série "Krasny 5"?
Tenho poucas cenas lá, todas as aparições são curtas, embora perto do final se tornem mais volumosas, detalhadas, complexas. Às vezes, pensava pouco nisso – cada aparição deve ser como um tiro de canhão. E isso é uma abordagem específica de como interpretar a cena, como existir nela.
Claro, a montagem também decide muito, e algumas coisas são enfatizadas ou, ao contrário, tudo o que você, na sua opinião, fez de legal no set pode ser reeditado de forma que você se torne cinzento e imperceptível.
Houve cenas em "Krasny 5" sobre as quais, depois de assistir, pensei que poderiam ter sido feitas de outra forma. São curtas, poderiam ter sido mais brilhantes. Mas essa é minha dor.
– Cite três qualidades mais importantes para um artista.
Paciência. Abertura. Capacidade de gerar energia para que ela não acabe.
– Pergunta final: se você tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta à atriz Maria Lisovaya no estágio atual da carreira, o que perguntaria? E qual seria a resposta?
Perguntaria a ela: "Quando você vai começar a ter aulas de canto profissional?"
Ela me responderia que começará no próximo mês. Porque isso é importante para mim. Em algumas peças, eu canto e às vezes me sinto impotente. Pratico canto há muito tempo, mas nos últimos anos não tenho um professor fixo que possa me ajudar de vez em quando, dar dicas. Hoje tive uma peça em que precisei cantar. Senti novamente essa falta de prática. Por isso me fiz essa pergunta hoje.
*pertencente à empresa Meta, reconhecida como extremista na Federação Russa.
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