
Continuamos entrevistando pessoas do mundo do humor para o nosso projeto «Comédias favoritas dos comediantes».
No ano passado, lançamos duas partes da série de matérias «Comédias favoritas dos comediantes», entrevistando dez representantes brilhantes da indústria do humor. Ninguém planeja parar, por isso corremos para voltar com a terceira seleção e novos convidados interessantes, que compartilharam suas comédias favoritas (e não só).
Antes de começarmos, gostaria de incentivá-los a se inscrever no nosso canal Telegram «Depois dos Créditos» (aqui está o link). Lá publicamos pôsteres, trailers e várias notícias interessantes e engraçadas do mundo do cinema.
Salavat Dyusengaliev — comediante de stand-up, residente do show «Stand Up» na TNT
Gostaria de citar um filme e uma série. Não que sejam meus favoritos ou os melhores do gênero comédia, mas acho que ninguém vai escolhê-los, e esses projetos são, sem dúvida, dignos de menção.
O filme é «Trovadores da Desgraça», porque é um produto muito legal de sua época. Tem muitas piadas no limite que, na era da «nova ética», seria impossível filmar algo assim hoje. Nem imagino que algo parecido pudesse surgir nos dias de hoje. Na Rússia, acho que «Trovadores da Desgraça» pode ser comparado ao filme «Dia das Eleições», que também tem muitos temas e personagens que dificilmente seriam incluídos em um roteiro e exibidos na tela atualmente.

Quanto à série, é «Parks and Recreation» (também acho que ninguém vai citar). É uma série mockumentary muito legal sobre o departamento municipal de parques e recreação, onde trabalha a funcionária Leslie, que tenta beneficiar a cidade e transformar um buraco de construção em um parque, enfrentando burocracia, incorporadores e até pessoas comuns insatisfeitas. Recomendo fortemente!
Salavat Dyusengaliev publica suas apresentações em seu canal do YouTube (inscreva-se e não perca), mas também mantém atividade ativa no canal Telegram (também inscreva-se e não perca).
Denis Antipin — comediante de stand-up, residente do «Standup Club #1»
Não lembro exatamente quando, mas um dia me deparei com o esboço «Retrato Inspirador» do filme «The Onion Movie». Na prática, o filme inteiro é um conjunto de esboços de paródia em formato de telejornal, onde no final as tramas se entrelaçam. Mas foi «Retrato Inspirador» que me destruiu com sua ousadia (hoje parece ainda mais ousado).

Mostrei para todos os meus amigos quando chegava a hora da p**ra da troca de «vídeos engraçados» (Nota do editor — ah, esses comediantes, xingando aqui, e embora não sejamos contra, ainda assim mascaramos por precaução, para que vocês não entendam completamente qual palavra é). Eu recomendaria assistir «The Onion Movie» inteiro? Sim, pelo menos para conhecer. Mas se não quiser ver o filme todo, encontre na internet o esboço «Retrato Inspirador» e assista pelo menos a ele. É realmente inspirador.
Denis Antipin tem um canal Telegram «KANAPE PACAN», onde compartilha conteúdo de vida com seus inscritos (usando até emojis de «One Piece»!), então corra para clicar neste link e se inscrever.
Nastya Venevitina — comediante de stand-up, participante do show «Standup Feminino» na TNT
A série «Shameless» me foi recomendada pelo «Kinopoisk» com a tag «melhor». Comecei a assistir o primeiro episódio e parei (por algum motivo não me prendeu de imediato). Mas acontece comigo com muitas séries — preciso aguentar a introdução e depois fica mais fácil. Foi o que aconteceu: me apaixonei tanto por «Shameless» que assisti sem parar o verão inteiro. E até chorei um pouco quando a série terminou, porque os Gallagher cresceram, casaram e até morreram diante dos meus olhos. Não dá para chamar o show de comédia 100%, pois a dose de drama às vezes é extrema, e os protagonistas nunca estão bem.

Resumindo: é a história de uma família americana à beira da pobreza. O colorido da classe baixa é muito bem mostrado: vícios, vários truques (como fraudes com documentos), amor livre e a capacidade de se defenderem uns aos outros. Cada personagem se desenvolve e se revela de novos ângulos ao longo do tempo. O desenvolvimento das tramas é simplesmente insano. Muitas conversas sinceras e uma sensação de envolvimento com o que acontece depois. Dei nota 10 para a série. Realmente categoria «melhor».
Nastya Venevitina em seu canal do YouTube (clique aqui) compartilha shorts, e em seu canal Telegram «Quem é Nastya?» (clique aqui) compartilha bastidores, anúncios e mensagens de vídeo — recomendamos não adiar e clicar nos links.
Guram Demidov — comediante de stand-up, residente do «Standup Club #1» e do show «Stand Up» na TNT
Minha escolha é o filme «Não Ameace o Sul Central». Foi a primeira comédia que me marcou por ter um roteiro muito diferente de tudo que eu tinha visto antes. Para mim, foi muito revelador, e eu não entendia como os criadores tiveram coragem de mostrar tudo aquilo na tela (pornografia eu ainda não tinha visto) e como os atores interpretavam corajosamente todas as cenas escritas. Muitas piadas eu não entendia na época por causa da idade, mas as que eu entendia me faziam rir muito. Talvez minha admiração desse mais peso a elas.

A propósito, alguns anos atrás reassisti ao filme e não ri nenhuma vez. Descobri que as estruturas das piadas são extremamente simples. Embora isso não anule o fato de que, na época do lançamento, o filme era merecidamente considerado uma comédia muito boa (e minha bagagem era menor, então era mais fácil surpreender). De qualquer forma, dou um like definitivo ao filme por todas as emoções que proporcionou e pelo excelente trabalho de cada pessoa envolvida em sua criação. Sem tudo isso, «Não Ameace o Sul Central» nunca teria se tornado uma comédia cult (e certamente é uma).
Canecas e vários tipos de piadas Guram Demidov transmite em seu canal Telegram chamado «canal teleguram», então apresse-se a se inscrever para não perder nada interessante.
Misha Perekhodko — comediante de stand-up
Minha comédia favorita é «500 Dias com Ela». Sim, é uma comédia pura. Melhor dizendo, é uma paródia de comédia romântica. O protagonista, Tom Hansen, é na verdade um personagem negativo, se olharmos o filme com ironia, não a sério. Ele é uma imagem hipertrofiada de todos os sofredores masculinos que acreditam em «destino» e «amor eterno». O filme tem como objetivo quebrar todo o sistema de construção da comédia romântica, elevando ao absoluto os clichês de outros representantes do gênero e transformando a comédia romântica em um drama psicológico que dá vontade de rir.
À primeira vista, o filme parece uma comédia romântica típica com pequenos toques de estilo e uma construção única de enredo: às vezes os tais dias do título não aparecem em ordem cronológica, mas como vierem. O filme tem montes de spoilers de eventos futuros, mas também tem reviravoltas inesperadas. Resumindo, é uma comédia romântica muito estranha (se é que pode ser classificada nesse gênero). No entanto, tudo fica mais claro quando se assiste ao filme pela segunda ou terceira vez, e você começa a prestar atenção nos detalhes e nos recursos autorais que permitem entender que o filme é uma paródia.

Por que isso e onde isso é evidente? Primeiro, a presença de uma voz de narrador fora da tela no filme já nos dá uma dica. E segundo, a quebra da «quarta» parede, que às vezes é até abusada pelo protagonista, falando de seu amor diretamente para a câmera, como em um vlog pessoal. Em suma, «500 Dias com Ela» é a comédia romântica ideal, porque a comédia romântica ideal no sentido clássico deve morrer, e em seu lugar devem surgir filmes como este, que viram o gênero do avesso e o parodiam.
Minha segunda comédia favorita é «Corra que a Polícia Vem Aí!». Simplesmente adoro o talento humorístico de Leslie Nielsen. Atualmente, não há carisma de personagem assim nos filmes de comédia modernos. Além disso, o filme combina gags muito boas, parodiando séries policiais clássicas e filmes de James Bond, com um roteiro realmente «sólido». A gag mais engraçada, na minha opinião, é a cena no porto, quando o personagem de Nielsen, Frank Drebin, tenta subornar um guarda para obter informações, dando-lhe gradualmente 10 dólares. Mas depois o próprio guarda devolve o dinheiro a Drebin por suas respostas às perguntas. Muito espirituoso. O humor do filme é baseado em miniaturas visuais. Geralmente, elas parodiam cenas de séries e filmes reais, bem como clichês clássicos do gênero comédia.

Uma comédia moderna muito semelhante em formato e gênero é «A Pantera Cor-de-Rosa», mas nela o protagonista é excessivamente desajeitado até para uma comédia. Frank Drebin é mais orgânico como personagem, e ele não entra em situações cômicas por estupidez, mas por circunstâncias. No final das contas, «Corra que a Polícia Vem Aí!» é simplesmente uma hora e meia de pura diversão. Os roteiristas maximizaram a densidade de piadas, fazendo com que praticamente a cada minuto apareça alguma gag visual ou easter egg engraçado.
Misha Perekhodko mantém um canal Telegram muito aconchegante «Aproximadamente uma e meia | Misha Perekhodko», onde compartilha seus pensamentos. Recomendamos se inscrever!
Comentários
0Ainda não há comentários.
Entre para participar da conversa.