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Em ampla distribuição, o filme 'Claustrofóbicos: Insônia'. Sobre por que este terror intimista merece mais atenção do público — em nossa resenha.

Claire (Millie Brady) é uma das sete cobaias em um laboratório cirurgicamente estéril de uma bem-sucedida empresa farmacêutica. Um estudo duplo-cego (inglês double blind – que é a tradução literal do título do filme) é realizado com o grupo de voluntários. A essência do experimento é que nem o médico nem o paciente sabem a qual grupo o sujeito pertence, para que depois seja mais fácil determinar o benefício do medicamento ou seus efeitos colaterais. No início, tudo parece correr conforme o planejado, mas depois os cobaias começam a notar que conseguem ficar acordados por 30 horas ou mais, e como se descobre mais tarde, isso não é um aspecto positivo, mas exatamente o oposto — mortal.

Logo os participantes descobrem que seu sistema imunológico entrou em colapso, o cérebro superaqueceu e pode desligar para sempre a qualquer momento, com consequências terríveis para o corpo — basta cochilar. Depois que uma das participantes do experimento morre, um protocolo secreto é ativado no laboratório, e a única saída é bloqueada. Os infelizes, que não dormem há mais de cinco dias, precisam aguentar mais 24 horas até a chegada de ajuda. Claire e seu grupo ficam no laboratório sozinhos com seus medos, traumas do passado e a ansiosa espera pelo futuro. E também com o desejo selvagem de fechar os olhos e dormir um pouco.

Vamos brincar de decadência: resenha do filme 'Claustrofóbicos: Insônia'
Cena do filme 'Claustrofóbicos: Insônia'

O estreante irlandês em longa-metragem Ian Hunt-Duffy não tenta impressionar o espectador com um método inovador de ver o gênero, seguindo um caminho já trilhado, mas o faz com elegância e, principalmente, com efeito e bom gosto, demonstrando antes de tudo o talento de um visionário decente. No filme 'Claustrofóbicos', tudo é compacto e adequado, há nervosismo em quase toda parte, especialmente as alucinações dos personagens, enlouquecidos pela insônia de cinco dias, são bem feitas. O diretor as transformou em episódios de terror curtos, mas completos e assustadores (um para cada cobaia), citando cuidadosamente não apenas Agatha Christie (inesperadamente) e 'Os Comatossos' de Joel Schumacher, mas também revisando a rica herança do gênero, de Hitchcock a Cronenberg.

Ao mesmo tempo, o diretor encontra espaço para um simbolismo contundente, como a parábola do rato na jarra de leite que decidiu não desistir (para ser compreendida em todos os níveis). Mas o diretor, de forma benevolente, não desenvolveu mais esse tema, mostrando uma cena em que a heroína solta o rato, que volta a se esconder na gaiola. Sair de um lugar confortável, mesmo que seja um laboratório médico, é desesperadamente difícil. Tudo aqui já está claro, e o que vem pela frente? Apenas o desconhecido, e ele assusta muito.

'Claustrofóbicos' poderia ter sido um filme de terror moderno comum, com o postulado principal sobre a elaboração de traumas de infância que deixam sua marca na vida futura e como eles podem, no final, levar ao abismo. Nesse pensamento, eles são diretos (para não fugir da pauta geral) e não totalmente desinteressantes — vê-se que o diretor tem algo a dizer aqui também, mas Hunt-Duffy seguiu outro caminho e tomou a liberdade de apresentar a história um pouco mais profunda, mais pungente, sem se limitar a estruturas estritamente definidas.

'Claustrofóbicos' não apenas pinta com pinceladas largas a verdade crua, a crueldade e a falta de escrúpulos do sistema capitalista, representado aqui por uma empresa farmacêutica infernal que precisa de pessoas quebradas e desamparadas para seus experimentos.

Vamos brincar de decadência: resenha do filme 'Claustrofóbicos: Insônia'
Cena do filme 'Claustrofóbicos: Insônia'

É exatamente neles que o diretor decidiu olhar mais de perto, pois os heróis de 'Claustrofóbicos' são crianças ainda não amadurecidas, mas já cansadas, que conscientemente fazem um pacto com o diabo (mostrado claramente em um dos episódios) na esperança de que, pelo menos, não seja pior do que em casa, com o cotidiano odioso, onde cada um esconde um esqueleto no armário. Mas isso é uma fuga para lugar nenhum, para aquela realidade que você não desejaria nem ao seu inimigo: decadência sem senso de camaradagem, o olhar do abismo, a possibilidade de ficar à margem sem sequer obter uma sensação de satisfação, e o olhar para a luz do sol – o principal sinal do gênero de que tudo ficou para trás – aqui não parece uma salvação, mas sim a última vontade antes da morte. É o momento em que o demônio libertado de dentro se volta contra você.

Não é difícil adivinhar de que lado está a simpatia do diretor — ninguém está disposto a se despedir da vida, mesmo que pareça totalmente sem esperança à primeira vista. E se houver uma chance de prolongá-la, mesmo que por um meio extremo como um derrame induzido artificialmente, é melhor aproveitá-la. E melhor ainda não assinar papéis duvidosos de consentimento para processamento de dados pessoais e pesquisas farmacológicas.