
A sequência que os fãs já crescidos do filme original há muito desistiram de esperar, e que as crianças atuais nem esperavam. Por que "A Fuga das Galinhas 2", que atende às demandas modernas, se perdeu no tempo e se transformou de uma torta de galinh...
Se você perguntar a um adolescente se ele conhece o filme de animação "A Fuga das Galinhas", a probabilidade de uma resposta negativa é muito alta, pois mesmo aqueles que nasceram no ano do lançamento do filme já têm 23 anos. E se para um filme de animação médio dos estúdios Disney/Pixar ou DreamWorks ("Monstros S.A." e "Shrek", por exemplo, lançados um ano depois) essa pergunta não se aplica, visto que essas empresas são gigantes da indústria, as obras do estúdio Aardman Animation são exemplos nichados de animação em stop-motion, que, embora de qualidade, raramente presenteiam o espectador.
Outrora uma paródia bem-sucedida (e ainda a mais lucrativa entre os filmes de animação em stop-motion) do filme "O Grande Fugitivo" de 1963, duas décadas depois ganhou uma sequência, mas sua relevância é questionável. Uma continuação sem dentes dificilmente agradará os fãs do original, e para os espectadores modernos que não conhecem o predecessor, a sequência é tão necessária por si só?

Toda a ninhada de galinhas resgatadas da fazenda da cruel Sra. Tweedy encontrou sua ilha paradisíaca, e Ginger e Rocky até tiveram um filho. O pintinho Molly, que herdou o caráter da mãe, um dia foge de casa, onde era tão cuidadosamente protegida por Ginger, que ainda não havia esquecido os tempos sombrios. Um novo conhecido e a sede de aventura levam Molly a outro cantinho "paradisíaco" – uma granja, onde cada galinha sonha em "encontrar seu balde".
"Há muito tempo não via esse olhar!"
Peter Lord e Nick Park, responsáveis pelo original "A Fuga das Galinhas", agora atuam como produtores executivos, mas os caminhos que percorreram ainda não estão cobertos de vegetação, pois o diretor Sam Fell seguiu a trama passo a passo, aumentando apenas a duração.

Ao espectador é oferecido relembrar as cenas originais, apoiadas pela familiar trilha sonora, as galinhas mantiveram seus personagens únicos, e a antagonista continua sendo a mesma Sra. Tweedy. Mas agora a fuga não é necessária de um território fechado ao redor, mas sim de um círculo vicioso de pensamentos e ansiedades na própria cabeça. E, provavelmente, não faz sentido criticar a sequência, que foi criada nos moldes de todas as sequências modernas, se não fosse pelo abismo temporal entre as partes.
O filme de animação "A Fuga das Galinhas 2" exagera padrões estabelecidos, por exemplo, comportamentais. Portanto, cada galinha demonstrará diferenças pessoais de forma mais acentuada, e as piadas girarão em torno de clichês consolidados. Por exemplo, sobre o rato que rói fios antes mesmo de nascer, e as galinhas que põem ovos apenas ao ouvir a palavra "fazenda". Esse e outros humores, baseados em homenagens a "Missão: Impossível", funcionam bem, mas são rapidamente esquecidos no contexto de uma história insossa.

Apesar de os criadores tentarem abordar temas complexos como ataques de pânico e controle parental, eles não conseguem aprofundá-los devido à descrição superficial dos novos personagens e a uma história purgada de "excesso" de drama.
"A Fuga das Galinhas" era um drama intimista sobre a tragédia de almas em busca de liberdade. Cores opressivas, paralelos assustadores com campos de concentração, união dos personagens em uma luta comum e humor adulto tornavam o filme perfeitamente equilibrado. A sequência aumentou o contraste das cores, reduziu o grau de tragédia, trocou a coragem motivada por um objetivo específico pela imprudência gerada pela crise adolescente, e a pequena fazenda se transformou em um enorme bunker, montado a partir da casa de Tony Stark e da fortaleza de Vector de "Meu Malvado Favorito".

E a influência das novas tecnologias é difícil de ignorar. "A Fuga das Galinhas 2" é o ápice do desenvolvimento da animação. Os criadores se empenharam e usaram, ao que parece, todos os tipos de texturas disponíveis e possíveis jogos de sombras e contrastes. Quer uma autêntica casa de galinha de feno? Aqui está. E que tal contrastá-la com uma fazenda futurista? Pois não. Mas para isso, sacrificaram a intimidade da história e o foco nos personagens.
Mas é difícil chamar "A Fuga das Galinhas 2" de um filme totalmente ruim. Pelo menos porque ele se baseia na primeira parte, que não tenta superar. A Netflix frequentemente peca ao criar projetos "convenientes". Na maioria das vezes, são remakes ou sequências que seguem o modelo do original, mas atendem às exigências modernas do espectador ocidental: pauta, dinamismo, desenvolvimento simples da trama. Mas será que, neste caso, era necessário mudar o cardápio de tortas de galinha para nuggets refinados?
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