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Em 22 de novembro, o mundo viu o novo épico histórico 'Napoleão' de Ridley Scott, com Joaquin Phoenix no papel principal. E enquanto o renomado diretor se defende dos ataques dos críticos com táticas de alunos do ensino fundamental, decidimos reunir...

Ridley Scott é um diretor surpreendente. Ele consegue assustar o público com um thriller no espaço, impressionar com um épico histórico, emocionar com um road movie romântico e até fazer chorar com um filme abertamente fracassado e melancólico. O alvoroço em torno de 'Napoleão' nos inspirou a compilar nosso top de filmes favoritos do homem que mandou Anton Dolin pastar. 

Os Duelistas (1977)

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Cena do filme 'Os Duelistas'

A primeira experiência de Ridley Scott no cinema de ficção e imediatamente a 'Palma de Ouro' do Festival de Cannes em 1977. Em 'Os Duelistas', Scott já demonstrou seu estilo único, tão facilmente reconhecível posteriormente. O filme conta a história de dois oficiais franceses que iniciam um longo duelo por causa de uma bobagem (embora que 'bobagens' possam existir na França durante o reinado de Napoleão?). A falta de controle inicial e o ardor acabam levando a um duelo que dura quase uma vida inteira, sem vencedores nem perdedores. E a razão, com o passar do tempo, ninguém consegue mais lembrar.

Filmado em locações com pouco dinheiro e complexo na produção e pós-produção, 'Os Duelistas' tornou-se um verdadeiro sucesso e uma estreia promissora de Scott no cinema. Um filme incrivelmente bonito, quase decorativo e um pouco melancólico, que acalma com paisagens pitorescas e habilmente aumenta a tensão nas cenas de luta entre dois soldados do mesmo exército, cada um despertando igual simpatia graças às excelentes atuações de Harvey Keitel e Keith Carradine.

Alien (1979)

Em 22 de novembro, o mundo viu o novo épico histórico 'Napoleão' de Ridley Scott, com Joaquin Phoenix no papel principal. E enquanto o renomado diretor se defende dos ataques dos críticos com táticas de alunos do ensino fundamental, decidimos reunir nossos trabalhos favoritos de sua filmografia

Antes de James Cameron fazer uma das melhores sequências e David Fincher estrear no cinema, Ridley Scott criou um magnífico thriller claustrofóbico sobre como a tripulação de uma nave tenta se livrar de um xenomorfo clandestino no espaço infinito, onde não há ajuda à vista. O primeiro 'Alien' é uma obra-prima do cinema, que presenteou o público com uma das melhores mulheres fortes na figura da tenente Ripley, interpretada por Sigourney Weaver. Numa época em que, ao que parecia, todos ainda estariam enlouquecendo por 'Star Wars' e romantizando viagens espaciais, Scott lançou uma franquia completamente diferente, onde essas odisseias não trazem nada de bom para os humanos. 

Quase quarenta e cinco anos depois, o 'Alien' original ainda é um dos trabalhos mais importantes do diretor, repleto de múltiplas leituras e interpretações. Naquela época, o diretor ainda não seguia tão fervorosamente os 'Convênios' e criou um ótimo filme sobre a solidão no espaço e seu medo desconhecido. Ridley Scott tenta entender a natureza humana (o twist com o androide é magnífico) e refletir sobre nosso lugar neste Universo. Mas mesmo depois de tantos anos, ainda não está completamente claro quem é o verdadeiro estranho no espaço: o xenomorfo ou o humano? 

Blade Runner (1982)

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Cena do filme 'Blade Runner'

Num mundo futurista próximo, os replicantes fazem todo o trabalho sujo pelos humanos, enquanto os humanos – em vez de aproveitar a vida – bebem, pensam sobre o sentido e sofrem as consequências de um desastre ecológico. 'Blade Runner' é o grande noir 'O Falcão Maltês' colocado num mundo futurista sem futuro. E também é o melhor filme do mundo sobre amor, morte e robôs. A história de como um detetive se apaixonou por uma femme fatale, e ela não era quem dizia ser, é conhecida, provavelmente, por todos que já seguraram um controle remoto. Mas Scott conseguiu preencher essa história com um conteúdo completamente novo: não apenas a femme fatale (a maravilhosa Sean Young) não é quem parece, mas também o detetive (o grande Harrison Ford em um de seus melhores papéis) e o mundo ao redor. 

Neste detetive confuso, a perseguição aos replicantes fugidos das minas se transforma numa jornada, na verdade, para dentro de si mesmo. A odisseia de Harrison Ford pelos becos de neon, fábricas estranhas e bares em algum momento se disfarça de história de amor para, com ainda mais força, colocar as questões principais do filme: e se você ama um replicante? E se você mesmo é um replicante? E daí? Como reconhecer um humano? E como saber que você é humano? 

O tema principal dos filmes de Scott (duelo e confronto) aparece aqui da mesma forma: quem está contra quem? Humanos contra replicantes ou, no final das contas, humano contra humano? Mas mesmo que a resposta para essa pergunta não seja encontrada, 'Blade Runner' é simplesmente um cyberpunk espetacular, engenhoso e cativante que deveria ser exibido regularmente em todos os cinemas. É um filme para a telona e, provavelmente, o principal legado do grande diretor Scott, porque, como aqui, as máquinas nos anos oitenta não voavam em nenhum outro lugar.

Thelma & Louise (1991)

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Cena do filme 'Thelma & Louise'

'Thelma & Louise' é um filme que foge um pouco da filmografia de Ridley Scott, que no início dos anos 90 se voltou para o gênero road movie. Embora muitos de seus personagens estejam de alguma forma em movimento, começando, continuando ou terminando sua jornada. Seja no espaço ('Alien'), nos bairros criminosos de Nova York ('O Gângster'), na arena dos gladiadores ('Gladiador') ou até mesmo correndo sobre uma lâmina afiada. 

Nesse sentido, 'Thelma & Louise' é mais direto e repleto de encanto romântico, espírito de liberdade, independência e uma fuga desesperada da prisão sufocante do cotidiano (sobre o qual, no entanto, Scott parece zombar mais do que deveria). Não é a primeira vez que o diretor fica do lado das mulheres, mas é, talvez, a única em que as heroínas do filme já não precisam chegar ao destino final. Sua jornada ainda continua. 

Vitaly Gizatullin

Gladiador (2000)

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Programar o material para o lançamento de 'Napoleão' e não mencionar 'Gladiador' seria um verdadeiro crime. Primeiro, ambos os filmes são épicos monumentais, e segundo, em ambos brilha o magnífico Joaquin Phoenix (embora agora ele esteja em primeiro plano). No início dos anos 2000, Ridley Scott embarcou numa aventura muito arriscada e literalmente deu nova vida aos peplums, considerados desinteressantes na época. Se não fosse por 'Gladiador', talvez não tivéssemos visto 'Tróia' e 'Alexandre'. O filme foi verdadeiramente revolucionário no gênero. 

O diretor colocou o homem (em vez de deus) no centro do filme, não economizou no espetáculo (mas sem esquecer o realismo) e misturou uma declaração autoral com a roupagem de blockbuster. 'Gladiador' ganhou cinco Oscars (o incrível Russell Crowe levou a estatueta de melhor ator) e foi um sucesso de bilheteria, além de mostrar que o povo sempre adora pão e circo, não importa em que época estejamos. O importante é que seja de qualidade e interessante.

Evgeny Belousov

Matchstick Men (2003)

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Cena do filme 'Matchstick Men'

Mais do que épicos, o tio Ridley adora adaptar livros. 'Matchstick Men' é uma prova clara disso. A virada do século foi uma época de ouro na obra de Ridley Scott. Até mesmo 'Falcão Negro em Perigo', que enterrou a carreira de Josh Hartnett, não abalou a confiança do Pai de Todos os Aliens. Foi então que Scott lançou o filme 'Matchstick Men', que no Brasil foi traduzido como 'Matchstick Men'. Um drama intimista com nostalgia dos anos 70 sobre um vigarista, interpretado de forma impecável por Nicolas Cage, com o talentoso apoio do meu favorito Sam Rockwell e da bela Alison Lohman

Um filme um pouco arrastado, mas encantador, infelizmente passou despercebido, perdido entre outros dramas criminais mais dinâmicos e bem-sucedidos comercialmente, e raramente é lembrado em conversas sobre Ridley Scott. Embora a história sobre o que é a verdadeira felicidade e o que é a cura seja muito bem refletida no filme. E após o final, a gente quer desenrolar a trama de volta e ver todas as pistas deixadas. Em 2013, o filme 'A Melhor Oferta' sairia e cravaria o último prego no caixão do amor do público por 'Matchstick Men', mas isso, na minha opinião, não diminui em nada a brilhante atuação e as interessantes descobertas de direção que Ridley Scott ainda usaria. 

Ellina Chernikova

Prometheus (2012)

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Cena do filme 'Prometheus'

Uma expedição de pesquisadores, financiada por capitalistas duvidosos liderados por Guy Pearce, chega a um planeta misterioso onde, possivelmente, a civilização humana um dia surgiu. Como é uma prequela de 'Alien', fica claro que nada de bom espera os heróis lá, mas o mal também não se resume aos xenomorfos. 

Em 1979, Ridley Scott assustou a todos com uma mancha preta num quarto escuro. Um terror claustrofóbico sobre a solidão no espaço. Em 2012, ele provou que é capaz de assustar qualquer um à luz do dia e em espaços abertos (embora nunca duvidássemos, claro), e que não há coisa mais sublime e assustadora do que um épico bíblico no espaço. 

Claro, o principal tanto em 'Alien' quanto em 'Prometheus' e em outros grandes filmes de terror não são os sustos ou as sombras no fim do corredor, mas a habilidade de fazer perguntas sérias. 'Prometheus' se sai bem nisso: é uma reflexão muito curiosa sobre como às vezes é melhor não saber quem somos e de onde viemos. Sobre como perguntas existenciais feitas na hora errada e no lugar errado se transformam facilmente em ameaças existenciais. 

'Prometheus' repete a trama de 'Alien', mas o filme sobre a vitória sobre a morte é reinterpretado aqui como uma história sobre como a vida pode ser muito mais assustadora. E, no final das contas, a principal pergunta que Scott nos deixa não é como vencer os aliens, mas sim como viver se o resultado da busca pelo sentido da vida é que não há sentido e a vida anterior não existirá mais. Em outras palavras, como viver sabendo que no espaço a humanidade talvez não seja amada por ninguém?

Ivan Kilyakov

Perdido em Marte (2015)

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Cena do filme 'Perdido em Marte'

Após o fracasso retumbante de 'Êxodo: Deuses e Reis', poucos esperavam um 'uau' de direção de Ridley Scott. E, no geral, em 2015, o público parecia um pouco cansado de ficção científica séria, preferindo filmes de entretenimento.

No entanto, 'Perdido em Marte' surpreendeu tanto os fãs de ação espacial quanto os entusiastas da agricultura. E eu também o amo muito!

Uma adaptação talentosa sem o subtexto bíblico (tão típico do Scott atual), um elenco estelar liderado por Matt Damon, que já está sendo salvo pela terceira vez, e uma estética marciana incrível, filmada nas paisagens de Wadi Rum – tudo isso rendeu seis vezes o custo de produção e tornou a história de Robinson Crusoé no espaço o projeto mais bem-sucedido comercialmente de Ridley Scott.

A pompa característica do diretor aqui iluminou harmoniosamente as cenas épicas, e o roteiro bem escrito, baseado num livro bem escrito, nos presenteia com conflitos interessantes que revelam o protagonista e os personagens secundários. Aqui, o diretor nos mostra que ainda consegue ser sincero sem o complexo de Deus. E até parece acreditar na humanidade… (Em 'Alien: Covenant', essa sensação já não existirá). 

Ellina Chernikova

O Último Duelo (2021)

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'O Último Duelo' revelou-se um projeto muito ambicioso. Parece que o que poderia ser difícil em adaptar um episódio histórico documentado? Mas Ridley Scott decidiu adicionar um toque especial e fez sua versão de 'Rashomon'. Temos três heróis, e cada um, ao relembrar os eventos ocorridos, complementa ou adiciona contexto às histórias dos outros personagens. Ele conseguiu? Sim, definitivamente. O filme é muito intrigante e interessante. Embora não possamos deixar de notar dois pontos pelos quais Scott foi criticado. 

Primeiro, as liberdades consideráveis nos aspectos históricos (elmos pela metade, embora pareçam muito bonitos, não protegeriam nenhum cavaleiro francês de uma lança no olho). Segundo, a adição de teses da agenda feminista moderna, que pode incomodar os puristas. No entanto, nenhum desses defeitos torna o filme menos impressionante e intrigante. Afinal, o cinema não é obrigado a seguir a letra dos documentos históricos e pode ser usado justamente para a autoexpressão do diretor e do roteirista. E eles se esforçaram muito. Além disso, os operadores de câmera e editores estão de parabéns, não há o que dizer.

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