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Em cartaz nos cinemas, o filme de Andrey Bogatyryov 'A Lenda do Sambo', no qual o diretor tenta retornar ao gênero do cinema exploitation.

1918. Durante a Guerra Russo-Japonesa, o jovem subtenente Viktor Spiridonov (Dmitry Pavlenko) sobrevive milagrosamente na Batalha de Mukden. Lá, ele viu pela primeira vez elementos do judô japonês. Depois, já no hospital, ferido, Spiridonov, tentando não esquecer o que viu, desenha cuidadosamente de memória em um caderno as principais técnicas e quedas, com o tempo adicionando as suas próprias e desenvolvendo a primeira camada da arte marcial esportiva posteriormente chamada de sambo.

Algum tempo depois, o já bem-sucedido especialista em artes marciais Viktor Spiridonov é convidado a trabalhar na Cheka para ensinar aos funcionários do departamento e policiais o novo tipo de luta, para que pudessem revidar em brigas de rua com bandidos, se alguém ficasse sem armas.

Sozinho e sem armas: crítica do filme 'A Lenda do Sambo'
Cena do filme 'A Lenda do Sambo'

1936. Um grupo de mestres japoneses de judô chega a Moscou. Foi decidido organizar uma luta amistosa entre a URSS e o Japão, mas 'amistosa' é uma convenção: a vitória deveria ficar com os atletas soviéticos. No dia da luta, chega a Moscou outro mestre de judô, um talento nato de Novosibirsk — Vasily Oshchepkov (Wolfgang Cerny), que no último momento entra na luta decisiva contra o mestre japonês e vence.

Spiridonov não gosta que Oshchepkov convide qualquer um para os treinos, enquanto o sistema deveria funcionar apenas nos órgãos, caso contrário qualquer criminoso usaria essa arma contra quem os prende. O conflito crescente entre eles dividirá não apenas seus alunos, mas o abalo tectônico afetará também a próxima spartakiada. A questão é: quem representará a escola soviética? Spiridonov ou Oshchepkov? Afinal, o vencedor liderará o primeiro centro de treinamento do país.

Sozinho e sem armas: crítica do filme 'A Lenda do Sambo'
Cena do filme 'A Lenda do Sambo'

O enredo do filme no papel parece um biopic esportivo típico e bastante popular hoje, com um conjunto padrão de estereótipos oficiais. Mas, sabendo trabalhar com o material, o diretor do filme 'A Lenda do Sambo', Andrey Bogatyryov, seguiu um caminho diferente, demonstrando mais uma vez suas ricas raízes cinefílicas, como em seu anterior 'O Fantasma Vermelho'. Ou seja, apresentou um exploitation brilhante e colorido com inclinação para os filmes de kung fu de Hong Kong dos anos 70, que saíam em massa na TV e depois foram citados de forma desenfreada em 'Kill Bill'.

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Varvara Ulianenok
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Música como nos filmes de Raymond Chow, meias-sombras suaves, zoom brusco nos olhos, imagem granulada, storyboard de quadrinhos e punhos fortes — como a principal ferramenta de luta entre maus e bons. Ou melhor, entre os antigos inimigos de classe (as palavras 'burguês' e 'contra' soam aqui quase mais frequentemente do que a própria palavra sambo).

Mas, na verdade, há claramente poucas lutas coloridas aqui, o que não é nada parecido com Bogatyryov, que no mesmo 'Fantasma' filmou um tiroteio arrojado, prestando homenagem aos spaghetti westerns. Em 'A Lenda do Sambo', o diretor de repente desloca os acentos e não saboreia os momentos mais suculentos da luta, preferindo ou desviar a câmera ou focar em close nos rostos dos participantes da batalha, lembrando um pouco as pinturas da era do realismo romântico. Todos os elementos mais expressivos e necessários do gênero ficam lamentavelmente fora de quadro.

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Cena do filme 'A Lenda do Sambo'

A parte histórica do filme também é, em geral, bastante condicional, como alerta o letreiro no início do filme (a palavra 'lenda' não está ali à toa). No final, temos um filme de ação sem coreografia colorida de lutas e um biopic histórico com uma exposição um tanto livre dos fatos, e em alguns momentos caindo na autoparódia. 'A Lenda do Sambo' se envolve demais na luta de cartazes contra o sistema dentro da trama, suprimindo os detalhes encantadores do cinema de nicho, mas no final perde essa luta, perdendo pelo caminho todo o clima que Bogatyryov tinha em mente no início.

No entanto, o filme 'A Lenda do Sambo' tem uma série de pontos positivos óbvios. Primeiro, a atuação do talentoso Alexey Shevchenkov, a presença física de Wolfgang Cerny (o visual de viking do norte em quimono lhe cai muito bem) e o carisma de Dmitry Pavlenko, que fica bem no papel de professor e mentor com olhos tristes (aliás, quase todo o elenco do filme veio de 'O Fantasma Vermelho').

Segundo e, talvez, o mais importante – é o entusiasmo infantil com que Bogatyryov filmou seu filme. A tentativa de jogar com o gênero puro e a forma não padrão destacam claramente o filme em relação aos outros feitos sobre o mesmo tema. É como na infância recontar um filme de ação que acabou de ver no videocassete. Nessa narrativa incoerente, mas apaixonada, onde os heróis já se misturaram e não há vencedores nem vencidos, há uma qualidade indiscutivelmente importante que torna 'A Lenda do Sambo' um filme pessoal do diretor – é a fé em um final feliz e na vitória da justiça. Na era de hoje, isso já é suficiente.